Governo contrata 1.235 servidores da Caixego
Em solenidade lotada de ex-funcionários, Perillo sanciona lei que recoloca no serviço público estadual trabalhadores do banco que foi liquidado no governo Collor; "estamos promovendo o resgate humano de trabalhadores que doaram grande parte de sua vida na construção do desenvolvimento de Goiás", disse o governador
Goiás 247_ Em solenidade na tarde desta sexta-feira, no auditório Mauro Borges, do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, o governador Marconi Perillo sancionou a Lei 17.916, de 27 de dezembro de 2012, aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa, que anistia os servidores da antiga Caixa Econômica do Estado de Goiás – Caixego.
Serão reintegrados ao serviço público do Estado, como celetistas, 1.235 trabalhadores. Marconi solidarizou-se com os ex-funcionários da Caixego e disse que estava ali “promovendo o resgate humano de trabalhadores que doaram grande parte de sua vida na construção do desenvolvimento de Goiás.”
Em função do auditório superlotado, foram usados dois telões, que reproduziam a solenidade, nas entradas principais do Palácio Pedro Ludovico e que também atraíram centenas de espectadores. A solenidade foi emocionante, principalmente pela recordação das dificuldades sofridas pelos ex-funcionários da Caixego, que há mais de 22 anos, em 1990, se viram totalmente desprotegidos e sem a sustentação do emprego, com a decretação da liquidação da Caixego pelo Banco Central do Brasil.
Segundo o presidente da Associação de Resgate e Cidadania dos Ex-Funcionários, Antônio Alencar Filho, a Caixego era o maior banco social do Centro-Oeste e seu fechamento se deu em função “de ódio político, fazendo coro ao que decidiu o Supremo Tribunal Federal de que foi, na verdade, um ato inconstitucional”. Em discurso, ele falou da luta que foi travada durante todo esse tempo para explicar e convencer os agentes políticos da necessidade de resgatar essa grande dívida social com grande parte da população goiana.
Santillo
Em discurso, Perillo lembrou a trajetória do ex-governador Henrique Santillo, que não poupou esforços para realizar um governo digno e sintonizado com os maiores anseios da sociedade goiana, no governo de quem o Estado de Goiás sofreu esse duro golpe, eivado de artimanhas políticas. Ao falar sobre esse assunto, o governador Marconi não conseguiu conter a emoção.
“A falência da empresa, feita de forma contestada e nada ortodoxa, jogou por terra sonhos de milhares de pessoas e de suas famílias que, de uma hora para outra, dormiram em terra firme a acordaram num terremoto sem medida, sendo tragadas e engolidas pelas fendas do desespero. Queremos com este ato, que foi moldado, estudado, elaborado e contemplado legalmente pela unanimidade da Assembleia Legislativa, dar um basta nessa situação de injustiça cometida, na calada da noite, contra pessoas indefesas e uma sociedade atônita, que foram jogadas à própria sorte, vítimas de conchavos e negociatas que fugiram ao entendimento comum das pessoas normais e que confiavam nos pressupostos republicanos e democráticos das instituições brasileiras,” disse o governador Marconi.
Caso Caixego
Em 1990, a Caixego foi liquidada extrajudicialmente pelo governo Collor. Considerando-se prejudicados, 124 funcionários vão à Justiça cobrar direitos trabalhistas. Em 1998, ganham o direito de receber R$ 14 milhões, mas concordam em dividir R$ 5 milhões.
Dias antes do segundo turno das eleições para o governo, R$ 7,5 milhões teriam sido desviados: R$ 2,5 mi foram repartidos entre Élcio Berquó, Gil Alberto, Isaias Carlos, Valdemar Zaidem, Antônio Moniz e Edivaldo Andrade. Outros R$ 5 mi teriam sido entregues a Otoniel Machado, irmão de Iris Rezende e coordenador de sua campanha naquele ano.
Segundo a acusação, o valor foi usado em favor de Iris naquela disputa, que terminou com a vitória de Marconi Perillo. A Justiça, porém, absolveu todos os acusados e o uso do dinheiro na campanha do peemedebista não foi comprovado.
