Gleisi vai com tudo contra Fernando Bezerra

Ministra, que comanda interveno branca na Integrao Nacional, nomeia novo presidente da Codevasf para lugar que vinha sendo ocupado por Clementino Coelho, um dos irmos do ministro. O outro foi acusado de receber verbas da estatal.

Gleisi vai com tudo contra Fernando Bezerra
Gleisi vai com tudo contra Fernando Bezerra (Foto: Divulgação)
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A Casa Civil da Presidência da República emitiu nesta sexta-feira (06) nota sobre mudanças na cúpula da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), confirmando a indicação de Guilherme Almeida para a presidência da entidade. Atualmente, Clementino de Souza Coelho - irmão do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho - ocupa interinamente a presidência da Codevasf. Com a mudança, Coelho voltará à diretoria da companhia. Foi a primeira decisão importante da ministra Gleisi Hoffmann, incumbida pela presidente Dilma Rousseff de comandar uma intervenção branca na Integração Nacional. E um revés importante sofrido pelo ministro Bezerra.

Coelho vinha sendo acusado de direcionar verbas da Codevasf para a cidade de Petrolina, sua base eleitoral. O município foi escolhido para receber a maior quantidade de cisternas de plástico compradas pelo ministério, dentre as regiões do Nordeste que serão contempladas com os equipamentos. O edital do pregão que resultou na contratação da empresa que vai fabricar as 60 mil cisternas, a um custo de R$ 210,6 milhões foi assinado por Clementino de Souza Coelho, irmão do ministro. A Codevasf é uma estatal vinculada ao Ministério da Integração Nacional.

Das 60 mil cisternas, 22.799 (38%) precisam ser entregues na unidade da Codevasf em Petrolina, conforme o edital. Das sete cidades nordestinas previstas no programa para a entrega dos equipamentos, Petrolina — onde Fernando Bezerra já foi prefeito por três vezes — é a que receberá a maior quantidade de cisternas, seguida de Bom Jesus da Lapa e Juazeiro (BA), com 11 mil; Penedo (AL), com 7.429; e Montes Claros (MG), com 7.391 cisternas. Nas eleições de 2012, Fernando Bezerra pode vir a ser candidato a prefeito de Recife, enquanto o irmão Clementino disputaria a de Petrolina.

Denúncia contra outro irmão

Nesta sexta-feira, o Correio Braziliense também publicou reportagem sobre os negócios de Caio Coelho, outro irmão do ministro Fernando Bezerra Coelho, que estaria sendo favorecido por verbas da Codevasf. Leia abaixo:

Empresas do ministro da Integração, Fernando Bezerra, e do irmão Caio Coelho são beneficiadas por projeto de irrigação da pasta. Do lado pernambucano do Perímetro Irrigado Senador Nilo Coelho, em Petrolina, a Manoa Empreendimentos e Serviços foi autorizada pela Resolução nº 567, de 2004, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), empresa de economia mista ligada ao Ministério da Integração Nacional, a receber fornecimento de água, com vazão de 150 metros cúbicos, para irrigar 33,9 hectares.

À época, o irmão do ministro, Clementino Coelho, era diretor de engenharia da Codevasf, cuidando da área de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura e Empreendimentos de Irrigação. Atualmente, Clementino Coelho é o presidente da Codevasf. Dados da Junta Comercial de Pernambuco de ontem mostram que a Manoa apresenta registro ativo e está em nome do ministro e da mulher, Adriana de Souza Leão Coelho. A assessoria do ministério, no entanto, encaminhou ao Correio documento de venda da Manoa, datado de outubro de 2005.

Às margens do Rio São Francisco, Caio Coelho desponta como exportador de frutas, principalmente manga. O irmão do ministro representa a Umbuzeiro Produções Agrícolas, que fica em Casa Nova, lado baiano do projeto de irrigação Senador Nilo Coelho. Moradores de Petrolina ouvidos pelo Correio informaram que o lado baiano tornou-se mais cobiçado após o solo da área de irrigação de Petrolina ter se “esgotado”. A área é considerada um oásis e desperta interesses de investidores. Além da ligação familiar, Caio e Fernando Bezerra foram sócios em outra empresa, a Transvale, no distrito industrial de Petrolina.

A Codevasf, que teve orçamento de R$ 1,1 bilhão em 2011, é responsável por fornecer estrutura e assessoria técnica aos perímetros. De acordo com informações publicadas no portal da companhia, existem no país 23 perímetros irrigados em produção, no país, desses, dois deles estão em Pernambuco, o distrito de Senador Nilo Coelho e Bebedouro. Em 2011, o Ministério da Integração e a Codevasf anunciaram pacote de investimentos para o Distrito de Irrigação do Perímetro Senador Nilo Coelho. Foi indicada meta de aplicação de R$ 64 milhões no perímetro até 2014, com investimento inicial de R$ 10 milhões, já reservado em abertura de licitações iniciadas no ano passado. O sistema de bombeamento das águas do Rio São Francisco que irrigam os lotes também será renovado.

Em resposta ao Correio, a assessoria do ministério divulgou nota afirmando que “o ministro não detém nenhum vínculo societário com o irmão Caio Coelho, e com as empresas correlatas, Transvale e UPA Umbuzeiro, desde a partilha dos bens da família em 1990, também devidamente registrados na Junta Comercial.” O ministério também informa que as áreas irrigadas em que o irmão do ministro tem propriedade foram “adquiridas em 18 de maio de 1984, por seu pai, há mais de 25 anos por meio de Cessão Onerosa de Uso”.

Sobre o exercício da presidência da Codevasf por Clementino Coelho, a assessoria do ministro afirma que o irmão de Fernando Bezerra ocupa a função “tão somente por força do estatuto”, pois em 3 de janeiro de 2011 colocou seu cargo à disposição, por meio de pedido encaminhado à pasta, e a empresa aguarda nomeação do presidente efetivo. “Não houve indicação de Clementino Coelho para presidência da Codevasf pelo ministro Fernando Bezerra Coelho. O Estatuto Social da Codevasf, que é fruto do Decreto Federal nº 3.604 (de 20/12/2000), determina que o diretor mais antigo na função assuma interinamente a presidência em caso de vacância.” Ainda de acordo com a assessoria, “não incorre em nepotismo a pessoa lotada em cargo inferior no mesmo órgão ou entidade que já exercia antes do início do vínculo familiar com o agente público”.

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