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Incentivo do Governo e PMA para Almaviva cria desequilíbrio no mercado

Empresários sergipanos do setor de Tecnologia da Informação protestam contra benefícios fiscais para grupo italiano que se instalou em Aracaju, sob o pretexto de trabalhar com Call Center, mas que já se articula para tomar mercado de TI; "o setor vai ficar muito atento aos movimentos dessa empresa e tudo que não for dentro dos bons princípios da lei vai ser questionado, seja através de meios judiciais, do Ministério Público ou do Tribunal de Contas. O que vier a favorecer de forma clara essa empresa em detrimento das nossas será questionado", diz presidente de associação

Incentivo do Governo e PMA para Almaviva cria desequilíbrio no mercado

Valter Lima, do Sergipe 247 – Empresários do setor de Tecnologia da Informação (TI) estão preocupados com a entrada do Grupo Almaviva em Sergipe. Instalados no Bairro Industrial, inicialmente com uma empresa de Call Center, que recebeu, inclusive, incentivos fiscais do Governo do Estado e da Prefeitura de Aracaju, o grupo italiano, que também trabalha com tecnologia da informação começa a dar os primeiros passos para entrar neste mercado.

O que gera descontentamento nos empresários sergipanos é a vantagem fiscal da Almaviva. Quando os vereadores de Aracaju, em janeiro, suspenderam a redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) para o setor de TI, manteve o benefício apenas para a empresa italiana, sob o pretexto de que ela atuaria apenas na área de Call Center.

Agora, passado pouco mais de um mês percebe-se que os empresários locais foram ludibriados. Na última segunda-feira (4), executivos do grupo internacional se reuniram com representantes do Governo para trocar informações e alternativas de sistemas que facilitem a comunicação entre órgãos e instituições da administração Estadual.

Com liderança consolidada na Itália, a atuação do grupo compreende a área de Soluções para Tecnologia da Informação (TI) e serviços para CRM 3.0, Big Data, Cloud, entre outros sistemas. Os clientes assistidos pela empresa vão do setor privado à Administração Pública, incluindo grandes instituições locais e internacionais da Indústria, Transporte e Logística, Agricultura, Telecomunicações, Bancos e Seguros, Territórios, dentro outros setores.

O jornalista Cláudio Nunes, em seu blog no Portal Infonet na última quinta-feira (7) alertou para a jogada. “A desculpa do Call Center é simplesmente a porta de entrada da empresa Almaviva aqui em Sergipe para justificar os incentivos. Quem conhece um pouco da área sabe que a empresa dispõe de soluções de infraestrutura, software e serviços para diversos mercados. É um competidor direto que recebeu incentivos do Estado e da Prefeitura gerando um desequilíbrio na competitividade, pois irá ofertar serviços, inclusive, para a administração pública com mais chances de ganhar. Lamentavelmente o governador Marcelo Déda e o prefeito João Alves apoiam a ação que culminará com o sepultamento de diversas empresas de TI sergipanas”, afirmou o colunista.

Em conversa com a reportagem do Sergipe 247, o empresário Roger Dantas Barros, presidente da associação que congrega as empresas do setor de TI de Sergipe e coordenador do Fórum Empresarial do Estado, lamentou que isto esteja ocorrendo. “Infelizmente, é verdade. A empresa vem com uma linha parecendo de Call Center, mas na verdade, tem outros interesses para fornecer serviços de software, serviços com o incentivo, gerando um desequilíbrio econômico e financeiro”, disse.

Segundo ele, a associação vai iniciar uma discussão sobre o tema. “Precisamos nos posicionar. O setor vai ficar muito atento aos movimentos dessa empresa e tudo que não for dentro dos bons princípios da lei vai ser questionado, seja através de meios judiciais, do Ministério Público, do Tribunal de Contas. O que vier a favorecer de forma clara essa empresa em detrimento das nossas será questionado”, afirmou.

Em meio a esta questão, o setor tem conversado com representantes das prefeituras de Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros, para viabilizar incentivos fiscais e locacionais para a transferência das empresas de Aracaju para um desses municípios, já que o novo prefeito da capital, João Alves Filho (DEM) suspendeu a redução do ISS aprovada pelo gestor anterior e não aceita negociar com o setor.

“Fizemos uma visita a João. Ele foi taxativo ao dizer que não tinha nenhuma condição de retornar aquele incentivo, que reduzia o ISS de 5% para 2%. Não tem nenhum dialogo em relação a isto. Além da prefeitura tirar o nosso incentivo, manteve só para a empresa que é nosso competidor direto. O objetivo é matar de vez o nosso mercado, que já está sufocado”, ressaltou.

Foto: Jairo Andrade/ASN