Família Pasqualini critica uso do nome por Lasier
Família do do ex-senador Alberto Pasqualini elabora carta em repúdio à associação do senador eleito Lasier Martins (PDT-RS) ao petebista (1901-1960) durante sua campanha; "Em que ocasião, sr. Lasier, o senhor defendeu os trabalhadores e a justiça social? Em que momento o senhor condenou o lucro desumano dos seus amigos empresários?", questiona o texto; Pasqualini foi o principal idealizador do programa partidário do PTB; Lasier "envolveu-se em escândalos de nepotismo, defende o empresariado gaúcho e nunca defendeu os direitos dos trabalhadores", criticou sobrinha-neta, Bianca Pasqualini
Rio Grande do Sul 247 – A família do ex-senador Alberto Pasqualini (1901-1960) elaborou uma carta repudiando a associação do senador eleito Lasier Martins (PTB-RS) ao político, principal idealizador do programa partidário do PTB. "Não há absolutamente nada na sua trajetória, sr. Lasier, que o faça digno de comparação a qualquer socialista de verdade", diz o texto. Durante sua campanha ao Senado, esse ano, Lasier afirmou, por mais de uma vez, se espelhar em Pasqualini para executar o seu trabalho (leia aqui).
Os 'Pasqualinis' continuam a carta questionando: "Em que ocasião, sr. Lasier, o senhor defendeu os trabalhadores e a justiça social? Em que momento o senhor condenou o lucro desumano dos seus amigos empresários?". Manifesto defende ainda que "Pasqualini era a favor da reforma agrária, era contra qualquer forma de apropriação privada de bens públicos, defendia o direito dos trabalhadores à greve. Pasqualini era socialista".
Ao 247, a sobrinha-neta do ex-senador, Bianca Pasqualini, ressaltou a distância entre Lasier e seu familiar: "Lasier Martins envolveu-se em escândalos de nepotismo, defende o empresariado gaúcho e nunca defendeu os direitos dos trabalhadores, o que o coloca em uma posição completamente antagônica ao ideário de Alberto Pasqualini".
O prestígio de Pasqualini levou o ex-deputado federal pelo PTB Milton Dutra (1916-2008) e lançar o livro "O trabalhismo de Pasqualini". Quem também resolveu prestigiar o ex-parlamentar foi o atual senador Pedro Simon (PMDB-RS), ex-PTB, com o livro "Atualidade de Alberto Pasqualini".
Leia a carta na íntegra:
CARTA ABERTA DE REPÚDIO A LASIER MARTINS
Prezado "senador",
Eu e outros membros da família de Alberto Pasqualini rechaçamos veementemente a associação do seu nome ao nome de Pasqualini. Não há absolutamente nada na sua trajetória, sr. Lasier, que o faça digno de comparação a qualquer socialista de verdade.
Vejamos algumas das ideias de Pasqualini:
"O processo social se define por duas tendências: a individualista e a socialista; a primeira, tendo como centro os instintos egoístas, e a segunda, os sentimentos de simpatia e de solidariedade. É em torno do ponto de equilíbrio dessas duas tendências que se agita a humanidade e há de continuar sempre convulsionada e angustiada enquanto não o encontrar.
Os métodos do individualismo são os da luta - da luta pela dominação, pelo sujeitamento do indivíduo a outro indivíduo, da luta pelo ganho sem limite e sem considerações: os métodos do socialismo, que aqui defino simplesmente como uma crescente extensão da solidariedade social, são os da cooperação."
Em que medida, sr. Lasier, a sua trajetória de vida está refletida na citação anterior de Pasqualini?
Ou, quem sabe, nesta:
"É necessário, antes de tudo, (...) subtrair os trabalhadores do egoísmo desumano dos especuladores que, na sua avidez ilimitada de lucros, deles abusam como se fossem coisas: personis prorebus ad questum abutentes. E se é unicamente o trabalho (...) que gera a riqueza das nações, manda então a justiça que se atribua aos trabalhadores aquela parte dos benefícios a que eles têm direito."
Em que ocasião, sr. Lasier, o senhor defendeu os trabalhadores e a justiça social? Em que momento o senhor condenou o lucro desumano dos seus amigos empresários?
Mais um exemplo das ideias de Pasqualini, ideias que o senhor obviamente desconhece, sr. Lasier:
"Todos hoje compreendem e admitem que não pode haver paz, que não pode subsistir uma organização econômica e social em que uns possuam em excesso e outros não tenham como satisfazer as necessidades mais elementares da vida.
Não há nenhuma razão natural, nem jurídica, nem moral que possa excluir uma parte da humanidade do uso e gozo dos bens da terra, dos frutos e dos benefícios da cultura e da civilização. O mundo deverá propender para uma organização social em que todos possam usufruir esses benefícios na justa proporção do seu trabalho. É a isso e apenas a isso que denominamos socialismo."
Com isso, reiteramos nosso repúdio ao mau uso do nome de uma figura pública que agiu de acordo com as palavras que proferiu e é até hoje um exemplo a ser seguido por todos os socialistas e defensores das classes trabalhadoras.
Pasqualini era a favor da reforma agrária.
Pasqualini era contra qualquer forma de apropriação privada de bens públicos.
Pasqualini defendia o direito dos trabalhadores à greve.
Pasqualini era socialista.
Você, sr.Lasier Martins, pseudopolítico, nepotista e paladino do empresariado gaúcho, não representa a herança política de Alberto Pasqualini.
Concluímos concordando com o pronunciamento de Pasqualini:
"O abuso do poder econômico (...) este sim é o maior de todos os tiranos, porque fazendo uso da liberdade, pretende dar ao forte o direito de oprimir o fraco e, superpondo-se ao próprio poder do Estado, nega a este a faculdade de intervir para corrigir as injustiças sociais, impedindo a exploração do homem pelo homem. Invocam-se então todas as teorias do liberalismo econômico, manipulando-as e escamoteando-as habilmente, de modo a confundi-las e identificá-las com o liberalismo político, a fim de dar a impressão de que toda intervenção do Estado no campo econômico e social é atentar contra a democracia e a liberdade."
Sem mais,
Bianca Pasqualini
Paola Pasqualini
Mateus Pasqualini Victória
Pedro Pasqualini Feijó
Fonte das citações:
DUTRA, Milton. O trabalhismo de Pasqualini. Porto Alegre: Ed. Intermédio, 1986.
SILVA, Roberto Bitencourt da. Alberto Pasqualini: trajetória política e pensamento trabalhista. Niterói: Editora da UFF, 2013