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Gaspari sai em defesa da Delta

Em artigo na Folha, jornalista diz que "a transformação de uma empresa em boi de piranha numa pizzaria não faz bem às instituições públicas"

Gaspari sai em defesa da Delta (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
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247 – O jornalista Elio Gaspari saiu em defesa da Delta Construções, ex-empreiteira de Fernando Cavendish, vendida para a J&B Participações, em um artigo publicado na Folha. "Mais preocupada em definir o que não quer investigar do que em buscar as conexões da quadrilha de Cachoeira com o poder público, a CPI filtrou as malfeitorias da empreiteira Delta e, aos poucos, transformou-a em centro de suas preocupações cenográficas", escreveu.

Leia o artigo:

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O linchamento da Delta

O DEPUTADO Cândido Vaccarezza (PT-SP) recomendou ao governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) que "não se preocupe, você é nosso e nós somos teu". O governador Marconi Perillo também não deve se preocupar, pois é do PSDB que também é seu. O mesmo pode valer para Agnelo Queiroz, o governador petista do Distrito Federal. E assim a CPI do Cachoeira assa uma bela pizza.

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Mais preocupada em definir o que não quer investigar do que em buscar as conexões da quadrilha de Cachoeira com o poder público, a CPI filtrou as malfeitorias da empreiteira Delta e, aos poucos, transformou-a em centro de suas preocupações cenográficas.

A "tia do PAC", com R$ 3,6 bilhões de contratos federais, tem também negócios públicos e ligações privadas com governos e governantes de Rio, Goiás, Tocantins e Distrito Federal. As investigações policiais mostraram a intimidade de seus diretores com Carlinhos Cachoeira. Os vídeos monegascos de um jantar do governador Sérgio Cabral documentaram sua notável relação com o presidente da empresa, Fernando Cavendish.

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Os mecanismos de proteção mútua dos parlamentares são condenáveis, mas pouco se pode fazer contra eles, salvo puni-los na próxima eleição negando-lhes os votos.

Quando tiram-se de cena os administradores do dinheiro público, deixando-se na ribalta apenas a empresa com a qual transacionavam, arma-se uma encenação. Ao contrário do que sucede com governadores, deputados e senadores, cujo desempenho é julgado nas urnas, uma empresa é obrigada a batalhar diariamente pelos seu negócios.

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Exposta sem julgamento a Delta, confirmou-se o receio do doutor Cavendish: "Vou quebrar". Dias depois, sua companhia, que emprega 30 mil pessoas, estava no mercado. Arrisca virar boi de piranha, aquele bicho que é mandado ao rio para que seja comido, enquanto a manada atravessa em paz. O cardume quer a manada toda.

Durante o mandarinato petista, a Delta faturou R$ 4 bilhões no governo federal e ao longo dos governos do casal Garotinho e de Sérgio Cabral foi a queridinha dos cofres fluminenses. Cavendish adicionou a esse desempenho um pendor exibicionista que o levou a desafiar a sabedoria chinesa: "Porco esperto não engorda".

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Se a CPI começasse pela Delta, passasse pelos governos e chegasse a Cachoeira, teria muito a revelar. Poderia até redimir o Congresso do deplorável desempenho da CPI do Banestado, concluída em 2004. Ela começou investigando remessas ilegais de dinheiro para o exterior, quebrou 1.700 sigilos bancários e fiscais para nada. (Ou para muito, para poucos.)

A Delta está sendo linchada porque vem recebendo uma pena de descrédito sem que se cumpra o devido processo legal. Há uma investigação da Polícia Federal e seu caso está com o Ministério Público. Tomara que esse serviço acabe botando gente na cadeia.

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A sabedoria convencional ensina que empreiteiros compram políticos e que muitos políticos gostam do dinheiro de empreiteiros. Isso pode fazer com que uma pessoa não goste de uns nem dos outros. Quebrar uma empresa a partir de grampos de delinquentes e fortes indícios de malfeitorias na obtenção de contratos não faz bem. Quem seria o próximo?

O que a CPI precisa fazer é desmentir a lei de Vaccarezza: "Não se preocupe, você é nosso e nós somos teu".

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