'Estou indo ao sacrifício, mas vou com prazer'

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) havia prometido despedir-se da política ao fim de seu quarto mandato no Senado, em janeiro próximo; no entanto, reviravoltas decorrentes da morte do agora ex-presidenciável Eduardo Campos (PSB) acabaram por levá-lo "ao sacrifício" mais uma vez; o parlamentar reafirmou que entra na disputa por pressão do PMDB, que teria decidido enviar seu nome ao TSE mesmo que ele se negasse, fez críticas ao jogo de interesses por trás das alianças nacionais de seu partido e explicou o episódio envolvendo o uso de verba pública para fazer um implante dentário

Plenário do Senado Federal durante sessão não deliberativa. 

Em discurso, senador Pedro Simon (PMDB-RS).
Plenário do Senado Federal durante sessão não deliberativa. Em discurso, senador Pedro Simon (PMDB-RS). (Foto: Leonardo Lucena)

Ana Ávila, Sul 21 - Pedro Simon havia prometido despedir-se da política ao fim de seu quarto mandato no Senado, em janeiro próximo, no mesmo dia em que completa 85 anos. No entanto, as reviravoltas decorrentes da morte do candidato à presidência Eduardo Campos acabaram por levá-lo "ao sacrifício" mais uma vez. Em seu apartamento na capital gaúcha, onde recebeu o Sul21 - que com esta entrevista encerra a série com os candidatos ao Senado – Simon reafirmou que entra na disputa por pressão do PMDB, que teria decidido enviar seu nome ao TSE mesmo que ele se negasse, fez críticas ao jogo de interesses por trás das alianças nacionais de seu partido e explicou o episódio envolvendo o uso de verba pública para fazer um implante dentário.

Pedro Jorge Simon nasceu em 31 de janeiro de 1930 em Caxias do Sul, descendente de imigrantes libaneses. É formado em Direito pela PUCRS. Sua primeira eleição foi para a Câmara de Vereadores de Caxias de Sul, em 1958, pelo PTB. Em 1965, quando o regime militar implantou o bipartidarismo, ele optou pelo MDB. De lá para cá, são quase 50 anos na política filiado a mesma sigla.

Agora, quando pensava em encerrar a vida pública, Simon diz que seu viu obrigado a atender ao chamado do PMDB. Com a morte de Campos, Beto Albuquerque, postulante ao Senado, passou a integrar a chapa presidencial com Marina Silva. Outros nomes conhecidos do PMDB gaúcho chegaram a ser levantados para a candidatura, mas, segundo Simon, todos fecharam a porta. Ele se diz conformado com a decisão de representar o partido mais uma vez, mas, no fim da entrevista, deixou escapar uma promessa. Já passava das 18h quando se levantou dizendo que estava atrasado para um compromisso. Ele não falava da agenda de campanha, mas da missa na Igreja São Sebastião, promessa para deixar a política, revelou. No dia 5 de outubro, Simon saberá se o pedido foi atendido.

Sul21- Há um ano o senhor disse que iria se aposentar, depois falou em outros nomes fortes dentro do PMDB para concorrer ao Senado. Essa indecisão inicial, com todas as mudanças após a morte de Eduardo Campos, pode se refletir na busca de votos? O PMDB vai se fechar novamente em torno do seu nome?

Pedro Simon- O partido sabia e eu esclareci que eu não pretendia mais ser candidato. Era a coisa mais natural, até por uma coincidência tática: eu faço 85 anos no dia em que termina o meu mandato, 31 de janeiro. Eu só não insisti na desistência porque Sartori (José Ivo) me pediu que eu não aprofundasse esta questão, porque iam começar a aparecer os candidatos e criaria uma confusão para as alianças que eles queriam fazer, e essa aliança era muito delicada. Eu não tenho participado do comando partidário, tenho ficado à margem por tanto tempo que deixei que as pessoas conduzissem. E para presidente havia várias opções, tinha a presidente, o Aécio, a Marina. Eles pediram que eu não abrisse este debate antes do tempo. E foi o que aconteceu. Quando veio o debate, eu disse que não era candidato. Aí houve discussões e, na verdade, se chegou a um grande entendimento, que foi essa aliança por unanimidade, no sentido de que o nosso candidato a senador fosse o Beto (Albuquerque), o qual fortaleceria a nossa aliança. Beto é uma pessoa que tinha a soma muito grande, fruto do seu mandato. E para vice, Cairoli.

Estávamos em campanha. Marina e Eduardo Campos estiveram aqui, foram recebidos por nós, houve uma integração muito grande. E veio o desastre, a tristeza da morte do Eduardo. A gente começou a se reunir. Imediatamente após a morte do Eduardo, eu dei meu pensamento de que o caminho natural era a Marina ocupar o lugar dele. Ao mesmo tempo, essa foi a manifestação da viúva e do irmão dele. E nós consolidamos a Marina. O Beto saiu de candidato a vice. Achamos que ele tinha todas as qualidades. Mas achava estranho que enquanto uma chapa tinha uma mineira, a Dilma, e um vice de SP, a outra tinha um governador de Minas e um vice de SP. As duas chapas eram Minas e São Paulo e a nossa ficaria Acre e Rio Grande do Sul. Se analisássemos, somente SP tem mais de 40% do eleitorado, é muito interessante que ninguém levou isso em consideração.

Morrendo Eduardo, o vice do PSB tinha que ser alguém com história no partido, um parlamentar de tradição e que consolidasse o nome do partido, alguém da intimidade do Eduardo e da confiança da Marina. E aí a unanimidade em torno do Beto, é um grande nome, mas eu estava desconfiado do Beto saindo, e eu tinha razão. E eu, estava consolidado que (meu nome) tinha ficado fora. Beto saindo, não se considerou o meu nome, havia várias opções: Ibsen, Fogaça, Rigotto, até Paulo Ziulkoski. Um não aceitou, outro também não… E como o tempo já estava se esgotando e os programas de televisão estavam se esgotando – até hoje eu não falei nenhuma vez – afinal, ninguém quis. Rigotto disse que já tinha passado a hora dele, Fogaça em plena campanha para (deputado) federal, Ibsen em plena campanha para estadual. E se chegou na reunião, era o Pedro Simon. Eu não vou, eu não tenho condições. Daqui a pouco vão dizer: está velho, está na hora de sair, de mudar… Mas houve um entendimento, uma unanimidade que me deixou mal. A tal ponto que quando disse que não ia, eles disseram: nós não temos outra saída, vamos enviar o teu nome ao Tribunal (Tribunal Regional Eleitoral) e tu vais dizer ao Tribunal que não quer. Seria a pior coisa do mundo.

Aceitei e estou muito contente. Estou até satisfeito, se Deus me reservou esta missão estou disposto a cumprir e acho que tenho condições. Não queria, estava há um mês na comodidade de vestir pijama, uma vida que para a minha idade é boa, já tinha conversado com a Marina, estava até colaborando à distância, já tinha viajado aqui e lá. E agora entrei na campanha, de última hora, faltam 40 dias e de televisão já se foi uma semana. Numa eleição, o grande material de propaganda é a chamada cola, uma minificha em que se põe: governador, nome e número. Isso se espalha para tudo que é lugar. Vou ver na hora da apuração o número de votos nulos que vai ter, comparando com os de oito anos atrás. Todo cidadão que votar “400” (número de Beto Albuquerque quando concorria ao Senado) vai estar anulando o voto. Mas não tem importância. Vou fazer meu papel, acho que ajudo Sartori e principalmente a Marina, uma criatura pela qual tenho o maior respeito e carinho.

Sul21- Mas quanto à pergunta inicial?

Simon- Não sei como vai ser. No nosso MDB do RS nós sempre tivemos comportamento de respeito recíproco. Agora, quanto à pergunta não sei. O que sei é que em todos os entendimentos as pessoas vieram falar comigo dizendo que a hora era esta, que não tinha outra saída. Pelo menos não vão dizer: ele quis. Eu vou como obrigação com meu partido.

Sul21- O sr. diria que está indo para o sacrifício?

Simon- Diria que sim. Vou com prazer, já fiz muito disso, estou há 65 anos nisso. Na hora das Diretas Já, era eu, na hora da Assembleia Nacional Constituinte, era eu, na hora da anistia, eram Teotônio (Vilela) e eu percorrendo o Brasil. Já fiz muitas dessas. Para mim, é mais uma. Se eu perder, posso perder, mas estou em paz com minha consciência, que tentei. Hoje estamos vivendo um momento histórico muito importante, como outros, das Diretas, do impeachment do Collor. Eu estava lá como líder do governo Itamar (Franco), que fez o Plano Real. Ninguém ganhou um copo d’água, ninguém ganhou um cargo, uma emenda. Então, acho que tenho condições de debater e analisar isto: meus irmãos, o Brasil vive um momento de grande responsabilidade. Esses 20 anos – oito de Fernando Henrique Cardoso, oito do Lula e quatro da Dilma – não pode continuar esse troca-troca, esse toma lá dá cá, os 30 ministérios e os escândalos se acumulando. Agora atinge a Petrobras, cuja presidente tem pedido de penhora de seus bens e passa seus bens a seu filho…

Quero fazer justiça: nos primeiros seis meses de governo Dilma, ela demitiu. Fez coisa malfeita, ela tirou. Meu livro “Resistir é preciso” dizia isso: a senhora tenha coragem, procure a maioria no Congresso para fazer aquilo que deve ser feito. Ela tentou. O PMDB, o PT começaram a torturá-la, aí começou a se falar em volta Lula, se começou a negar propostas dela. Houve um momento em que ela não teve o apoio do Congresso, não teve a firmeza e se foi. Tirou um ministro dos Transportes de sua absoluta confiança e botou de volta alguém que o partido exigia, em troca de um minuto de televisão. Isso não pode continuar. Admiro o Aécio, como admirei a Dilma no início. Mas o PSDB é isso aí. E o PMDB? O PMDB está com o PT, mas, se ganhar o Aécio, ele vai para o Aécio. Em questão de dois três meses ele tem a maioria igual à Dilma. Não podemos continuar com esse toma lá dá cá. A capacidade esgotou.

Tivemos dois gestos magníficos em que a sociedade se manifestou. Os movimentos de junho do ano passado e o projeto Ficha Limpa, com um milhão de assinaturas. Todo mundo achava que não passava. Um dia antes da votação, 20 senadores foram para a tribuna dizendo que iam votar contra. No dia da votação no Senado, tu olhavas lá para a frente do Senado e era um mar de gurizada, de bandeira e vassoura. Eu dizia: quero ver quem vai votar contra esse projeto, deve ter algum motivo. E foi aprovado por unanimidade. Nós votamos de medo.

Miriam Leitão escreveu artigo me ironizando. “Então ele acha que o Supremo vai aprovar isso?”. Eu li na tribuna e disse: vai acontecer, e aconteceu. Um mar de jovens na frente do Supremo. Os ministros do Supremo diziam que não iam se submeter à pressão. E dos 11, oito ou nove foram indicados por Lula e Dilma. E os ministros votaram pela prisão, pela cadeia. Esses dois fatos mostram que há um movimento na sociedade, se repetir agora, se ganhar um presidente e fizer isso…

Vê que coisa fantástica. De repente é outro mundo, como a Marina no debate da Bandeirantes, eu chorei. Gosto dela. Estou há 16 anos com ela no Senado, acompanhei suas dificuldades, até os 16 anos analfabeta, passando fome, pegou uma doença, se formou professora, foi ministra. A vida dela reta, aquela roupa que parece meio Santa Tereza de Calcutá. Mas ela tem firmeza.

O ideal seria que Dilma, Aécio e Marina conseguissem se reunir, estabelecer um pacto: ganhe quem ganhar, vamos terminar com o dando que se recebe, com o toma lá dá cá. Todos ganhariam. Tenho proposto isso. Discutir educação, saúde, estradas é importante. Mas o fundamental para isso é ter debate sério, com gente séria, num universo sério. É por isso que aceitei esta luta, acho eu posso ajudar, mais por velho do que por outra razão. Eu vi as coisas, eu acompanhei, eu vivi e sobrevivi, o que é mais importante, não desmoralizei, fiquei firme. Estava com Fernando Henrique quando ele assumiu, mas deu de graça a Vale do Rio Doce e na reeleição não fui com ele; estava com Lula no início, mas quando saiu o mensalão eu saí; estava com Dilma, mas quando ela se entregou eu saí.

Miriam Leitão escreveu artigo me ironizando. “Então ele acha que o Supremo vai aprovar isso?”. Eu li na tribuna e disse: vai acontecer, e aconteceu. Um mar de jovens na frente do Supremo. Os ministros do Supremo diziam que não iam se submeter à pressão. E dos 11, oito ou nove foram indicados por Lula e Dilma. E os ministros votaram pela prisão, pela cadeia. Esses dois fatos mostram que há um movimento na sociedade, se repetir agora, se ganhar um presidente e fizer isso…

Vê que coisa fantástica. De repente é outro mundo, como a Marina no debate da Bandeirantes, eu chorei. Gosto dela. Estou há 16 anos com ela no Senado, acompanhei suas dificuldades, até os 16 anos analfabeta, passando fome, pegou uma doença, se formou professora, foi ministra. A vida dela reta, aquela roupa que parece meio Santa Tereza de Calcutá. Mas ela tem firmeza.

O ideal seria que Dilma, Aécio e Marina conseguissem se reunir, estabelecer um pacto: ganhe quem ganhar, vamos terminar com o dando que se recebe, com o toma lá dá cá. Todos ganhariam. Tenho proposto isso. Discutir educação, saúde, estradas é importante. Mas o fundamental para isso é ter debate sério, com gente séria, num universo sério. É por isso que aceitei esta luta, acho eu posso ajudar, mais por velho do que por outra razão. Eu vi as coisas, eu acompanhei, eu vivi e sobrevivi, o que é mais importante, não desmoralizei, fiquei firme. Estava com Fernando Henrique quando ele assumiu, mas deu de graça a Vale do Rio Doce e na reeleição não fui com ele; estava com Lula no início, mas quando saiu o mensalão eu saí; estava com Dilma, mas quando ela se entregou eu saí.

Sul21 – O sr. criticou o PMDB pelas alianças. E relembra com saudosismo do antigo MDB. Como vê o partido hoje?

Simon - O MDB chegou ao máximo que um partido pode chegar. Tinha presidente da República e todos os governadores, com exceção de Sergipe. Maioria na Câmara, no Senado, maioria na assembleia nacional constituinte. Aí o presidente Sarney e o Dr. Ulysses (Guimarães), presidente MDB, se desentenderam e houve racha, tanto que naquela eleição a presidente da República tinha 12 candidatos. E o mais fraco e desconhecido, que era o Collor, venceu, porque houve decomposição geral. Depois disso, nenhum partido se firmou, a não ser o PT, no início. Veio com o apoio da Igreja, foi um grande partido e na oposição trabalhou. Mas não ensinaram ao PT ser governo. Assim como o PSDB: foi governo tudo bem, não soube fazer oposição. Eles não têm programa. E o MDB não soube fazer governo.

Sul21 – Como o sr. vê o projeto político do PMDB?

Simon - Não temos candidato à presidência da República e o partido está aberto às mais diversas facções, divididas pelo pensamento. Além disso, há os acordos regionais que foram feitos. No Ceará, o senador tesoureiro líder nas pesquisas está apoiando Aécio; na Bahia, o PMDB está apoiando o candidato do antigo PFL e também Aécio… No Rio, o PT e o PMDB trabalharam um tempo enorme juntos, mas o cidadão do PT foi lá e se lançou. Em Santa Catarina, o PMDB apoiou o governador do PSDB. Foi o Requião e ganhou na convenção e é candidato… O PMDB está vivendo em cada lugar uma condição. Seria mais positivo se PMDB tivesse se reunido e lançado candidato (à presidência) e no segundo turno vamos discutir.

Sul 21 – Com o Michel Temer como candidato?

Simon – O Michel Temer poderia ser presidente.

Sul21 – O partido carece de novas lideranças?

Simon – (Roberto) Requião seria um grande candidato. Estou falando sobre um ano atrás. “Na próxima o PMDB vai ter candidato”, é a terceira vez que ouço isso.

Sul21 – Por que o senhor não tentou a presidência da República?

Simon - Houve momento em que eu tinha condições de ser candidato e tinha apoio. Sabe o que o PMDB nacional fez? Não fez convenção. Eu ganhava na convenção. Não teve candidato a presidente.

Sul21- Por que não resolveu abandonar partido e fundar outra sigla?

Simon- Não me sinto em condições de fundar uma nova sigla entre essas 30 que estão aí. A última bem organizada foi o PT, tinha gente da área progressista.  Estava indo muito bem.  Foi nota 10 como oposição. Chegaram ao governo e não souberam ser governo. É uma maravilha ser oposição sem dinheiro na mão.

Sul21- Qual seu maior orgulho nesses 32 anos como senador e o que o senhor faria diferente?

Simon - Tive decisões difíceis. Quando Brizola (vindo do exílio) chegou, eu queria que ficássemos todos no mesmo partido. E eu sabia que Golbery tinha planos de esfacelar o PMDB, por ter ficado grande demais. Brizola criou o PDT e acho que saiu perdendo; se tivesse ficado no MDB, poderia ter sido diferente. Quando Tancredo (Neves) foi operado, eu defendi que Dr. Ulysses, presidente do Congresso, assumisse. Mas apareceram o general Leônidas (ministro do Exército) e do outro lado o Sarney dizendo: quem assume é o vice-presidente. É uma coisa que eu vi que estava equivocada.

Uma outra grande luta que eu acho que deu errada foi o PSDB. O PSDB foi, o PMDB ficou. O PSDB tinha grandes nomes, mas brigaram em SP. Todos nós perdemos.  Nos meus 65 de vida pública, eu sobrevivi com dignidade. Pobre, tenho hoje menos do que quando comecei, sou franciscano, dizem que fiz voto de pobreza.

Sul21- A única polêmica foi sobre seus gastos com tratamento dentário.

Simon- Prefiro nem falar. Queria fazer uma dentadura postiça, mais barata. O dentista me disse: nos discursos que o senhor faz, ela salta longe. Tive que fazer um implante. Eu sou ex-governador, não recebo pensão. Faz a conta: R$ 25 mil por 20 anos, quanto dá? Eu não recebo. Eu achei uma maldade de quem fez isso, mas faz parte. Agora, pode olhar, boca de ouro eu não tenho.

Sul21- A escolha de seu nome para o Senado ocorreu por falta de herdeiros políticos?

Simon- O nome era Beto. E a partir daí cada um seguiu seu rumo. Como Ibsen está eleito deputado estadual; Fogaça, federal. E, 45 dias antes, querer que o cara venha, só um boboca que nem eu podia fazer uma coisa dessas. Quem vai se lançar numa aventura? Eu estou aqui, com 85 anos e se sair derrotado… Se tiver que perder, vou baixar a cabeça. E fiz o que tinha que fazer. Este é Pedro Simon, é meu estilo. E como sabem que este é o meu estilo, vieram para cima de mim, não foram para cima de outro cara. O Rigotto bateu a porta e eles foram embora: não, com o Rigotto não adianta, ele só pensa nele.  O Simon já se dobrou tantas vezes aos interesses do partido, vai ser ele.

Sul21- E se perder a eleição?

Simon- Não gostaria de perder, mas tenho chance de perder. Os candidatos são fortes e estão aí há muito tempo. O do PDT é um rapaz brilhante, é competente. O do PT é um nome que respeito muito. Do PP é uma senhora empresária que tem me impressionado muito. Acho que os candidatos são muito bons.

Sul21- De quem o senhor vai tirar votos?

Simon- Quem vai tirar votos de mim é o Beto…

Sul21- Gostaria de ser vice de Marina?

Simon- Nem dá para discutir, não sou do partido.

Sul21- Caso seja vitorioso ao Senado, o que faria de diferente desta vez?

Simon- Se eu ganhasse com Marina, iria me colar nela e no Beto, ia contar toda a minha história, tudo que conheço, para fazer um grande pacto, chamando a sociedade brasileira. Fazer o que de certa forma o próprio Itamar (Franco) fez, o Plano Real que os deputados aprovaram e está uma maravilha até hoje. Nós não damos nada para ninguém, ninguém veio pedir nada para mim. Vamos fazer um entendimento, sem mágoa, sem ressentimento.

Sul21- O senhor falou sobre o momento importante que o país viveu nas manifestações do ano passado. O Senado foi um dos poderes criticados à época. 

Simon – Acho que os jovens devem ir para rua. Eu não estou falando ir para a rua com greve, nem com a cara pintada. Ir de mãos abertas, debater, discutir. Quando disse que não ia ser candidato, eu ia percorrer o Brasil, tenho convites de universidades, para debater a importância de ir para a rua democraticamente. Trazer o povo, a participação popular para a grande reforma política.

Sul21- Como vai se restabelecer a credibilidade do Congresso?

Simon- Credibilidade é conjunto, não dá para ter credibilidade do Congresso se o executivo não vale nada. Tem que ser um só. Então, a presidente faz o grande chamamento a um grande entendimento.

Sul21- Marina não poderá estar no seu palanque e vice-versa. Como será?

Simon- Se pudesse, seria melhor. Mas eu falo para todo mundo o nome dela. Vou dizer que o programa dela foi espetacular… Pelo que vi, pelo resultado da pesquisa, vai ser apesar disso (ausência de um na campanha do outro). Acho que muitos irão atrás da gente.

Sul21- Como está o PMDB no RS?

Simon- O Partido está muito bom. Desde que começou o movimento “O PMDB que eu quero”, setores de jovens, mulheres, indígenas, negros estão debatendo, há um dinamismo impressionante no partido.

Sul21- As dissidências no apoio presidencial são naturais?

Simon- Não, evidente que não. Melhor seria termos nosso candidato. Mas estamos tendo a competência de entender que temos que ir adiante. Não vamos esfacelar, nem criar três partidos. Não vamos impor o nome de Marina a alguém que está com a presidente. Estamos nos respeitando.

Sul21- Marina disse que tentará tentar fundar a Rede de novo.

Simon- É normal que dissesse isto, há um número enorme de pessoas penduradas, esperando o novo partido. Vai ser ao natural. Assumindo a presidência, não é a primeira coisa do governo dela. Ela não tem prazo para fazer isso, só quando as coisas estiverem normais.

Sul21- A decisão do PSB seria no sentido de ganhar os votos de Marina?

Simon- O ato do PSB foi um ato de grandeza. Se ela se elege, o partido fica dependendo dela. O PSB é pequeno, a negociação tem que ser de respeito, ao passo que o PT tem várias alas e cada um quer competir.

*Colaborou Lorena Paim

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