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Gestão amadora apequena futebol brasileiro

Está na hora de o governo e os dirigentes do futebol botarem as barbas de molho e começarem a pensar seriamente na Copa do Mundo. Imaginem o caos com a venda de ingressos, como aconteceu na África do Sul, se não houver um mínimo de organização

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O Brasil se prepara para organizar a Copa de 2014 com fama de “país do futebol”, celeiro de craques, da camisa mais conhecida no cenário internacional. Junte-se a isso, belezas naturais, principalmente praias, sonho de consumo de americanos e europeus, sedentos de sol. Tudo para dar certo.

Pena que dirigentes, patrocinadores e intervenientes do nosso futebol ainda ajam de forma amadora nos negócios. Por isso, nossa Copa do Mundo corre sério risco de se transformar num grande problema, quando deveria ser uma oportunidade. Tudo porque os cartolas envolvidos nesse espetáculo, a começar pelos da Fifa, só têm olhos para os lucros. Pouco se importam com o retorno econômico e de imagem para nosso país.

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Exemplo tivemos há duas semanas, quando o Brasil quis se projetar no sorteio das eliminatórias da Copa. A Fifa e a CBF se refestelaram, com repercussão internacional abaixo do desejado, mas quem pagou a conta foi o contribuinte carioca. A prefeitura do Rio de Janeiro e o governo do estado gastaram cerca de R$ 30 milhões para massagear o ego de políticos e cartolas. A África do Sul, três anos antes da Copa, investiu no mesmo evento apenas R$ 2 milhões. Isso mesmo.

Como o Brasil é o país da moda, provavelmente os cartolas resolveram dar ao preço uma dimensão de primeiro mundo. Seguiram também nossa tradição de inflar os custos de qualquer evento público. Pelo menos eles estão alinhados com a Esplanada dos Ministérios, onde a cada semana estoura um novo escândalo envolvendo peixes graúdos em negociatas de milhões, cada vez mais criativas.

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A gestão amadora de nosso futebol está explícita ainda na forma como a CBF, todo poderosa dona do Campeonato Brasileiro, junto com a TV Globo, organiza o torneio. Nenhum torcedor consegue se programar para assistir aos jogos ou comprar ingressos antecipadamente, porque datas e horários mudam, ao sabor dos humores dos cartolas da CBF ou de algum dirigente de clube, eleitor de Ricardo Teixeira. Fruto também de um calendário improvisado e instável.

Os cartolas passam o tempo todo estudando como vai ser o campeonato do ano seguinte. Então, programam jogos para as 21 horas de sábado. Ao fim de dez rodadas, dão-se conta de que a média de público nesse horário não passa de oito mil torcedores, mesmo em jogos de grandes torcidas. Tudo programado, resolvem mexer na tabela de novo. Mudam os horários dos jogos de sábado de 18.30 para 18 horas. Acabam com o das 21 horas.

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Quem se atreve a programar viagens ou comprar ingressos com uma incompetência dessas? Por isso, nossos estádios vivem vazios; os clubes endividados e os jogadores assediados por empresários. A propósito, alguém conhece a tabela com os jogos e horários do Brasileiro de futebol dos próximos meses de outubro e novembro?

Por que os grandes clubes europeus são milionários? O Real Madrid, líder do ranking de faturamento em 2010, com 440 milhões de Euros (R$ 1 bilhão) é um dos exemplos. Na Europa, o campeonato é planejado com profissionalismo. Os jogos são marcados com um ano de antecedência. Isso permite aos torcedores planejar e adquirir ingressos pela internet com tranquilidade.

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Eles sabem há um ano que a partida Arsenal X Manchester será em 28 de agosto de 2011, às 16 horas. E esse evento não muda. Por isso os ingressos estão esgotados há muito tempo. Até o horário nos dias úteis (19:45h) é compatível com o interesse do trabalhador. Permite que saia do expediente e vá direto para o jogo. E o lugar no estádio é numerado, garantido. Sem qualquer possibilidade de troca. Por acaso, alguém sabe quando começarão os campeonatos de 2012, aqui no Brasil?

Outro entrave é a interferência de um canal de TV que atropela os demais e monopoliza transmissão e horários. Por que o torcedor do Sul do país, em pleno inverno, precisa se submeter à grade da TV Globo e assistir aos jogos do Campeonato Brasileiro, em dia útil, a partir de 22 horas? Por que ele precisa ser refém da novela das 21 horas?

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Naturalmente, torcedores acossados pelo preço alto dos ingressos e pela precariedade do transporte, preferem ir para casa. Como pode o trabalhador que mora na periferia, assistir ao jogo que termina próximo à meia-noite e depois ficar esperando ônibus para chegar nos arredores da capital? Ele prefere assistir pela TV, se transmitido, ou escutar pelo rádio.

No extremo oposto, em pleno horário de verão, as equipes entram em campo às 16 horas de domingo, reféns do monopólio de transmissão da TV. São 15 horas, no horário do sol. Quem se atreve a enfrentar ônibus lotados, calor e ingressos caros para agradar nossos cartolas e a TV Globo? Todos os jogos no verão poderiam começar às 17 ou 18 horas, sem qualquer transtorno aos jogadores e torcedores.

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A denúncia que, aliás, não é nova, e novamente veio à tona, esta semana, de que o governo do Distrito Federal, época de Arruda, está sendo investigado por conta de um amistoso da seleção brasileira, realizado em 2008, contra Portugal, na inauguração do estádio Bezerrão, dá o tom de como o futebol brasileiro é mal administrado. Apenas para o amistoso, o custo foi de R$ 9 milhões, valor que a Polícia Civil suspeita ter sido desviado para uma empresa laranja, como sede num apartamento no Rio de Janeiro. Ou seja, um simples amistoso escancara um desvio desse quilate. O que não poderá acontecer quando os milhões da Copa começarem a chegar aos cofres das entidades?

Está na hora de o governo e os dirigentes do futebol botarem as barbas de molho e começarem a pensar seriamente na Copa do Mundo. Imaginem o caos com a venda de ingressos, como aconteceu na África do Sul, se não houver um mínimo de organização. Se o povão está pensando que poderá assistir algum jogo, é bom ir preparando a TV. Um amistoso sem qualquer importância, realizado no mês passado em Goiânia - Brasil X Holanda - tinha ingressos na arquibancada a R$ 150,00. Preço totalmente fora das possibilidades de uma torcida popular lotar o estádio.

Pode não ter relação. Mas o fraco desempenho da seleção brasileira nos últimos jogos talvez reflita esse descalabro, em que o marketing e a imagem se sobrepõem ao bom futebol. Jogadores agora mais preocupados com cabeleireiro, tatuagens e dancinhas ridículas nos gols, do que em treinar para acertar pênaltis. Enquanto os dirigentes, em vez de organizar tabelas decentes e antecipadas, preocupam-se com borderôs de lucro e despesas, para ver quanto sobra para cada um.

 

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