Gerente da Caixa diz que empresa de obra no Rodoanel devolvia dinheiro em espécie

Em depoimento à Operação Pedra no Caminho, o gerente da Superintendência da Caixa Econômica, em Santana, bairro da zona Norte de São Paulo, Rafael Campagnucci Pereira, afirmou que uma empresa ligada às obras do Rodoanel Norte recebia valores de grandes empreiteiras, sacava e devolvia metade do dinheiro às construtoras; operação investiga fraudes no Rodoanel Norte e 14 investigados foram denunciados

Gerente da Caixa diz que empresa de obra no Rodoanel devolvia dinheiro em espécie
Gerente da Caixa diz que empresa de obra no Rodoanel devolvia dinheiro em espécie

247 - Em depoimento à Operação Pedra no Caminho, o gerente regional da Superintendência da Caixa Econômica, em Santana, bairro da zona Norte de São Paulo, Rafael Campagnucci Pereira, afirmou que uma empresa ligada às obras do Rodoanel Norte recebia valores de grandes empreiteiras, sacava e devolvia metade do dinheiro às construtoras. O gerente disse ter recebido essa informação do dono da própria empresa, a Catita Terraplanagem, durante uma reunião no banco. A operação investiga fraudes no Rodoanel Norte e 14 investigados foram denunciados. As declarações de Campagnucci foram prestadas em 26 de junho de 2017, no Ministério Público Federal.

"A empresa Catita Terraplenagem possui, em dívidas entre as três agências da Caixa Econômica Federal sob a superintendência do depoente, cerca de R$ 2,5 milhões; que tiveram uma reunião com a empresa Catita Terraplenagem, com objetivo de verificar se a empresa tinha condições de renegociar suas dívidas", relatou o gerente da Caixa. Os relatos foram publicados no blog do Fausto Macedo.

Campagnucci disse aos investigadores que a reunião ocorreu em 2 de junho de 2016 e contou com a presença da gestora da plataforma de Adimplência da Superintendência de Santana, um gerente geral de uma agência da Caixa e o empresário Nestor Pinheiro Santos e seus filhos Janaína Teixeira Santos e Jairo Teixeira Santos, pela Catita. "Perceberam que a Catita Terraplenagem tinha o mesmo faturamento de dois anos atrás, do momento em que foi feita a dívida, de modo que não conseguiria pagar a renegociação", afirmou Rafael Campagnucci.

"Neste momento, ao que pareceu até que meio a contragosto dos filhos, o senhor Nestor revela que 'há uma situação que não sabia se poderia falar, mas que prestava serviços para as grandes construtoras OAS e Camargo Corrêa, e que tinha a combinação com eles de ter que devolver metade dos valores às construtoras'; que Nestor relatou que recebia o valor das construtoras, tinha que sacá-los e devolver metade dos valores; e que tinha que fazer os pagamentos às construtoras em espécie; que se referiu aos serviços prestados pela Catita Terraplenagem nas obras do Rodoanel Trecho Norte", acrescentou.

Segundo Tatiana Silva Prestes, quem conduziu a reunião pela empresa foi Nestor Pinheiro Santos", contou a gestora da plataforma de Adimplência do banco. "Nestor Pinheiro Santos relatou uma situação que deixou a depoente muito surpresa e assustada: 'que tinha que devolver metade dos valores para as construtoras para quem prestava serviço, citando a OAS e a Camargo Corrêa', e por isso o faturamento da Catita não condizia com os documentos comprobatórios de faturamento que apresentavam; e quando deixou de receber dessas empresas o faturamento deles diminuiu; que se referiu aos serviços prestados pela Catita Terraplenagem na obra do Rodoanel Trecho Norte", disse ela.

Nestor Pinheiro Santos prestou depoimento à Polícia Federal em 28 de junho deste ano e afirmou que "nunca prestou nenhuma espécie de serviço para a OAS, inclusive na obra do Rodoanel" e que "nunca" devolveu dinheiro em espécie "a qualquer empresa".

Sobre asdeclarações do gerente da Caixa Rafael Campagnucci Pereira, o empresário disse que tinha 'convicção' de que se tratava de confusão do funcionário do banco. "O declarante tem convicção de que se trata de confusão feita por aquela funcionária da Caixa Econômica Federal, pessoa com quem o declarante teve um único contato na Superintendência da CEF no bairro de Santana, São Paulo/SP, no dia em que estava renegociando sua dívida do Finame", declarou.

"Nessa época o declarante prestava serviços sim no Rodoanel, na forma e para as empresas Construcap e Acciona, mas com certeza não fez esse tipo de afirmação, assim como nunca trabalhou para a OAS. Não entende o motivo pelo qual a funcionária fez esse tipo de afirmação", complementou.

A OAS não irá se manifestar e a Camargo Corrêa disse que não participou das obras do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas. A DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A reitera que juntamente com o Governo do Estado é a maior interessada nas investigações. Havendo qualquer eventual prejuízo ao erário público, o Estado adotará as medidas cabíveis, como já agiu em outras ocasiões

 

 

 

 

 

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