HOME > Geral

Influenciador que disse que "pobres não deveriam votar" e que são "sujos" é alvo do MPSP em ação de R$ 300 mil

Em uma publicação no Instagram feita em 26 de dezembro de 2025, ele afirmou que “pobres não deveriam votar” e que “pobre quer tirar vantagem em tudo”.

Leonardo Marcondes (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O Ministério Público de São Paulo ajuizou uma ação civil pública contra o influenciador Leonardo Marcondes, conhecido nas redes sociais como Léo Marcondes, por publicações consideradas discriminatórias contra pessoas em situação de pobreza. A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital paulista sustenta que o conteúdo divulgado pelo influenciador promove discurso de ódio contra pessoas em vulnerabilidade econômica.

As informações foram publicadas pela CNN Brasil, em reportagem de Helena Barra. Segundo a ação, apresentada na última quinta-feira (25), Leonardo Marcondes teria feito postagens nas redes sociais com teor aporofóbico, termo usado para definir hostilidade, aversão ou desprezo contra pessoas pobres.

Em uma publicação no Instagram feita em 26 de dezembro de 2025, o influenciador afirmou que “pobres não deveriam votar” e que “pobre quer tirar vantagem em tudo”. Para o promotor Ricardo Manuel Castro, as falas associam a falta de recursos materiais a uma suposta incapacidade cívica, reforçando estereótipos e práticas discriminatórias.

Na avaliação do Ministério Público, a conduta atribui às pessoas pobres características negativas como irresponsabilidade, incapacidade e inadequação à participação democrática. A ação afirma que esse tipo de manifestação ultrapassa os limites da liberdade de expressão ao atingir um grupo social vulnerável.

O MPSP também incluiu a Meta, empresa responsável pelo Instagram, na ação. A Promotoria pede que a Justiça determine a retirada do perfil do influenciador da plataforma, onde ele reúne mais de 1,4 milhão de seguidores, além da proibição de novas publicações com conteúdo discriminatório contra pessoas pobres.

O Ministério Público requer ainda a condenação de Leonardo Marcondes ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social. Caso a Justiça acolha o pedido, o valor deverá ser destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.

A ação teve origem em informações encaminhadas pelo Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (GECRADI). O órgão apontou a existência de conteúdos publicados pelo influenciador com teor discriminatório e ofensivo contra pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.

Nos autos, o promotor Ricardo Manuel Castro argumenta que o direito ao voto é uma expressão fundamental da cidadania e do sufrágio universal. Para ele, qualquer tentativa de exclusão política baseada em condição econômica contraria princípios constitucionais como igualdade, dignidade humana e democracia.

O Ministério Público também sustenta que a liberdade de expressão não protege manifestações de ódio ou intolerância. Na avaliação da Promotoria, discursos que estigmatizam grupos vulneráveis e estimulam sua exclusão do espaço público não podem ser tratados como simples opinião.

Leonardo Marcondes se apresenta nas redes sociais como “treinador financeiro”. Ele também atua como coach, palestrante e empresário, com conteúdos voltados a desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e educação financeira. Em sua apresentação pública, diz ter sido atleta profissional.

O influenciador publica vídeos com ataques a pessoas pobres, usando frases como pobre “não sabe educar seus filhos”, “que pobre tem carro sujo e fedido" e "que pobre não gosta de tomar banho". Esses conteúdos foram apontados como parte do conjunto de manifestações investigadas pelo Ministério Público.

O caso agora será analisado pela Justiça paulista, que decidirá sobre os pedidos do Ministério Público, incluindo a eventual remoção do perfil, a proibição de novas publicações discriminatórias e a indenização por danos morais coletivos.