Haddad: “Não há como recuar, e não haverá recuo”
Prefeito Fernando Haddad garante que não mudará o rumo das investigações contra a máfia dos fiscais em São Paulo; em entrevista ao portal Terra, petista diz que não ficou surpreendido diante das revelações e que "a situação de descalabro" lhe foi relatada "ainda durante a campanha"; sobre o ex-secretário Antonio Donato, sugere que seja uma consequência: "Não existe combate à corrupção que seja indolor. Você imaginar que o crime não vai reagir?"
SP247 – O prefeito Fernando Haddad está disposto a não recuar das investigações que resultaram na descoberta da chamada máfia dos fiscais na Prefeitura de São Paulo. Numa entrevista ao portal Terra (leia a íntegra), o petista diz não ter se surpreendido com o tamanho do esquema e que foi informado sobre parte dele ainda durante sua campanha a prefeito. A Controladoria-Geral do Município, portanto, teria sido criada por ele em consequência do que já se sabia.
"Não há como recuar e não haverá recuo, porque é uma decisão que foi tomada 'a priori', não 'a posteriori' dos acontecimentos. Foi tomada no momento da criação da Controladoria. Acontecesse o que acontecesse, não haveria recuo", afirmou, em referência aos poderes e à independência do órgão recém-criado. "A situação de descalabro me foi relatada ainda durante a campanha", acrescenta.
A investigação realizada em parceria entre a Prefeitura e o Ministério Público desbaratou uma quadrilha formada por auditores da administração municipal que recebia propina de construtoras para diminuir o valor cobrado no ISS (Imposto Sobre Serviços) de empreendimentos. Calcula-se que o rombo nos cofres públicos da cidade tenha sido de aproximadamente R$ 500 milhões. Quatro fiscais chegaram a ser presos.
A respeito de Antonio Donato, que deixou essa semana o cargo de secretário do Governo depois de ser acusado de receber verba da máfia para sua campanha, Haddad relata que o ex-braço direito foi um dos que ajudou a criar a Controladoria e que poderia ter barrado as investigações se quisesse. E sugere que o envolvimento do nome do vereador no caso seja um exemplo de consequência inevitável do combate à corrupção.
"O combate à corrupção, que todos dizem desejar, fica numa condição subalterna às consequências imprevisíveis e não controláveis do processo, que pode envolver nome de pessoas, inclusive, inocentes, próximas ou não", disse. "O combate à corrupção no Brasil não é sincero... não existe combate à corrupção que seja indolor. Você imaginar que o crime não vai reagir? Imaginar que eu, por exemplo, não sabia que o crime reagiria? É ingenuidade", finaliza.