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Governador prestará depoimento à Comissão da Verdade

A Comissão Estadual da Verdade dá continuidade às audiências públicas com depoimentos de pessoas que sofreram violação de direitos durante o período da Ditadura Militar; seis novas audiências abertas ao público ocorrerão nesta semana, no auditório do Museu da Gente Sergipana; nesta quarta-feira (23) quem fará seu relato é o governador Jackson Barreto (PMDB), que foi preso e processado na Operação Cajueiro, em Sergipe

A Comissão Estadual da Verdade dá continuidade às audiências públicas com depoimentos de pessoas que sofreram violação de direitos durante o período da Ditadura Militar; seis novas audiências abertas ao público ocorrerão nesta semana, no auditório do Museu da Gente Sergipana; nesta quarta-feira (23) quem fará seu relato é o governador Jackson Barreto (PMDB), que foi preso e processado na Operação Cajueiro, em Sergipe (Foto: Valter Lima)

Sergipe 247 - A Comissão Estadual da Verdade dá continuidade às audiências públicas com depoimentos de pessoas que sofreram violação de direitos durante o período da Ditadura Militar. Seis novas audiências abertas ao público ocorrerão nesta semana, no auditório do Museu da Gente Sergipana. Nesta quarta-feira (23) quem fará seu relato é o governador Jackson Barreto (PMDB), que foi preso e processado na Operação Cajueiro, em Sergipe.

A ditadura militar implantada a partir do golpe de março de 1964 atingiu o máximo da brutalidade em Sergipe com a Operação Cajueiro, realizada em fevereiro de 1976. Na ocasião, uma força especial vinda da Bahia, sob as ordens do general linha-dura Adyr Fiúza de Castro, comandante da 6ª Região Militar, sediada em Salvador, prendeu arbitrariamente 25 sergipanos, processando 18 deles, além de processar também o então deputado estadual Jackson Barreto. As vítimas foram levadas presas e algemadas para as dependências do quartel do 28º Batalhão de Caçadores, em Aracaju, onde ocorreram as sessões de torturas físicas e psicológicas, com participação de unidades dos órgãos de segurança sediados em Sergipe.

Outros depoimentos

Nesta terça-feira (22), a partir das 9h, serão ouvidos Delmo Naziazeno e o jornalista Milton Alves. Amanhã, às 11h, será a vez de JB. Na quinta-feira (25) a oitiva será às 9h, com o advogado Carlos Alberto Menezes. Já na sexta-feira (26) serão ouvidos o promotor José Elias Pinho de Oliveira, às 9h; e Marcelio Bomfim, às 11h.

Durante esta fase de trabalhos da comissão, seus seis integrantes ouvirão cerca de 20 pessoas. As sessões públicas são, contudo, apenas uma das estratégias de coleta de material. Haverá ainda, se necessário, novas oitivas e o recolhimento de depoimentos daqueles que desejam depor de maneira privada ou por escrito, além do acesso aos arquivos públicos, para que seja construído um relatório final.

“Essas ouvidas caminham simultaneamente a todo processo de levantamento de documentos, ou seja, toda a pesquisa documental. Ao tempo que as audiências estão acontecendo, nós já temos informações de arquivos, como por exemplo, o Arquivo Público do Estado de Sergipe, onde temos algo próximo a 750 fichas do antigo DOPS de pessoas de Sergipe ou de fora do Estado que passaram por aqui e eram fichadas pelos Órgãos de Repressão da Ditadura Militar”, explica o coordenador de Direitos Humanos do Estado, Antônio Bittencourt.

De acordo com ele, o papel da comissão é “sobretudo, educativo e didático, para que a sociedade enxergue tais acontecimentos para que jamais sejam repetidos”. “São tempos que nós precisamos conhecer para que não mais aconteçam”, complementou.