Feirantes contra alteração na Praça do Trabalhador
Centenas de feirantes ocuparam, nesta terça-feira, as galerias da Câmara Municipal para rejeitar e criticar proposta do prefeito Paulo Garcia (PT) para transformar a área da Praça do Trabalhador, onde funciona parte da Feira Hippie, num grande estacionamento privado; feirantes reclamam falta de diálogo do Paço e rejeitam mudanças; líder do prefeito na Câmara, Carlos Soares, disse desconhecer o projeto e revelou que a base não foi comunicada de nada sobre o assunto; "Nenhum projeto nesse sentido do Paço foi enviado a esta Casa. Mas somos contrários a medidas que possam prejudicar os feirantes que ali trabalham”
Goiás 247 - Por mais de duas horas, centenas de feirantes ocuparam, nesta terça-feira, as galerias da Câmara Municipal para rejeitar e criticar uma proposta que estaria sendo preparada pelo prefeito Paulo Garcia (PT) para revitalização da Praça dos Trabalhadores, onde, nos finais de semana, funciona a famosa Feira Hippie, a maior da América Latina.
De imediato, vereadores de vários partidos, oposição e base, manifestaram-se apoio aos feirantes e contrários a qualquer alteração na Praça sem ouvir os interessados. Uma comissão formada por vereadores e representantes dos feirantes vai se encontrar o prefeito interino Anselmo Pereira, do PSDB, para tratar do assunto. Com o mesmo propósito, a comissão também quer se reunir com o titular do cargo, Paulo Garcia, assim que ele retornar de viagem que vai ao exterior.
O líder do prefeito na Câmara, Carlos Soares, do PT, disse que desconhecer qualquer iniciativa do Paço para modificar a Praça dos Trabalhadores, “transformando-a em um imenso estacionamento privado”. “Até agora”, frisou, “a base do Prefeito não foi comunicada de nada sobre o assunto. Nenhum projeto nesse sentido do Paço foi enviado a esta Casa. Mas somos contrários a medidas que possam prejudicar os feirantes que ali trabalham”.
Lembrou ainda que alteração de vias públicas só pode ser feita com a autorização do Legislativo municipal. Soares enfatizou também que se a Prefeitura pretende fazer essa alteração “terá de abrir o diálogo, ouvir os vereadores e as lideranças dos feirantes. Temos compromissos com esses trabalhadores”, reafirmou.
O presidente da Associação dos Feirantes da Feira Hippie, Manoel da Abadia, da tribuna, criticou a falta de diálogo do Paço, mas afirmou que “a proposta prevê redução do tamanho das nossas bancas e criação de um grande estacionamento privado. Não queremos alteração no local, deve continuar como está”.
Segundo ele, a proposta, que estaria sendo conduzida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciências, Trabalho e Tecnologia, ocupada por Paulo Borges, estima que as obras começariam já em outubro próximo.
Outro feirante, Gilmar Pereira, disse que “alteração na Praça em final de ano significa desrespeito às famílias que ali trabalham, especialmente no final do ano, quando nossas vendas aumentam. Vamos nos mobilizar e impedir esse absurdo”.
Vários vereadores também se manifestaram sobre o assunto. Paulo Magalhães, do SDD, propôs a formação de uma comissão interpartidária e com feirantes para discutir o assunto com Paulo Garcia, na próxima semana. “Queremos que o Paço faça ali obras de recapeamento do asfalto, melhore a iluminação e a segurança”, cobrou.
Mizair Lemes Jr, do PMDB, anunciou a apresentação de um projeto de lei mudando a atual denominação de Praça do Trabalhador para Praça da Feira Hippie.
Outros vereadores, como Cristina Lopes, do PSDB, Eudes Vigor e Welligton Peixoto, do PMDB, Tatiana Lemos, do PC do B, Pedro Azulão Jr e Elias Vaz, do PSB, Fábio Lima, do PRTB, Fábio Zander e Antonio Uchoa, do PSL, Divino Rodrigues e Paulo da Farmácia, do Pros, Djalma Araújo, do SDD, Felisberto Tavares, do PR, também manifestaram solidariedade aos feirantes.