Funcionário do IML de Santos é preso após furtar celular de cadáver para fazer Pix de R$ 7 mil
O suspeito foi identificado como Daniel Nathan Ribeiro Andrade, de 36 anos, funcionário do IML de Santos
247 - Um atendente de necrotério do Instituto Médico Legal (IML) de Santos, no litoral de São Paulo, foi preso suspeito de usar o celular de um homem morto para realizar uma transferência via Pix de R$ 7 mil para a própria conta bancária. O caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.
As informações são do g1. O suspeito foi identificado como Daniel Nathan Ribeiro Andrade, de 36 anos, funcionário do IML de Santos. Ele é alvo de apuração por suspeita de peculato, furto, fraude eletrônica e destruição de vestígios probatórios.
A vítima havia morrido após sofrer um acidente de motocicleta na Avenida Mário Covas, na madrugada de 15 de maio. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o motociclista perdeu o controle da direção e bateu contra um poste de iluminação.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela esposa da vítima, o corpo do motociclista foi levado ao IML por volta das 3h26 do dia do acidente. Um comprovante obtido pela TV Tribuna, afiliada da Globo, mostra que a transferência de R$ 7 mil para a conta de Daniel foi feita às 6h49, quando o homem já estava morto.
A suspeita foi descoberta pela viúva no dia 24 de maio, quando ela foi ao banco para encerrar a conta do marido. Ao verificar a movimentação financeira, percebeu uma transferência realizada em horário posterior à morte. Depois, pesquisou o nome do destinatário do Pix e constatou que se tratava de um funcionário do Instituto Médico Legal.
A mulher registrou o caso no 3º Distrito Policial de Santos. No relato, ela informou que a família conseguiu informações sobre o motociclista no IML por volta das 9h. O reconhecimento do corpo ocorreu apenas às 11h, momento em que o celular da vítima foi entregue à família danificado e com aparência de estar quebrado.
Segundo a viúva, o estado do aparelho levantou suspeitas. Ela afirmou à polícia que conseguiu acessar o celular e notou a ausência de registros de mensagens e mídias no WhatsApp. Ainda conforme o boletim de ocorrência, a última visualização no aplicativo teria ocorrido às 8h22 do dia da morte, o que aumentou as dúvidas sobre quem esteve com o aparelho após a chegada do corpo ao IML.
A Corregedoria da Polícia Civil cumpriu mandado de prisão preventiva contra Daniel na segunda-feira, 8 de junho. A prisão ocorreu após o avanço das investigações sobre a movimentação bancária e o possível uso indevido do celular da vítima dentro do órgão público.
A Secretaria de Segurança Pública informou que o caso, registrado inicialmente no 3º DP, foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil. O órgão apura as circunstâncias da transferência, a possível destruição de provas e a conduta do servidor no período em que o corpo e os pertences da vítima estavam sob responsabilidade do IML.
A Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC), responsável pelo IML, afirmou que acompanha o caso e que não compactua com desvios de conduta. A pasta disse ainda que adota medidas administrativas e disciplinares quando irregularidades são identificadas.
“A Superintendência Polícia Técnico-Científica (SPTC) acompanha o caso, reforça que não compactua com desvios de conduta e adota as medidas administrativas e disciplinares cabíveis sempre que irregularidades são identificadas”, informou a SSP-SP.
Até a última atualização da reportagem original, a defesa de Daniel Nathan Ribeiro Andrade não havia sido localizada pelo g1. A investigação segue sob responsabilidade da Corregedoria da Polícia Civil, que deve apurar como o celular da vítima foi acessado, se houve manipulação do aparelho e de que forma a transferência bancária foi realizada.
O caso provocou repercussão pela gravidade das suspeitas e por envolver um servidor que atuava em uma unidade responsável pela guarda de corpos e pertences de vítimas. A apuração deve esclarecer se outros procedimentos internos do IML foram violados no atendimento à ocorrência.
