Escassez de chuva expõe degradação de rios em MG
O esgoto a céu aberto, os entulhos amontoados e os inúmeros barracos de ocupações irregulares comprometeram a qualidade da água do Córrego do Onça, que corta a Região Nordeste de Belo Horizonte; é o que ocorre em grande parte dos rios mineiros, que sofrem ainda com a falta de chuva e a falta de saneamento básico e de preservação; de acordo com o IBGE, a Secretaria de Meio Ambiente mostram que 57% da população urbana de Minas não contava com tratamento de esgoto em 2013; dados da Copasa mostram que na região metropolitana o índice é menor (17,5%), enquanto em Belo Horizonte o índice fica em 13%
Minas 247 - O esgoto a céu aberto, os entulhos amontoados e os inúmeros barracos de ocupações irregulares comprometeram a qualidade da água do Córrego do Onça, que corta a Região Nordeste de Belo Horizonte. É o que ocorre em grande parte dos rios mineiros, que sofrem ainda com a falta de chuva e a falta de saneamento básico e de preservação.
De acordo com do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Secretaria de Meio Ambiente mostram que 57% da população urbana de Minas não contava com tratamento de esgoto em 2013. Dados da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) mostram que na região metropolitana o índice é menor (17,5%), enquanto em Belo Horizonte o índice fica em 13%.
Também foi constatada a redução do volume de investimentos. Em 2009 os investimentos alcançaram R$ 67,7 milhões. Se comparada à última década, o orçamento caiu progressivamente nos anos seguintes, até atingir R$ 7,1 milhões no ano passado. A atual gestão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou que o governo prepara um diagnóstico geral da situação na pasta para se posicionar posteriormente.
Coordenador do Centro de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Barreira Martinez diz que, se há duas décadas tivesse sido implantado um programa de tratamento de esgoto generalizado, a atual situação dos rios seria muito mais confortável.
"Escassez de água não é só questão de chuva. Resulta da poluição e da contaminação dos rios, do assoreamento, da falta de práticas de reuso, entre outros problemas. Somos um estado suficientemente rico para possibilitar qualidade ambiental à população, mas não fazemos isso por entraves nas políticas públicas", afirmou ao Estado de Minas.
O especialista alerta que a escassez de chuva poderia ser amenizada com a preservação dos rios. E recomenda: "É preciso pensar além de uma política de contingência ou de construção de barragens, investir no tratamento de esgoto, na conservação das nascentes, das matas ciliares, na preservação das margens e na reavaliação das outorgas para captação de água".
Segundo ele, "a tendência é uma estiagem ainda pior". "Vamos entrar numa situação de sacrifício. Todo o sistema de abastecimento do estado já está comprometido desde o ano passado", acrescenta. Polignano cita o exemplo da Bacia do Rio São Francisco: "A represa de Três Marias já deveria estar enchendo. Mas está acontecendo o contrário. Chegou a parar de gerar energia por causa da seca. Se continuar a não chover, não vai haver água para abastecer cidades como Pirapora".