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Ex-presidente da Sabesp elogia atual gestão e diz que racionamento seria "burrice"

Gesner Oliveira, presidente da Sabesp entre 2007 e 2010, destacou que "quem prega essa prática [racionamento] ou está agindo por má fé ou por desinformação"; segundo ele, medida só acarretaria em mais custos; ex-dirigente da empresa acredita que eleição politizou demais o debate sobre a crise hídrica, com críticas "muitas vezes de forma irresponsável", para culpar a gestão tucana pela crise atual

Gesner Oliveira, presidente da Sabesp entre 2007 e 2010, destacou que "quem prega essa prática [racionamento] ou está agindo por má fé ou por desinformação"; segundo ele, medida só acarretaria em mais custos; ex-dirigente da empresa acredita que eleição politizou demais o debate sobre a crise hídrica, com críticas "muitas vezes de forma irresponsável", para culpar a gestão tucana pela crise atual (Foto: Gisele Federicce)

Por Rodrigo Tolotti Umpieres

SÃO PAULO - A crise de abastecimento de água em São Paulo não para de piorar e outubro só continua com esta tendência negativa. Porém, enquanto as notícias que vemos por aí criticam fortemente a gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) e da Sabesp (SBSP3) por não conseguirem evitar o atual cenário de escassez, essa não é a visão de Gesner Oliveira, presidente da Sabesp entre 2007 e 2010.

Em entrevista para o iG, o executivo disse que vê como competente a atual administração da companhia diante da complicada situação que enfrenta o estado. E diferente do que tem sido a recomendação de especialistas e comitês de gestão, para ele, qualquer tentativa de aplicar um racionamento em São Paulo seria "uma restrição muito burra".

"Quando você impõe o racionamento, as pessoas sabem que faltará água em determinado dia. A demanda muda seu padrão, fica muito maior, as pessoas querem estocar e isso eleva os picos de consumo, que quanto maiores mais prejudiciais são ao sistema. Assim, o custo acabaria sendo alto demais", disse Oliveira durante a entrevista.

Ainda segundo ele, realizar um racionamento aumenta as chances de ocorrerem rompimentos de tubulação já que são feitas grandes variações de pressão no sistema a cada vez que o serviço é interrompido. "Eu diria que quem prega essa prática ou está agindo por má fé ou por desinformação", afirmou.

Oliveira ainda falou sobre os documentos do Ministério Público, que indicaram a necessidade de redução da vazão do Sistema Cantareira. "Com todo o respeito que tenho ao Ministério Público, pelos documentos que tenho visto, não encontrei nenhum fundamento técnico que demonstrasse a necessidade de se reduzir de tanto para tanto a vazão do Cantareira", disse o ex-presidente da Sabesp. "Acho o MP fundamental. Agora, nem sempre os fundamentos de um parecer da promotoria são os mais sólidos do ponto de vista técnico", completou.

Por fim, ele ainda destacou dois pontos que têm levado à críticas da gestão da situação. A primeira, com um viés eleitoreiro, onde os candidatos teriam politizado demais o debate, "muitas vezes de forma irresponsável", para culpar a gestão tucana pela crise atual. Enquanto isso, segundo ele, diante de uma crise, previsões negativas e cenários pessimistas, como os enaltecidos por especialistas, ganhariam mais espaço na mídia e mais atenção dos leitores. "Se falarem que vai chover, o tema perde importância. Cai a pauta", completa.

Ontem, o Sistema Cantareira renovou seu menor nível da história, atingindo 4,7% - isso após o uso da primeira cota da reserva técnica, também conhecida como volume morto. Vale ainda destacar que o Alto Tietê, que poderia ajudar a suprir o abastecimento e que não tem reserva técnica, chegou a 10,3%.

Na semana passada, promotores estaduais e federais apresentaram documento afirmando que a Sabesp retirou por vários meses recursos além do recomendado mesmo com a crise, o que piorou ainda mais a situação do sistema. Além disso, na sexta-feira (10), a Justiça vetou a retirada da segunda cota do volume morto de Cantareira, levando a Sabesp a anunciar a diminuição da retirada de água do sistema.