Fotos revelam impacto da dependência química na vida de mulher em situação de rua encontrada morta em Praia Grande
Imagens que circulam nas redes sociais mostram a profunda transformação física e social de Monica Bragaia, de 49 anos
247 - Imagens que circulam nas redes sociais mostram a profunda transformação física e social de Monica Bragaia, de 49 anos, encontrada morta no último domingo (25) nas proximidades de um lixão, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A mulher enfrentava a dependência química havia cerca de uma década e, nos últimos seis anos, vivia em situação de rua, segundo familiares.
O corpo de Monica foi localizado na calçada da Avenida dos Trabalhadores, no bairro Sítio do Campo. De acordo com o boletim de ocorrência, não havia sinais aparentes de violência. Sem portar documentos, ela foi identificada pelo pai, de 80 anos, que confirmou à polícia o histórico de uso de drogas e a trajetória de vulnerabilidade social da filha.
Em depoimento às autoridades, o idoso relatou que Monica iniciou o consumo de drogas com cocaína e maconha, passando posteriormente a usar crack, o que agravou de forma significativa sua condição de saúde e sua relação com a família. As imagens do chamado “antes e depois” evidenciam o impacto do vício ao longo dos anos.
Amigo de longa data, o jornalista Antonio Cassimiro, de 59 anos, contou ao g1 que conheceu Monica há cerca de 30 anos, quando ela cursava o ensino supletivo ao lado da mãe, Antonia, em uma escola onde ele trabalhava como inspetor. Segundo ele, a lembrança que guardava era de uma jovem cheia de vida. “Quando eu conheci a Monica, ela era uma jovem muito vistosa. As pessoas gostavam dela pelo semblante sempre alegre. Uma menina radiante”, afirmou.
Cassimiro relatou que, após o período escolar, ainda tinha contato indireto com a família por meio da igreja frequentada pela mãe de Monica. Na época, segundo ele, não havia sinais claros de dependência. “Ela não era usuária [de drogas], mas a gente percebia que tinha uma vida social bem intensa. Como todos os jovens, frequentava festas, praia”, relembrou.
Com o passar dos anos, no entanto, a situação mudou drasticamente. O jornalista contou que Monica enfrentou um episódio grave de sofrimento emocional, chegando a tentar tirar a própria vida. Após o episódio, aproximou-se da igreja com apoio da mãe, mas voltou a se afastar depois da morte dela. “Começou a ter um comportamento de uma pessoa que estava vivendo algum relacionamento com bebidas ou drogas”, disse.
O reencontro entre os dois aconteceu em 2018, próximo à mesma igreja que Monica frequentava no passado. A imagem registrada naquela ocasião, segundo Cassimiro, foi marcante. “Ela estava mancando, totalmente desfigurada, cabelos que demonstravam estar sem lavar muito tempo e o cheiro também”, descreveu. Apesar das tentativas de conversa e da oferta de ajuda, Monica não aceitou iniciar um processo de recuperação.
Segundo o jornalista, a família chegou a ser acionada e tentou intervir, mas sem sucesso. “A família se empenhou, mas não tinha jeito. Ela era muito forte, mas [a dependência química] era mais forte do que ela. E isso é triste”, lamentou. Para ele, a história evidencia limites da atuação familiar diante da dependência severa e reforça a necessidade de políticas públicas estruturadas. “As famílias têm um limite. Então, é mais ainda importante a atuação do poder público”, afirmou.
O corpo de Monica foi encontrado após uma denúncia anônima recebida pela Polícia Militar. Os agentes acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou a morte no local. A área foi isolada para perícia, e o caso foi registrado como morte suspeita na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande, que investiga as circunstâncias do óbito.