Fraudes estão nas mãos de funcionários, revela Kroll

Pesquisa realizada com 1,2 mil executivos sniores de todo o mundo revela que 60% das fraudes sofridas por grandes empresas em 2011 foram cometidas por algum que trabalhava dentro da estrutura; preocupao com a questo aumentou na Amrica Latina

Fraudes estão nas mãos de funcionários, revela Kroll
Fraudes estão nas mãos de funcionários, revela Kroll (Foto: Shutterstock)
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Claudio Julio Tognolli _247 - As fraudes, em todo o planeta, são endógenas: cometidas por funcionários que operavam de dentro dos sistemas fraudados. Essa é a principal conclusão de relatório divulgado nesta quinta-feira pela Kroll, a maior empresa de investigações privadas do mundo. O dossiê 2012 da Kroll mostra que 60% das fraudes são cometidas por pessoas que de algum modo trabalhavam para as empresas, superando os 55% encontrados no ano passado de 2010. Os resultados estão contidos em um estudo desenvolvido através de uma parceria entre a Kroll e a Economist Intelligence Unit junto a mais de 1,2 mil executivos sênior de todo o mundo.

A metodologia foi a seguinte: A Kroll encarregou à The Economist Intelligence Unit a realização de uma pesquisa mundial sobre como a fraude afetou os negócios e seu impacto durante o ano 2011. Um total de 1.265 executivos sênior participaram dessa pesquisa. Cerca de um quarto dos pesquisados tem sede na América do Norte (23%) e na Europa (24%), 28% na região da Ásia-Pacífico, 15% do Oriente Médio e África e 11% na América Latina.

A pesquisa abrangeu dez indústrias, com pelo menos 50 respondentes por indústria. O número mais alto de respondentes veio da indústria de serviços financeiros (17%). A metade das empresas respondentes tinha lucros anuais superiores a US$ 500 milhões.

Na América Latina, a preocupação pelo número de ocorrências de fraude aumentou consideravelmente nos últimos 12 meses, ainda que a prevalência de fraudes na região tenha sido reduzida a 74% comparada aos 90% do ano anterior. A proporção de pessoas que responderam que as instituições que representam estão em risco cresceu substancialmente para todas as categorias de fraudes tratadas na pesquisa. Por exemplo, a proporção de empresas que se consideram vulneráveis ao roubo de ativos físicos aumentou de 29% para 58%, enquanto o percentual daquelas vulneráveis à administração de conflitos de interesses cresceram de 26% para 53%”, revela estudo.

Segundo a Kroll, a corrupção, porém, é um problema ainda crescente na região. Os responsáveis pela pesquisa dizem que quase uma em cada quatro empresas (23%) foi afetada por essa prática nos últimos 12 meses, número 13% superior quando comparado ao anterior. “Além disso, 70% das empresas da América Latina alegam ser vulneráveis à corrupção -- até o ano passado, eram 20%. Empresas da região também registraram aumentos na incidência de outros tipos específicos de fraude, incluindo fraude de fornecedores ou praticadas no setor de compras (23%) e fraudes financeiras internas (18%). O estudo também apontou que 30% das pessoas que responderam à pesquisa mencionaram a complexidade de TI como fator relevante para uma maior exposição à fraude”.

“O estudo deste ano dá uma razão tanto para o otimismo quanto para a preocupação,” diz Frederico Gebauer, managing diretor da Kroll Brasil. “Enquanto o volume geral de fraude diminuiu, os tipos de problemas aumentaram – corrupção e suborno, fraude financeira interna e fraude de fornecedores, que apresentam um maior risco de prejuízo econômico e de reputação para uma organização", completa. "As companhias estão mais cautelosas e investindo mais na detecção e prevenção da fraude em geral. O desenvolvimento da cultura e dos controles necessários para padrões mundiais em relação as operações realizadas será um dos próximos desafios”, avalia Gebauer. "O reforço das políticas de implementação de processos ligados a FCPA e de Governança Corporativa continuam sendo ferramentas que ajudam na minimização de riscos ligados a essas práticas”, complementa Vander Giordano, Diretor Executivo da Kroll em São Paulo.

As principais conclusões da pesquisa mundial são:

O custo econômico da fraude
Qual é o custo da fraude para as empresas? A pesquisa mostra que, em média, a fraude comprometeu 2,1% dos lucros nos últimos 12 meses, o que equivale a uma semana da receita de um ano fiscal. Ainda, 18% das empresas identificadas na pesquisa perderam mais de 4% da renda anual por causa da fraude, enquanto 53 empresas, ou seja, um quarto deste grupo, perderam mais de 10% por fraude.

A fraude, em grande medida, continua sendo um trabalho interno
A pesquisa do ano passado mostrou que entre as companhias que sofreram fraude, os funcionários juniores e gerentes mais sênior eram os mais prováveis autores desta prática com 22% cada. Este ano, para os funcionários juniores essa figura aumentou 28% e permaneceu no mesmo patamar para os gerentes mais sênior (21%). Ainda, 11% das fraudes foram cometidas por um intermediário ou funcionário da companhia, o que significa que, neste ano, 60% das fraudes foram cometidas por alguém que de algum modo trabalhava para a empresa. No entanto, para as empresas que perderam uma receita maior por causa da fraude, são os altos executivos os que têm mais probabilidades de serem os autores (29%) e os funcionários mais jovens os que compõem 8% dos casos.

A luta contra o roubo da informação coloca novos desafios para as empresas
A metade das empresas pesquisadas disseram que estão de forma moderada ou altamente vulneráveis ao roubo de informação, muito acima de 38% de 2010. As indústrias com atividades relacionadas a informação continuam reportando a maior incidência deste tipo de roubo, que inclui dados eletrônicos. As demais são: serviços financeiros (29%); tecnologia, mídia e telecomunicações (29%); saúde, farmacêutica e biotecnologia (26%); e serviços profissionais (23%). Um dos principais desafios que as 
empresas enfrentam é a variedade de dados que são alvos de procura por parte de hackers e estelionatários. Apesar da informação ligada a propriedade intelectual ser o objetivo mais comum, os dados de clientes e funcionários também são objeto de desejo deste tipo de roubo. A categoria de dados mais solicitada pelos estelionatários varia conforme a indústria e, em função do valor dos dados que uma empresa eventualmente possua. Para as empresas de tecnologia, mídia e telecomunicações,
a categoria mais comum é a informação sobre a propriedade intelectual (mencionado por 36 % dos pesquisados), enquanto que para as empresas de serviços financeiros é a informação de cliente (29%) o foco da procura.

A falta de preparação para a aplicação de uma regulamentação assistida
Somente 27% das pessoas que responderam as pesquisas disseram que estão bem preparadas para cumprir com as regulações, como a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior e a Lei Antissuborno do Reino Unido. Daquelas empresas que estão sujeitas a uma dessas duas leis, menos da metade, 43%, treinou seus diretores, agentes, fornecedores e funcionários estrangeiros para cumprir com uma dessas leis, e apenas 39% foram assessorados acerca dos riscos derivados. Além disso, somente 37% das empresas pesquisadas acreditam que a devida diligência (Due Diligence) proporciona uma compreensão suficiente do cumprimento destas leis anticorrupção para um sócio em potencial ou parceiro de investimento.

O quinto Relatório Anual Global sobre Fraude da Kroll inclui uma análise da indústria detalhada em categorias por fraude e regiões. Para obter uma cópia, por favor, visite www.kroll.com/fraud.

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