Haddad sugere que PT acate as decisões do STF

Às vésperas de assumir a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad diz que o julgamento da Ação Penal 470 ainda ensejará muita discussão doutrinária, mas seu resultado deve ser respeitado; ele afirmou ainda que o eventual recurso dos réus à Corte Interamericana dificilmente traria resultados para réus como José Dirceu; sobre Lula, ele afirma que pretende tê-lo como conselheiro

Haddad sugere que PT acate as decisões do STF
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247 - Depois do governador gaúcho Tarso Genro, outra liderança relevante do PT, o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, também decidiu se posicionar em relação ao processo do mensalão. Não do mesmo modo que Tarso, que falou que o PT deveria esgotar a "agenda da solidariedade" em relação aos condenados, como José Dirceu e José Genoino, mas também sugerindo que o PT acate a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal. Haddad falou ao jornal O Globo e disse que pretende manter uma relação permanente com o ex-presidente Lula, seu conselheiro em temas políticos e também de gestão. Confira, abaixo, alguns trechos:

A relação com Lula

O ex-presidente, quando me encontra, é uma pessoa de opinião sobre os fatos da política. Opina mais sobre política, mas tem uma preocupação também com gestão. Na época em que eu era ministro dele, a gente discutia sobre gestão o tempo todo. Agora, geralmente, discutimos mais sobre política. Eu me encontro com frequência com ele e pretendo continuar me encontrando.

O julgamento do mensalão

É um julgamento que vai ensejar muita discussão doutrinária. Há opiniões muito divididas, na comunidade jurídica, em torno da nova jurisprudência criada. Não vejo como ruim essa discussão, sempre respeitando a questão da institucionalidade. Os membros da Suprema Corte foram indicados, inclusive pelo governo anterior, e julgaram de acordo com a sua consciência e com o seu conhecimento jurídico. Não faço reparos em relação a isso. E ele (Joaquim Barbosa) julgou com muita convicção, foi muito convicto em suas posições. Não acho que é antidemocrático, a partir do julgamento — que tem que ser acatado pelo fato de ser a Corte Suprema quem julgou — fazer um balanço sobre o que de fato ocorreu do ponto de vista doutrinário: se as penas foram justas ou se a interpretação dos fatos foi adequada. É normal que seja assim.

O eventual recurso dos condenados à Corte Interamericana.

Acho difícil do ponto de vista jurídico, a tese tem dificuldades. Uma apelação como essa exigiria uma caracterização difícil de ser feita nos termos em que ela teria cabimento. Mas, enfim, o advogado tem de explorar todas as possibilidades para defender seu cliente.

O PT depois do julgamento

O governo federal agiu de maneira exemplar nesse caso. E penso que, se isso for comunicado da maneira correta, pode inclusive fortalecê-lo. O governo federal garantiu que as instituições funcionassem da forma prevista na lei. Não houve óbice e sabemos que nos passados remotos e recentes os governos federais atuavam no sentido de impedir que esse tipo de julgamento se consumasse. O governo federal garantiu que o processo fosse até o final. Pelas pesquisas de opinião, a maioria da população entende o PT como aquele que leva às últimas consequências qualquer investigação.

As denúncias de Marcos Valério contra Lula

É muito difícil conseguir discernir quando a versão apresentada por uma mesma pessoa muda a cada circunstância. Essa questão é discutida desde 2005 e ele apresenta, agora, uma nova versão para os fatos. Acho difícil assimilar esse tipo de mudança de comportamento. É difícil dar crédito a esse comportamento que muda a cada circunstância.

Eventuais explicações de Lula

Ele já afirmou categoricamente que era mentira que ele havia se encontrado com Marcos Valério. Se ele está dizendo que não se encontrou, alguém tem de apresentar uma prova de que aconteceu.

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