Erro médico é mais comum em Minas

Caso da enfermeira que deu cido a criana traz a polmica tona: taxa de equvocos no estado de 1,16 por 100 mil habitantes. Maior do que a do Rio, So Paulo, Distrito Federal e Bahia

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Minas 247 - Dois casos recentes trouxeram às discussões do mineiro um tema difícil: o do erro médico. O ser humano erra em qualquer profissão; mas, se ele é médico ou alguém que lida diretamente com a saúde, o equívoco custa mais caro e pode levar à morte. Os dois casos envolveram crianças: um menino de dois anos que foi parar na UTI depois de ter recebido ácido em vez de medicamento e o do bebê que teve injetado leite na veia no lugar de soro.

O jornal Estado de Minas fez interessante levantamento com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS): a taxa de erros médicos em Minas Gerais supera a de estados como Rio e São Paulo. Em Minas, no ano passado, foram 227 pessoas internadas por esse motivo, o que dá um índice de 1,16 casos para cada 100 mil habitante. No Rio, a taxa é de 0,34, ou quase 3,5 vezes menor. Em SP, é de 0,5 por 100 mil. No Distrito Federal e na Bahia, é de 0,8.

Leia abaixo a matéria de Mateus Parreiras para o jornal Estado de Minas:

Erros médicos em Minas superam Rio e São Paulo

O caso do menino de dois anos que foi parar na Unidade de terapia intensiva (UTI) depois de ter recebido no hospital ácido em vez de medicamento e o do bebê que recebeu leite na veia no lugar de soro, na semana passada, não são acontecimentos isolados em Minas Gerais. O estado é um dos que mais têm registros de complicações na assistência à saúde e erros médicos que culminam em internações e mortes, segundo registros dos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). No ano passado, de acordo com dados do SUS, foram 228 pessoas internadas por esse tipo de falha. Na comparação com estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Distrito Federal, Minas Gerais tem proporcionalmente mais registros de imperícia. A taxa de erros mineira é de 1,16 casos por 100 mil habitantes. A quantidade é 3,4 vezes superior à fluminense, de 0,34 por 100 mil habitantes; 2,3 vezes maior que a de São Paulo, de 0,5 por 100 mil, e 1,5 vez mais elevada do que as taxas do Distrito Federal e da Bahia, que chegam a 0,8 internações por 100 mil habitantes.

O levantamento do SUS, que cobre todo o ano de 2011, considera como complicações da assistência à saúde os objetos estranhos deixados no corpo de um paciente, hemorragias durante cuidados cirúrgicos, falta de assepsia de instrumentos e instalações, medicamentos contaminados, erros de dosagem entre outros. A responsabilidade, no entanto, não recai apenas sobre médicos, uma vez que esses são procedimentos podem ser realizados também por enfermeiros e técnicos em enfermagem.

Pelo menos oito pessoas morreram em estabelecimentos do SUS em Minas Gerais no último ano devido a falhas na assistência médica e hospitalar. Número que também é superior ao registrado em São Paulo, onde houve quatro óbitos, e aos do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, onde foram registrados apenas um caso. A Bahia não tem ainda os números do ano passado sobre mortes por erros na assistência de saúde.

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), João Batista Gomes Soares, parte da culpa pelas infecções e repercussões negativas de cirurgias e tratamentos vêm da falta de condições de hospitais, tanto públicos quanto particulares. “Às vezes o médico se submete a uma condição ruim para cumprir sua missão de salvar vidas, contra todos os problemas. Quando os médicos pararem de atender é que o negócio vai complicar”, alerta.

Os números parecem ruins, mas representam uma melhora de 4% em relação ao ano anterior. De acordo com o SUS, em 2010, foram 238 internações de pessoas que precisaram ser socorridas depois de terem passado por atendimento em instituição de saúde. Porém, o índice do ano passado representa salto de 93% se tomados por base os 118 registros de 2009.

Ao analisar os dados do SUS o presidente do CRM-MG afirma que grande parte das ocorrências são infecções hospitalares. “A responsabilidade do médico é sobre os procedimentos que ele executa. Instrumentação, aplicação de medicamento errado, vedação da área de trabalho para conter contaminação, tudo isso compete à instituição e aos enfermeiros e técnicos de enfermagem”, afirma. “Toda vez que ocorre um erro médico, nós somos notificados. Como não tomamos conhecimento desses casos, certamente não nos competem”, salienta.

A reportagem procurou o Conselho Regional de Enfermagem para comentar os números, mas o órgão informou que só presta informações à imprensa até o meio-dia, período que funciona sua assessoria de comunicação.

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