Escola icônica em São Paulo é vendida a admirador da extrema direita

A Escola da Vila, com valores progressistas e que se define como "pioneira no ensino construtivista", foi vendida para a empresa Bahema S. A., que tem como diretor de relações com o mercado Guilherme Affonso Ferreira Filho, simpatizante do MBL - notório defensor do projeto Escola sem Partido - e dos procuradores seletivos da Lava Jato; a escola nasceu, há quase quatro décadas, da união de um grupo de professores que queria ensinar, simplesmente ensinar com qualidade; texto do Jornalistas Livres

A Escola da Vila, com valores progressistas e que se define como "pioneira no ensino construtivista", foi vendida para a empresa Bahema S. A., que tem como diretor de relações com o mercado Guilherme Affonso Ferreira Filho, simpatizante do MBL - notório defensor do projeto Escola sem Partido - e dos procuradores seletivos da Lava Jato; a escola nasceu, há quase quatro décadas, da união de um grupo de professores que queria ensinar, simplesmente ensinar com qualidade; texto do Jornalistas Livres
A Escola da Vila, com valores progressistas e que se define como "pioneira no ensino construtivista", foi vendida para a empresa Bahema S. A., que tem como diretor de relações com o mercado Guilherme Affonso Ferreira Filho, simpatizante do MBL - notório defensor do projeto Escola sem Partido - e dos procuradores seletivos da Lava Jato; a escola nasceu, há quase quatro décadas, da união de um grupo de professores que queria ensinar, simplesmente ensinar com qualidade; texto do Jornalistas Livres (Foto: Gisele Federicce)

Do Jornalistas Livres

Ao imaginar uma educação libertadora, como ele a batizou,
pensou em um trabalho pedagógico com um profundo e largo sentido humano.
Um ofício de ensinar-e-aprender destinado a desenvolver
em cada educando uma mente reflexiva, uma amorosa sensibilidade,
um crítico senso ético e uma criativa vontade de presença e
participação da pessoa educada na transformação de seu mundo.

Carlos Rodrigues Brandão, sobre Paulo Freire

A Escola da Vila foi ferida de morte. Impossível dissociar da reforma educacional pretendida pelos sócios do golpe. Impossível separar do Projeto Escola sem Partido. A Escola da Vila, que teve Madalena Freire entre suas fundadoras, era uma das poucas escolas do país que se distinguia por valorar o pensamento crítico, por relacionar conhecimento e transformação social e por prezar trabalho democrático e participativo.
A Escola não foi formada por grupo empresarial, tampouco por fundo de investimentos. Ela nasceu, há quase quatro décadas, da união de um grupo de professores que queria ensinar, simplesmente ensinar com qualidade. Não buscavam formar patetas. O resultado foi reconhecido. Até pelo capital.

A Bahema S.A. comprou 80% da Escola da Vila

A venda foi anunciada à BM&FBovespa e à imprensa em 14/02/2017. No dia seguinte, as sócias da escola comunicaram aos professores, funcionários, alunos e pais de alunos. A notícia veio duas semanas após o início da ano letivo. Pais e mães ainda oscilam entre pasmos e enraivecidos. Fossem alertados no final do ano letivo, próximo ou passado, teriam tempo para decidir por outras escolas. A forma escolhida por vendedoras e compradores lhes deixa quase sem saída.

O que dizem as vendedoras?

As vendedoras afirmam em comunicado que: “Assim, é com grande satisfação que comunicamos a todos vocês que três grandes escolas brasileiras – a Escola da Vila, de São Paulo, a Escola Parque, do Rio de Janeiro, e a Escola Balão Vermelho, de Belo Horizonte –, com nítidas afinidades filosóficas e pautadas em teorias de educação contemporâneas, se reúnem numa sólida parceria com o objetivo maior de fortalecer nossos projetos pedagógicos precursores da valorização da autonomia, cooperação e pensamento crítico dos nossos estudantes”.
Pois bem, a Bahema comprou 80% da Escola da Vila, 5% da Escola Parque e ainda negocia com a Balão Vermelho. Não seria um tanto prematuro afirmar que as escolas estão reunidas em um “sólida parceria”?
“Neste momento, observa-se também forte movimento de consolidação de escolas que, em parceria com empresas, buscam melhorar a saúde financeira das instituições e viabilizar sua perenidade”, continua a nota, revelando possivelmente a real motivação para a venda.

Quem são os compradores?

Nas informações trimestrais de 30/09/2016, a Bahema S. A. definiu sua atividade dessa forma: “A Companhia não comercializa produtos ou serviços. Seu resultado compõe-se exclusivamente de: a) dividendos e juros sobre capital próprio das companhias nas quais possui investimentos; b) receitas financeiras de aplicações financeiras; e c) ganho na alienação de investimentos”. Em uma palavra: especulação.

Jair Bolsonaro, Fernando Holiday, Deltan Dallagnol e outros

As más notícias, no entanto, não param por aqui. O diretor de relações com o mercado da Bahema, Guilherme Affonso Ferreira Filho, foi o organizador do 3o Fórum Liberdade e Democracia, realizado em outubro de 2016. O principal convidado do 1o painel, “O papel do Estado no século XXI”, foi Jair Bolsonaro. O mediador foi Hélio Beltrão do Instituto Mises. Os outros painéis foram igualmente recheados de representantes da extrema direita.
Um dos homenageados do evento, ironicamente agraciado com o prêmio Luís Gama, foi Fernando Holiday, do MBL.


Ou outro homenageado foi Deltan Dallagnol, com o prêmio Liberdade 2016, o procurador do power point “não tenho provas, mas tenho convicção”.


Em resumo

Uma escola com valores progressistas foi vendida, pela professora Sônia Maria Barreira e suas sócias, para uma empresa de “Guiga” Affonso Ferreira Filho, simpatizante do MBL e dos procuradores seletivos da Lava Jato. O MBL é notório defensor do projeto Escola sem Partidos.

Não foram suficientes os ataques às escolas públicas. Um dos maiores símbolos da educação transformadora capitulou.

Notas

1 Veja o comunicado sobre da empresa:

Esclarecemos que a Bahema S.A. não defende nenhuma linha político-ideológica, não tem ligação com qualquer instituição política, movimento ou partido. A Bahema é uma empresa com mais de 60 anos de existência. A nova geração, que está à frente da empresa, escolheu a área educacional para se associar com o intuito de criar um grupo de escolas com projeto pedagógico semelhante, baseado no construtivismo e que defenda valores como democracia, ética e humanismo. Por isso, se associou também à Escola Parque, no Rio de Janeiro, e está em conversas com a Balão Vermelho, em Belo Horizonte. A Bahema associou-se à Escola da Vila por causa da sua história de quase 40 anos, por sua essência, e não para transformá-la. O objetivo é tornar o projeto sustentável e perenizá-lo. Reforçamos, assim, que a Bahema não apoiou institucionalmente os eventos a que a reportagem se refere. Os palestrantes em questão são os únicos responsáveis por suas declarações, que não refletem em nenhuma hipótese os valores da Bahema.  

Bahema S.A.

2 Para mais informações sobre a Bahema S.A. veja: http://www.bahema.com.br/

3 Para assistir ao 1º Painel, O papel do Estado no século XXI, a participação da Senadora Ana Amélia, o cientista político Fábio Ostermann (fundador do Movimento Brasil Livre – MBL), o Deputado Jair Bolsonaro, mediado por Hélio Beltrão do Instituto Mises, veja: https://www.youtube.com/watch?v=0N0vJ4aBb9g

4 O 2º Painel, O que queremos ser quando crescermos, do 3º Fórum Liberdade e Democracia tratou do tema da Educação e contou com Joel Pinheiro da Fonseca, Arthur do Val e Adriano Gianturco. A mediação foi de Júlio Bratz Lamb, diretor de relações institucionais e do Fórum da Liberdade do Instituto de Estudos Empresariais. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=nhHuJE6xos8

5 O 3º Painel, Desigualdade vs Pobreza, do 3º Fórum Liberdade e Democracia com a participação de Diogo Costa, Leandro Narloch e Raiam Santos. Com moderação de Wagner Lenhart. Veja em https://www.youtube.com/watch?v=0N0vJ4aBb9g&t=71s

 

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