Frei Sérgio volta a Porto Alegre e diz que luta agora é na rua

Após permanecer 26 dias em greve de fome, em Brasília, juntamente com seis militantes de movimentos populares do país, Frei Sérgio Görgen retornou a Porto Alegre, afirmando que o fim do protesto não representa o fim de nada, mas sim o início da luta pela democracia e por direitos no país; ele disse que o protesto não conseguiu mexer com os brios dos ministros do STF porque “lá não tem mais brio”

Frei Sérgio volta a Porto Alegre e diz que luta agora é na rua
Frei Sérgio volta a Porto Alegre e diz que luta agora é na rua (Foto: Júlia Flôres)

Por Marco Weissheimer, em Sul 21 - Após permanecer 26 dias em greve de fome, em Brasília, juntamente com seis militantes de movimentos populares do país, Frei Sérgio Görgen retornou nesta segunda-feira (27) a Porto Alegre, afirmando que o fim do protesto não representa o fim de nada, mas sim marca o início de uma nova fase da luta pela democracia e por direitos no país. Os militantes, familiares e apoiadores que foram ao Aeroporto Internacional Salgado Filho receberam Frei Sérgio aos gritos de “Lula Livre”, com muitos abraços e manifestações de apoio. Visivelmente mais magro, mas sem demonstrar abatimento, o integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) desceu acompanhado por Ronald Wolff, um dos médicos populares que esteve com os grevistas de fome durante todo o protesto.

Na chegada, Frei Sérgio disse à Rede Soberania que o movimento da greve de fome não conseguiu mexer com os brios dos ministros do Supremo Tribunal Federal, porque “lá não tem mais brio”. “Brio é palavra, é compromisso, é cumprir o que se promete. Eles estão descumprindo a Constituição e rasgaram o artigo 3º da Constituição. Eu tive a oportunidade de dizer isso a todos os ministros com quem nos encontramos. A fome, a mortalidade infantil, doenças já erradicadas e o desemprego estão voltando em função do descalabro total do Estado brasileiro. Nós dissemos isso com todas as letras: vocês do Supremo Tribunal Federal são coniventes com isso e estão deixando o país seguir à deriva. Mas o pior é que vocês estão desmoralizando um dos poderes da República. A desmoralização do Executivo e do Legislativo é possível de resolver, mas uma desmoralização do Judiciário seria terrível para o país”.

Frei Sérgio não voltou muito otimista após o contato que teve com os ministros e ministras do Supremo no período da greve de fome. “O que senti lá”, relatou, “é que aquelas paredes frias do Supremo acabaram esfriando também o sangue de quem foi lá para dentro”. Após o encontro no aeroporto, amigos e companheiros de militância de Frei Sérgio prepararam um almoço especial de recepção para ele. Ainda ingerindo pouca quantidade de alimento, em função dos efeitos da greve de fome, o frei franciscano agradeceu todas as manifestações de apoio e solidariedade que recebeu nas últimas semanas e anunciou os próximos passos da luta que, destacou, entra numa nova etapa. “Agora, a luta é na rua, na conversa com a população e na mobilização da sociedade pela defesa da democracia e dos direitos”.

O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro participou do almoço e agradeceu a Frei Sérgio pelo exemplo que deixou a toda militância que está lutando pela libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo direito do mesmo ser candidato à presidência da República na eleição deste ano. O militante do MPA agradeceu as palavras de apoio e destacou que, embora a greve de fome não tenha conseguido seu objetivo principal ela deixou um símbolo de esperança, unidade e da resistência popular no Brasil.

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