HOME > Geral

Estresse no trabalho. Ele aumenta o risco de AVC

Na Europa, um em cada cinco trabalhadores queixa-se de problemas de saúde relacionados ao estresse no trabalho: pressão alta, nervosismo, fadiga, depressão, são os sinais clínicos geralmente descritos. Mulheres sob pressão e tendo pouco controle sobre seu trabalho, estão particularmente expostas.

Estresse no trabalho. Ele aumenta o risco de AVC (Foto: Henrik Sorensen)

 


Por Anne Prigent – Le Figaro

 

Estar sob pressão no trabalho também aumentar o risco de ataque cerebral, de acordo com um estudo publicado na edição on  line da revista Neurology. Pesquisadores chineses sintetizaram os resultados de seis estudos clínicos que envolveram 138.782 participantes no total, ao longo de períodos que variaram de três a dezessete anos. Os trabalhos foram classificados de acordo com o nível de estresse, determinado pela combinação da pressão psicológica e do controle da pessoa sobre seu trabalho. O tempo e a dimensão física do trabalho não foram considerados.

O risco aumenta 22 %

Quatro categorias de trabalhos foram definidas: os empregos passivos como os dos zeladores ou dos trabalhadores manuais, pouco estressantes como os dos arquitetos, com estresse elevado como os dos serventes e enfermeiras, e os trabalhos ativos como os dos médicos e professores. Dentre as pessoas monitoradas, entre 11 e 27 % se enquadravam na categoria de empregos estressantes. Seu risco de ter um acidente vascular cerebral aumentou em 22 %, e até 33 % para as mulheres.

«Este estudo nos mostra que há mais acidentes vasculares isquêmicos (relacionados à obstrução de uma artéria cerebral, NDLR) nas pessoas que exercem um trabalho sob forte estresse psicológico e pouco domínio sobre o trabalho, especialmente nas mulheres. Mas ele não nos esclarece sobre os mecanismos responsáveis », observa o Prof. Serge Timsit, neurologista no Hospital Universitário de Brest.

Mensagens de prevenção

No entanto, os autores do estudo emitem várias hipóteses. O fato de ter um trabalho estressante aumenta a probabilidade de fumar, de ter uma dieta desequilibrada, uma diminuição da atividade física ou ainda, desenvolver uma hipertensão, itens que favorecem os ataques cerebrais. No entanto, os pesquisadores enfatizam que mesmo as pessoas com um estilo de vida saudável viram seu risco de AVC aumentar, mas em menor grau…

Outra explicação possível, o estresse no trabalho é conhecido por estar associado a fatores de riscos cardiovasculares tais como o excesso de peso, dislipidemias ou diabetes, que também favorecem o AVC. Finalmente, a última hipótese: em longo prazo, o estresse pode conduzir diretamente a perturbações do sistema nervoso simpático, resultando em uma resposta inflamatória elevada com uma desestabilização das placas ateroscleróticas, um envelhecimento celular acelerado.

«No momento é difícil ir além de uma simples observação, feita neste estudo. No entanto, é importante reforçar as mensagens de prevenção. Devemos ter uma atenção especial com pessoas que exercem um trabalho estressante, não negligenciando seu estilo de vida », conclui o Prof. Mathieu Zuber, neurologista no Hospital Saint-Joseph em Paris.

Um terço dos pacientes morrem durante o ano

Cerca de 200 mil pessoas foram hospitalizadas por acidente vascular cerebral na França em 2008 e 2009, de acordo com um relatório da Drees (Direção da pesquisa, dos estudos, das avaliações e das estatísticas) divulgado há pouco. Um terço tinha entre 18 e 64 anos de idade e, a metade, de 65 a 84 anos de idade. «Os Acidentes Vasculares Cerebrais são uma causa importante de morte », 28 % dos pacientes faleceram no decorrer do ano, após sua internação, observam os autores.  Eles também são «uma causa importante de deficiência mental, a segunda causa de demência, após a doença de Alzheimer».  A sobrevida foi melhor em pacientes tratados na terapia intensiva, especialmente desde que o plano nacional francês de saúde multiplicou os leitos dedicados às moléstias neurovasculares.