Homicídios recuam e Furtado ganha fôlego

Secretário de Segurança Pública enfrenta pressões para solucionar rapidamente crimes de pistolagem em Goiânia; situação se deteriora com greve na Polícia Civil e ameaça de operação tartaruga na PM; queda recente na criminalidade, porém, dá a ele algum alívio

Homicídios recuam e Furtado ganha fôlego
Homicídios recuam e Furtado ganha fôlego (Foto: Divulgação)

Goiás247_ Julho foi o mês com o menor número de homicídios em Goiás desde maio do ano passado. Em Goiânia, a quantidade de crimes de morte foi a menor desde fevereiro. Os números aliviam em parte a situação do secretário de Segurança Pública, João Furtado Neto, pressionado por greves de policiais, uma ameaça de operação tartaruga pela Polícia Militar, crimes de pistolagem ainda sem solução que geraram ampla comoção social em Goiânia e uma escalada de violência em números gerais nos últimos anos.

Furtado enfrenta ainda a oposição de parlamentares da base aliada do próprio governo na Assembleia Legislativa, insatisfeitos com sua atuação técnica e política, a exemplo do deputado Major Araújo, líder classista na PM. Pesam sobre o secretário, ainda, denúncia de favorecimento à Delta Construções, que mantém contrato de cessão em aluguel de viaturas para as forças de segurança do Estado de Goiás.

Agora, com a divulgação dos números de homicídios durante o mês de férias, Furtado respira um pouco. Os dados da Gerência de Análise de Informações da Secretaria da Segurança Pública e Justiça de Goiás mostra que a queda no número de assassinatos em Goiás chegou a 24% no comparativo com junho. Em Goiânia, o recuo foi ainda maior, de aproximadamente 41%.

A redução na quantidade de homicídios também é observada quando a comparação é feita com julho de 2011. Este ano, foram 13% menos crimes de morte em Goiás e, na capital, a quantidade foi 26% menor que a registrada em julho do ano passado.

O recuo no número de homicídios também ocorreu no Entorno do Distrito Federal. Nos 19 municípios que compõem a região, considerada uma das mais críticas do Brasil, a quantidade de crimes de morte em julho foi a menor registrada desde agosto de 2010: 42 no total. O número corresponde a uma redução de 24% no comparativo com junho de 2012 e de 36% em relação a julho de 2011.

Operação tartaruga

Em oposição à proposta de operação tartaruga na PM proposta pelo deputado Major Aaraújo, o secretário João Furtado arrancou um compromisso das principais associações militares de que o trabalho na corporação continuará normal. O secretário reuniu-se em seu gabinete com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Edson Costa de Araújo; o presidente da Associação dos Oficias, capitão Elias Ferreira; presidente da Associação de Subtenentes e Sargentos, subtenente Maxuelo Braz de Paula; e o presidente da Associação dos Cabos e Soldados, cabo Gilberto Cândido de Lima; além do ex-deputado estadual Capitão Wayne.

Segundo Furtado, os representantes dos militares encaminharam uma série de reivindicações, que vão da modernização na legislação específica da corporação ao reconhecimento dos atos de bravura em relação aos profissionais que trabalharam na época do acidente com o Césio 137 em Goiânia. "A suposta manifestação é isolada e não representa o pensamento da maioria da corporação", disse João Furtado.

Falando como porta-voz das associações que se reuniram com o secretário da Segurança, e que representam quase a totalidade dos militares de Goiás, o subtenente Maxuelo Braz afirmou que não há qualquer possibilidade de que uma operação-tartaruga esteja em andamento. "Não há como um policial militar deixar de fazer uma prisão se perceber um traficante ou um roubo de carro. Se isso ocorrer, o militar estaria cometendo dois crimes: na esfera civil e na esfera militar", disse.

Comandante-geral da PM de Goiás, coronel Edson Costa Araújo também rejeita a hipótese de uma operação do tipo no Estado. "Temos todas as formas de monitorar qualquer ato neste sentido", afirmou.

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