"Esses são tempos de Lula e Dilma"
A escritora e ativista do movimento feminista cearense, Nilze Costa e Silva, enviou ao Ceará 247 artigo sobre o filme brasileiro "Que horas ela volta?", que trata das relações entre patrões e empregados domésticos e como ela diz, "entre o quarto pequeno da empregada e a piscina da luxuosa casa, existe um fosso enorme". A escritora destaca as contradições dos "bons patrões" ao se deparar com a possibilidade de ascensão social da família de sua empregada que, na visão de Nilze, representa os avanços sociais do Brasil nos últimos 13 anos. "Esses são tempos de Lula e Dilma", afirma a escritora, que torce para "Que horas ela volta?" ganhe o Oscar de melhor filme estrangeiro
Esses são tempos de Lula e Dilma
Por Nilze Costa e Silva
Entre o quarto pequeno da empregada e a piscina da luxuosa casa, existe um fosso enorme. A classe rica e média-alta ainda não entendeu que todos nós somos diferentes, mas não desiguais. Principalmente perante a divindade.
Ou, se preferirem: Diante do porvir, temos o mesmo destino, pelo menos neste plano.
Mas eu queria mesmo era falar sobre o filme brasileiro que assisti ontem, intitulado “Que Horas Ela Volta?” escrito e dirigido pela cineasta Anna Muylaert.
A película retrata o Brasil dos últimos 13 anos. Uma família Paulista rica, moradora do Morumbi mantém uma empregada doméstica nordestina há dez anos. Tratam-na bem para não perdê - la, mantendo-lhe todos os direitos adquiridos. No entanto existe aquele "muro" que separa patroa e empregada. Quando a doméstica fala que sua filha virá de Recife para fazer vestibular em São Paulo, os patrões se admiram. E quase caem para trás quando a moça chega, e fala que vai estudar arquitetura. Ainda mais na mesma faculdade que o filho da madame!
A patroa logo tenta desqualificar a filha da empregada falando que a concorrência na referida faculdade é muito grande e o curso bastante difícil.
Mas eis que chega o resultado do vestibular. O filho da patroa não passa e chora a cântaros. Nesse momento a doméstica comunica, exultante, que sua filha passou.
A situação fica insustentável na casa e a doméstica se demite. Ao final do filme, ela descobre que tem um neto, que a filha escondera até então. Resolve: "Pois quero que traga o meu neto pra São Paulo. E tem mais: de avião! "
Esses são tempos de Lula e Dilma.
Com Regina Casé no excelente desempenho da empregada doméstica, o filme é também cômico e faz bem à alma.
Soube que foi escolhido para representar o Brasil na competição de Oscar de melhor filme estrangeiro da edição de 2016. Fico aqui na torcida.