Invasão e furto: entenda como Suzane von Richthofen poderá voltar para cadeia
O desdobramento do caso será acompanhado de perto por autoridades judiciais e pela sociedade
247 - A ex-presidiária Suzane von Richthofen pode ser obrigada a retornar ao sistema prisional após ser formalmente acusada de furto na residência de seu tio, em São Paulo, segundo reportagem do UOL.
A acusação foi registrada por meio de um boletim de ocorrência feito por Silvia Gonzalez Magnani, prima de Suzane, que afirma que a condenada teria se apropriado indevidamente de móveis, objetos e dinheiro pertencentes ao médico aposentado Miguel Abdalla Netto, tio de Suzane, encontrado morto na capital paulista no início de janeiro.
O caso ganhou repercussão porque Suzane, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato de seus pais em 2002, cumpre atualmente o restante da pena em regime aberto, benefício que pode ser revogado caso a nova investigação conclua que houve crime.
Segundo o boletim, a acusação envolve a retirada de uma lavadora de roupas, um sofá, uma poltrona e uma bolsa contendo documentos e dinheiro da casa onde o tio vivia no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo.
Em um processo que tramita na Vara de Família e Sucessões de Santo Amaro, Suzane teria admitido ter entrado na casa de Miguel após sua morte e retirado alguns bens, incluindo um carro Subaru XV, além de ter ordenado que o portão fosse soldado. A defesa dela alega que tais medidas teriam sido tomadas para proteger o patrimônio — que ela acredita ter direito — até que a Justiça decida sobre o destino do espólio.
A investigação tramita no âmbito criminal, e a simples formalização do boletim de ocorrência já faz com que Suzane responda por furto, crime que, se comprovado, poderá resultar em regressão do regime aberto e até retorno ao cumprimento da pena em regime fechado, conforme prevê a legislação penal brasileira.
A disputa judicial envolve um espólio estimado em cerca de R$ 5 milhões, deixado por Miguel Abdalla Netto, que morreu sem cônjuge, filhos ou testamento. Essa ausência de disposição formal sobre os bens abriu a controvérsia entre as duas primas: enquanto Suzane sustenta ter prioridade por ser parente consanguínea mais próxima, Silvia argumenta que viveu em união estável por cerca de 14 anos com o médico, o que, segundo ela, a coloca em posição de administradora preferencial do patrimônio.
Até o momento, a Polícia Civil de São Paulo ainda não concluiu a investigação nem divulgou oficialmente um indiciamento, e não há confirmação pública sobre eventuais medidas cautelares adicionais ou prisões relacionadas ao caso.