Homem mata seu amante após cabeleleiro anunciar exposição pública do relacionamento extraconjugal
Alysson foi detido pela Polícia Militar a cerca de quatro quilômetros do local do crime
247 - O Ministério Público de São Paulo sustenta que Alysson Augusto Alves Franco, de 27 anos, matou o cabeleireiro Denilson Nascimento Alves, de 28, para esconder o relacionamento afetivo que mantinham em Iguape, no litoral sul paulista. As informações constam em recurso apresentado contra a decisão que concedeu liberdade ao suspeito, segundo apuração do g1.
De acordo com o MP, o crime deve ser enquadrado como homicídio doloso, quando há intenção de matar, praticado por motivo torpe e com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Até o momento, ainda não há denúncia formal oferecida à Justiça, mas o órgão tenta reverter a decisão que liberou o investigado após a audiência de custódia.
Denilson foi morto na madrugada de sábado (31), no bairro Rocio. Alysson foi detido pela Polícia Militar a cerca de quatro quilômetros do local do crime e confessou ter desferido a facada que matou o cabeleireiro. Mesmo assim, acabou sendo solto, com a imposição de medidas cautelares, como a proibição de deixar a cidade por mais de oito dias sem autorização judicial e de frequentar bares, festas ou casas noturnas.
No recurso, o Ministério Público contesta a tese de legítima defesa apresentada pela defesa e sustenta que o assassinato teve como motivação o temor de que o relacionamento entre os dois viesse a público. Para o órgão, o contexto do crime indica que a ação não foi uma reação proporcional a uma agressão iminente. “Tal contexto evidencia que a conduta não decorreu de impulso defensivo ou reação proporcional à injusta agressão, mas de receio de descoberta de relacionamento homoafetivo por sua então esposa e terceiros”, afirmou o MP no documento.
O órgão também destacou que o principal respaldo para a versão de legítima defesa é o depoimento da sobrinha da vítima, que é esposa do autor do crime. Segundo o MP, “é discutível a possibilidade” de que Denilson tivesse escondido a faca, considerando o tamanho do objeto. Em outro trecho, o recurso afirma: “A eliminação da vida humana como forma de resposta a conflito de natureza estritamente pessoal revela desvio acentuado de autodeterminação e menosprezo pela dignidade da vítima”.
A investigação aponta que, no dia do crime, Alysson estava com a esposa em shows nas cidades de Ilha Comprida e Iguape. Durante os eventos, ela percebeu que o marido trocava mensagens com Denilson em tom de discussão. Depois, o casal decidiu ir até a casa da vítima para cobrar explicações sobre o desentendimento.
Segundo o relato colhido pela polícia, ao chegar ao local, Denilson foi até o portão e disse: “eu conto ou você conta”, revelando em seguida que mantinha um relacionamento amoroso com Alysson havia muito tempo. A partir disso, teve início uma discussão entre a vítima e o casal.Ainda conforme o depoimento da sobrinha de Denilson, em determinado momento ele teria sacado uma faca que mantinha escondida e se aproximado do rosto do suspeito, dizendo: “não venha querer me bater, olha aqui para você”. Foi nesse instante, segundo a versão apresentada, que Alysson reagiu e atingiu a vítima com um golpe.
Durante a audiência de custódia, Alysson afirmou estar arrependido e disse que o crime não foi premeditado. Ele sustentou que Denilson teria iniciado as agressões e que agiu apenas para se defender. O suspeito também declarou que tem duas filhas com a esposa.Paralelamente, veio a público que Alysson tentou ingressar na Polícia Militar em 2021, mas foi reprovado no exame psicológico da corporação. O laudo apontou que ele não atendia ao perfil exigido para o cargo de soldado de 2ª classe, especialmente em aspectos como relacionamento interpessoal e capacidade de liderança.
Segundo o parecer do psicólogo responsável pela avaliação, “seus testes evidenciam uma personalidade instável e pouco persistente, temor de situações novas, riscos e iniciativas, receio em relação ao futuro e aos relacionamentos”. Para o examinador, essas características poderiam comprometer o desempenho do candidato na função policial.
Enquanto o recurso do Ministério Público ainda aguarda julgamento, o caso segue sob investigação, e a Justiça deverá decidir se mantém a liberdade do suspeito ou se determina sua prisão preventiva diante dos novos argumentos apresentados pela acusação.