Governo Cid Gomes: greve permanente no Ceará

Aps entrar em acordo com professores (com direito a enfrentamento na Assembleia Legislativa), policiais militares, bombeiros epoliciais civis, governo cearense tem de lidar com demandas de funcionrios do Detran e peritos em necropsia; saiba por que ocorrem tantas paralisaes no Estado

Governo Cid Gomes: greve permanente no Ceará
Governo Cid Gomes: greve permanente no Ceará (Foto: Marcello Casal Jr/AGÊNCIA BRASIL)
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Rodolfo Borges _247 – Nenhum governo estatual passou por tantas emoções nos últimos meses quanto o do Ceará. Nem a operação da polícia na cracolândia de São Paulo ou as chuvas que castigam Minas Gerais se comparam ao desgaste duradouro e permanente do governador Cid Gomes, que vem enfrentando greve atrás de greve desde que os professores da rede estadual paralisaram as atividades, em agosto do ano passado. Depois de os professores voltarem às aulas, foi a vez de os policiais militares e bombeiros pararem. Em seguida, quem cruzou os braços foi a Polícia Civil, e, agora, a ameaça vem dos peritos do Sistema de Verificação de Óbito e dos funcionários do Detran-CE.

Por que tanta greve? Para os servidores públicos do Estado, a origem das paralisações está na forma como o governo Cid Gomes se relaciona com os trabalhadores do serviço público. “A postura do governo é de desrespeito. Tentamos negociar, mas a gente não tem retorno. Tentamos fazer propostas, mas o governo simplesmente ignora”, disse ao 247 Hernesto Luz, diretor do Mova-se (Movimento de Valorização e Articulação dos Servidores Estaduais), que congrega todas as categorias do Estado.

O governo do Ceará mantém uma mesa de negociação permanente com os servidores do Estado, que prevê três reuniões anuais com o governador. A última, contudo, prevista para dezembro, não chegou a ocorrer, porque Cid Gomes se recusou a receber representantes dos policiais militares, que estavam em greve. Com a recusa, todas as outras categorias se retiraram da reunião, reforçando o clima de desentendimento no Estado. “Ao longo do ano de 2011, também houve paralisações na Cearáportos (sociedade de economia mista controlada pelo estado), na polícia forense, no Detran e outras duas na Polícia Civil”, lembra Hernesto Luz.

Antes e depois

A greve na rede pública do Ceará frequentou o noticiário nacional em agosto do ano passado, depois que o governador Cid Gomes insinuou que os professores deveriam trabalhar por amor. Dias depois, os docentes enfrentaram a polícia dentro da Assembleia Legislativa do estado. O movimento marcou o pior momento na relação entre o governo cearense e os servidores do Estado. Relação que, na avaliação dos funcionários públicos estaduais, melhorou depois da greve da PM.

Para os trabalhadores do Ceará, a paralisação da Polícia Militar, que levou o caos a várias cidades e motivou a Força Nacional a ocupar as ruas do Estado, serviu de divisor de águas. “A insatisfação do servidor publico aqui no Estado é geral. Como esse movimento dos policiais militares teve uma repercussão muito grande, acabou aguçando as demais categorias a cobrar do governo”, avalia.

Representante dos peritos do Sistema de Verificação de Óbito, Túlio Rubim confirma que o desfecho da greve da PM animou a categoria a pleitear melhorias. “Percebemos que é um momento em que o governo está negociando”, disse o perito ao 247. A categoria tinha planejado entrar de greve nesta sexta-feira, mas recebeu a promessa da Secretaria de Saúde de que haveria negociação.

O Detran-CE, que também ensaia paralisação, foi outra categoria convencida pelo governo a continuar as conversações. Pelo jeito, o governador Cid Gomes ainda vai ter muito trabalho na relação com os servidores do Estado.

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