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Extremista que gravou aulas na UnB e atacou professor é condenado por injúria e difamação

Justiça do DF reduz pena para um ano, 11 meses e 10 dias e determina cumprimento em regime aberto

Wilker Leão (Foto: Reprodução (Redes Sociais))

247 -  Wilker Leão foi condenado por injúria e difamação após gravar aulas na Universidade de Brasília (UnB) e divulgar os vídeos nas redes sociais com comentários considerados ofensivos a um professor. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que negou recursos da defesa e ajustou a pena. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

De acordo com a decisão em segunda instância, a pena foi reduzida de pouco mais de dois anos para um ano, 11 meses e 10 dias de prisão, a ser cumprida inicialmente em regime aberto. Além disso, o influenciador deverá pagar 58 dias-multa.

O caso teve origem em gravações feitas por Leão durante aulas na universidade, que posteriormente foram publicadas em seu canal no YouTube. Segundo o processo, os conteúdos incluíam legendas e comentários que extrapolavam o campo da crítica acadêmica e atingiam a honra do professor responsável pela disciplina.

Relator do processo, o desembargador Cruz Macedo destacou que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como justificativa para ataques pessoais. Em seu parecer, ele afirmou que a conduta do influenciador ultrapassou os limites do debate legítimo ao expor o docente de forma depreciativa, sem autorização para uso de imagem e som.

Ainda segundo o magistrado, a publicação dos vídeos “desloca a discussão da crítica para o da ofensa pessoal”, o que configura violação à dignidade e à reputação do professor.

A condenação também levou em consideração o fato de que o conteúdo foi divulgado amplamente nas redes sociais, ampliando o potencial de dano à imagem da vítima.A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Wilker Leão até a última atualização desta matéria.

Histórico do caso

O episódio remonta a 2025, quando a Universidade de Brasília confirmou o desligamento do estudante, que cursava História, após a conclusão de um processo disciplinar. A instituição também determinou que ele não poderia realizar novas matrículas.

Leão ganhou notoriedade nas redes sociais ao publicar vídeos em que criticava professores e confrontava docentes durante as aulas. À época, ele já acumulava centenas de milhares de seguidores, o que ampliou a repercussão das gravações.

A condenação recente reforça o entendimento do Judiciário de que, embora a crítica seja um direito garantido, ela não pode violar direitos individuais, especialmente quando envolve ataques diretos à honra de terceiros.