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Insatisfação domina encontro entre servidores e governo

O mesmo diagnóstico financeiro que o governador José Ivo Sartori apresentou à imprensa, ao Parlamento e a sociedade gaúcha por meio da Caravana da Transparência foi apresentado aos sindicatos de servidores públicos; cerca de 50 entidades se reuniram para ouvir Sartori no Galpão Crioulo do Palácio Piratini; após breve saudação, o chefe do executivo se retirou 'para evitar o constrangimento' dos participantes; "Vocês podem ficar mais à vontade", disse passando a tarefa do diálogo para o secretário da Fazenda, Giovani Feltes

O mesmo diagnóstico financeiro que o governador José Ivo Sartori apresentou à imprensa, ao Parlamento e a sociedade gaúcha por meio da Caravana da Transparência foi apresentado aos sindicatos de servidores públicos; cerca de 50 entidades se reuniram para ouvir Sartori no Galpão Crioulo do Palácio Piratini; após breve saudação, o chefe do executivo se retirou 'para evitar o constrangimento' dos participantes; "Vocês podem ficar mais à vontade", disse passando a tarefa do diálogo para o secretário da Fazenda, Giovani Feltes (Foto: Leonardo Lucena)

Sul 21 - O mesmo diagnóstico financeiro que o governador José Ivo Sartori apresentou à imprensa, ao Parlamento e a sociedade gaúcha por meio da Caravana da Transparência foi apresentado aos sindicatos de servidores públicos nesta segunda-feira (27). Pela manhã, cerca de 50 entidades se reuniram para ouvir Sartori no Galpão Crioulo do Palácio Piratini. Após breve saudação, o chefe do executivo se retirou 'para evitar o constrangimento' dos participantes. "Vocês podem ficar mais à vontade", disse passando a tarefa do diálogo para o secretário da Fazenda, Giovani Feltes.

Sem falar com jornalistas, o governador seguiu para abrir a campanha de vacinação contra a gripe, antecipada para antes de maio excepcionalmente no estado do Rio Grande do Sul. Ao titular da Fazenda coube a tarefa de expor a realidade financeira do estado, sem poder dar qualquer garantia de medidas concretas por parte do governo para com o funcionalismo. "O futuro será feito em conjunto entre nós, vocês e a Assembleia Legislativa. Cabendo ao governador, ao seu tempo e conforme o seu relógio, decidir o que poderemos fazer", falou Feltes.

Após quase três horas de exposição dos números sobre endividamento do estado, a maioria das entidades presentes se mostrava insatisfeita. "Só chororô", "Alguém deixou 5 pila ali pra eles?" e "Vamos fazer um financiamento no Banrisul" foram algumas das frases irônicas ditas pelos por servidores ao deixar o Palácio Piratini.

"Ele (governador) já tinha conhecimento desta realidade desde a campanha eleitoral. O serviço público é essencial e deve ser política pública prioritária do governo. Servidores querem ver as garantias de seus direitos aprovados cumpridos. O diálogo não está sendo fácil com o governador. Preferíamos que ele estivesse aqui para ouvir pessoalmente nossas inquietações", afirmou o presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do RS (Fessergs), Sérgio Arnaud.

Questionado sobre áreas e autarquias que podem ser extintas, sobre o cumprimento da lei de reajustes escalonados na segurança pública e quais serão as medidas para enfrentar o déficit previdenciário junto ao IPE, Giovani Feltes tergiversou e repetiu, entre uma metáfora e outra, "eu não posso responder pelo governador". As perguntas foram lidas pelo próprio secretário, sem que as entidades tivessem a opção de perguntar ao microfone.

"Só podemos concluir que serão quatro anos de lamento", critica Cpers

“Todos os candidatos que concorreram sabiam a realidade financeira do estado. O que aguardamos, e viemos aqui para isso, é saber qual a solução para superar a crise. Se não temos até agora uma posição, só podemos concluir que serão quatro anos de lamento por parte do atual governo”, avaliou ao final do encontro a presidente do Cpers/Sindicato, Helenir Schurer.

Um dos sindicatos que logrou êxito após protestos e pressão junto aos interlocutores do estado para conseguir a nomeação de 910 professores no começo do ano letivo, o Cpers lamentou a ausência de diálogo por parte do governador José Ivo Sartori. “As piadas foram boas”, sintetizou Helenir sobre o breve discurso de Sartori ao começo da reunião.

No entanto, as entidades representativas dos funcionários da segurança pública não tiveram a mesma garantia desde o começo da gestão Sartori. Acampados em frente ao Palácio Piratini há dias, a categoria explodia foguetes do lado de fora da reunião com os gestores. Perguntado por jornalistas ao final da reunião, o secretário Giovani Feltes foi impreciso sobre o compromisso legal por parte da administração estadual. “A orientação do governador é cumprirmos todas as leis. Mas, nossa situação econômica é extremamente difícil. O déficit do piso dos professores, por exemplo, é R$ 10,5 bilhões”, exemplificou.

Número de professores gera divergência entre Cpers e governo

Ao falar sobre a realidade da educação e o peso da área nas finanças estaduais, Feltes disse que, atualmente, a rede estadual conta com 13 professores por aluno. A presidente do Cpers ficou indignada com a declaração. “Um secretário de estado dizer uma bobagem de que aqui no estado há 13 professores por um aluno é um absurdo. Mesmo que fossemos falar de números, seriam 18 professores. Mas me indigna que a educação não se faz só com professor e aluno. Existe equipe diretiva, supervisão escolar, entre tantas outras funções onde os professores atuam para fazer o sistema de ensino funcionar. Estamos cansados de frases infelizes deste governo para com a nossa categoria”, protestou.

“Eu não sou da área técnica, mas conta de padeiro eu sei fazer. Temos um número decrescente de alunos na rede estadual. A máquina e estrutura é a mesma, por isso fica fácil de chegar nesta conta de que temos mais professores do que aluno”, argumentou o secretário da Fazenda.

Os dados apresentados aos servidores públicos na manhã desta segunda-feira foram os mesmos expostos pela comitiva que acompanhou o governador José Ivo Sartori em Passo Fundo, Ijuí, Santa Maria, Novo Hamburgo, Osório, Alegrete, Pelotas, Lajeado e Caxias do Sul.

Dados apresentados integram relatório da Caravana da Transparência

s reuniões da Caravana da Transparência começaram em 30 de março e encerraram em 16 de abril. Foram percorridos 3.044 quilômetros para mostrar à população a realidade das finanças públicas e discutir as prioridades de investimento nas regiões nos próximos quatro anos.

O levantamento feito por técnicos nos três primeiros meses de governo aponta um déficit de R$ 5,4 bilhões aos cofres públicos no ano de 2015 e, a necessidade de desembolso de R$ 30,8 bilhões para cumprir todos os compromissos. O balanço apresentado à sociedade gaúcha também aponta R$ 54,8 bilhões de dívida do Estado com a União, o dobro do valor arrecadado.

“O governo anterior iniciou uma renegociação com o governo federal para reduzir os juros, mas, mesmo que avance em Brasília, não será a solução. Para acabar de vez com este problema histórico de sucateamento dos cofres públicos do estado, o governo precisa reduzir os incentivos fiscais, o que hoje significa abrir mão de R$ 15 bilhões em nome do lucro da GM, Coca-Cola, Gerdau, entre outras”, defendeu o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do RS, Cláudio Agustin.

Para Augustin, o governador só tem tomado medidas que não resolvem o problema crônico das finanças, colocando a conta no funcionalismo. “Criou inclusive um decreto inconstitucional em que o proíbe de contratar novos funcionários ou reajustar salários. Isto foi para causar o terror no funcionalismo e impedir que nos mobilizemos. Mas nós vamos lutar”, antecipou.