Ex-mulher agora luta por espólio de Wando

Psicloga de Belo Horizonte tenta provar a unio estvel de sete anos com o cantor, morto em fevereiro. Mas no h acordo com os filhos do casamento anterior de Wando. Luta na Justia promete durar

Minas 247 - A psicóloga Renata Vasconcelos, 41 anos e moradora de Belo Horizonte, divide-se hoje entre a emoção pela perda do ex-marido e a luta pelo reconhecimento da união de sete anos. Ele viveu em união estável com o cantor Vanderley Alves dos Reis, o Wando, morto em 8 de fevereiro.

O cantor não deixou testamento e a expectativa é de vários rounds na luta por seus bens, a maioria imóveis. Renata foi citada pela Justiça mineira como inventariante dos bens deixados pelo cantor, mas não há acordo entre os herdeiros. Os filhos do casamento anterior de Wando, que moram no Rio, ingressaram primeiro com ação na Justiça carioca, requerendo o espólio.

Leia a boa reportagem de Gustavo Werneck, publicada no jornal Estado de Minas:

Viúva de Wando tenta provar união estável de sete anos com o cantor

As lágrimas ainda vêm aos olhos, a boca treme um pouco e as palavras tropeçam na emoção. Mas o coração está mais em paz, embora preparado para a luta. Passados quase três meses da morte do cantor e compositor Wando, a psicóloga Renata Vasconcelos, de 41 anos, tem agora a missão de provar, na Justiça, que foi mulher dele durante sete anos. Há um mês, Renata, moradora do Bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, pediu a comprovação de união estável com o artista mineiro batizado Vanderley Alves dos Reis e vítima de complicações cardiorrespiratórias que o levaram à morte em 8 de fevereiro. “Faço isso por uma questão moral, simbólica, para preservar a memória de Wando”, conta a mãe da Maria Sabrina, de 5 anos, fruto do seu relacionamento com o autor dos sucessos Fogo e Paixão, Moça e O importante é ser fevereiro. Durante a entrevista, ela falou das questões judiciais, do amor por Wando, da filha, do trabalho e dos tempos de encantamento.

Wando não deixou testamento e não houve acordo entre os herdeiros, explica Renata, na ampla sala da residência de seus pais, no Bairro São Bento, na Região Centro-Sul. Na semana passada, ela foi confirmada pela Justiça de Minas Gerais como inventariante dos bens deixados pelo cantor, então com 66 anos. Sem saber o valor total do patrimônio, apenas que a maioria se relaciona a imóveis, a psicóloga diz que os filhos do casamento anterior do artista, residentes no Rio de Janeiro (RJ), ingressaram primeiro com ação na Justiça, na capital fluminense, requerendo a inventariança do espólio. “Esse direito foi indeferido pelo juiz. Eles queriam que apenas a Maria Sabrina fosse declarada herdeira, como se eu não fosse ninguém nessa história”, afirma com indignação. Como sempre ocorre em espólio de celebridades, é de se esperar vários rounds na disputa pelos bens deixados pelo artista.

Uma frase, proferida por um dos herdeiros, pesou na decisão de Renata de pedir a comprovação de união estável. “Pouco depois do enterro, ele disse que eu não era mulher de Wando. Ouvi aquilo calada e fiquei ferida moralmente”, conta Renata, que, nesse momento, não consegue segurar o choro. “Sei que a situação não seria fácil depois da morte de Wando. Não sou ambiciosa, nada me assusta. Agora, quem quiser reclamar os seus direitos que procure um advogado. Cada um pode ter o seu. Os valores dos aluguéis dos apartamentos e salas que pertenceram a ele estão sendo depositados em juízo, ninguém pode receber nada por enquanto”.

Além de Maria Sabrina, o cantor deixou os filhos Vanderlei Júnior e Gabrielle Burcci, do casamento anterior, e uma neta de 11 anos, filha do maranhense Marco Antônio, já falecido. Uma suposta filha que vive na Alemanha não entra no espólio, já que nunca fez o exame de DNA para comprovar a paternidade, esclarece a psicóloga.

O sorriso volta a iluminar o rosto de Renata ao falar do cantor com quem iria se casar no civil e religioso em 1º de setembro – a cerimônia seria celebrada pelo padre Jefferson Moreira Lima, da Igreja Católica Ecumênica do Brasil. “O meu objetivo era fazer uma festa de casamento como foi a dos meus 21 anos, aqui mesmo nesta casa, com uma tenda armada na quadra de esportes. Na época, Wando cantou e iria repetir a dose”, diz Renata, que era chamada pelo artista de “Vida”. Outra alegria é falar sobre Maria Sabrina, que tem duas primas da mesma idade e se mostra uma garota sem timidez. “Na escola, ela adora cantar e subir no palco. Está na aula de balé”, conta Renata, abrindo um livro com fotos de dias mais felizes, como numa viagem da família à Disneylândia, nos Estados Unidos.

A história de amor de Wando e Renata, casal com diferença de 25 anos, começou quando ela tinha 19 anos, em 1991. Num fim de semana com a família, no Rio – “a gente ia sempre, raramente ficava em Belo Horizonte –, a menina foi a um show do cantor, por insistência da irmã mais nova. “Era Tenda dos Prazeres, no Caneção. Fiquei apaixonada por ele, era um artista de primeira no palco. A partir daí, a jovem aprendeu todas as canções do repertório do cantor e comprou vários LPs.

Tempos depois, Wando veio fazer um show no Palácio das Artes, em BH, sem lugares marcados na plateia, e Renata, por armadilhas do destino, sentou logo na frente: “Foi pura sorte. Havia só uma fila bem comprida. De repente, o porteiro a dividiu em duas e eu fui a primeira da outra fila”. Wando logo notou a garota que sabia de cor e salteado todas as músicas e a convidou, no fim do espetáculo, para ir ao camarim com a irmã e a mãe. Depois, eles namoraram e terminaram, até que Renata entrou para a faculdade e se casou com um advogado, que morreu num acidente em 2005. “Era uma pessoa excelente, adorável, mas Wando foi diferente, tinha essa alma de artista”, resume.

Viúva, Renata se encontrou novamente com Wando e resolveram morar juntos. “No nosso relacionamento não faltou nada. Ele era romântico, engraçado, delicado, elegante, vigoroso, bom pai, bom genro e muito sensual. Não tinha defeitos. Tinha um jeito especial de olhar para a gente. Aliás, só de olhar já me preenchia”, conta Renata, já que está envolvida com a vida profissional, dividida entre o trabalho num hospital, clínica de psicologia e de hemodiálise. Com bom humor e elegância, Renata conta que, quando bem jovem, teve a fase de jogar calcinha no palco, um ritual nos shows do futuro marido. “Uma vez, minha mãe voltou da Europa e nos deu de presente umas calcinhas francesas.”

O coração de Wando parou de bater no início da manhã do dia 8 de fevereiro. Ele sofreu parada cardíaca às 6h40 e, mesmo com manobras de ressuscitação no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), morreu às 8h. Em 27 de março, o artista chegou ao Instituto Biocor, em Nova Lima, por uma recomendação do cardiologista João Carlos Dionísio. Fatores como estresse, sedentarismo, má alimentação e hereditariedade foram apontadas pela equipe médica como as possíveis causas da aterosclerótica que vitimou o artista e se traduz pelo entupimento dos vasos por placas de gordura. A luta pela vida de Wando começou com alterações no eletrocardiograma e outros exames, como a cintilografia miocárdica. Ele estava pesando 110kg e, devido ao quadro de angina, foi submetido, no mesmo dia, a cateterismo. Na madrugada seguinte, sofreu infarto. Teve que fazer angioplastia coronariana de múltiplas artérias, com implantação de stents –tubos de metal colocados na artéria coronária. Não foi possível uma ponte de safena. Na sequência, voltou ao bloco cirúrgico para se submeter a traqueostomia. Os dias seguintes animaram médicos, mas o artista morreu a poucos dias do carnaval.

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