Ex-sócios de Eike confirmam investimento bilionário em MG
Mineradora Manabi, criada por ex-executivos de empresas de Eike Batista, encontra-se com técnicos do governo Anastasia (PSDB) para acertar os detalhes dos US$ 4,1 bilhões em reservas de minério na região central do estado
Minas247 – Executivos da Manabi Holding, empresa do setor de mineração criada no ano passado (e ainda em estágio pré-operacional), encontraram-se com técnicos do governo Antonio Anastasia (PSDB), em Belo Horizonte. Na pauta, a confirmação do mega investimento na região central do estado. No ano passado, a empresa adquiriu reservas de minério de ferro em Morro do Pilar e Santa Maria do Itabirao. A empresa planeja investir US$ 4,1 bilhões no setor.
A Manabi foi criada no ano passado ex-executivos da Vale e de empresas de Eike Batista. Os planos ambiciosos no setor deverão ser garantidos - pelo menos essa é a expectativa da Manabi - por uma oferta inicial de ações (IPO) ao mesmo tempo no Brasil, Estados Unidos e Canadá. Além dos investimentos em Minas, os planos incluem um terminal portuário em Linhares (ES).
Confira a matéria da jornalista Marta Vieira, do jornal Estado de Minas
Executivos da Manabi Holding – mineradora criada no ano passado por ex-executivos da Vale e da MMX e investidores canadenses e americanos – se reuniram ontem com técnicos do governo de Minas para discutir detalhes finais de um acordo que apoia o investimento bilionário preparado pela companhia no estado. A Manabi adquiriu em 2011 reservas de minério de ferro de Morro do Pilar e Santa Maria do Itabira, na Região Central mineira. Segundo uma fonte do setor que acompanha as negociações com o governo estadual, o orçamento do projeto está dimensionado em US$ 4,1 bilhões, dos quais cerca de US$ 2,8 bilhões serão destinados ao complexo de mineração em Minas.
O empreendimento deverá ser formalizado em julho, por meio de protocolo de intenção do investimento a ser firmado no Palácio Tiradentes. Na segunda-feira, a mineradora enviou comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informando sobre entendimentos com o governo do Espírito Santo para a construção de terminal portuário próprio no município de Linhares, que terá como principal carga o minério de ferro que a Manabi vai explorar nas jazidas mineiras, além de granéis sólidos e líquidos de terceiros.
A empresa informou que não vai se pronunciar sobre o projeto em razão das imposições da CVM. Para viabilizar o seu projeto no Brasil, a companhia enviou ao órgão regulador do mercado de capitais pedido de análise para oferta pública de ações. O complexo para a extração e beneficiamento de minério de ferro contempla uma produção estimada em 31 milhões de toneladas anuais a partir de 2016, sendo 25 milhões de toneladas na mina de Morro do Pilar e outros 6 milhões de toneladas na reserva de Morro Escuro, em Santa Maria do Itabira.
O projeto é um dos maiores em volume no estado, superior aos 26,5 milhões de toneladas do complexo Minas-Rio da multinacional Anglo American em fase de obras no município de Conceição do Mato Dentro. A Manabi iniciou em abril o licenciamento ambiental de seu projeto e firmou com a mineradora Vale entendimentos para negociar o escoamento do minério pelos trilhos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) até o litoral capixaba.
A logística estudada pela Manabi considera a construção de um mineroduto de cerca de 150 quilômetros ligando a mina de Morro do Pilar a Ipatinga, no Vale do Aço, de onde o insumo seguiria por ferrovia até o Espírito Santo. O trajeto em direção ao porto de Linhares seria complementado por um ramal ferroviário de 90km.
Todo o minério de Morro do Pilar terá como destino a exportação, enquanto a reserva de Morro Escuro atenderá o mercado interno. A expectativa é de que o projeto abra 2 mil empregos diretos nas operações, sendo 1,5 mil no complexo minerador. A despeito da crise na Europa e do crescimento menor na China e nos Estados Unidos, a Manabi, ainda segundo a fonte ouvida pelo Estado de Minas, se ampara em boas perspectivas de vendas, tendo em vista a qualidade considerada premium de suas reservas. Depois de passar pela etapa de processamento, o minério de ferro sairá das minas com teores de 68% de ferro, ideais para uso direto nos altos-fornos da indústria siderúrgica.