IPOs do BTG e do Facebook aumentam medo da Bolsa
Feitas com estardalhaço, duas maiores aberturas de capital do ano se mostram maus investimentos até aqui; quem comprou papéis do banco de André Esteves perdeu 14,10% nos últimos 30 dias; embarque na canoa de Mark Zuckerberg puniu com 30% desde o dia 18; é por essas que o povo teme a Bolsa?
247 – As duas maiores e mais festejadas aberturas de capital do planeta este ano, uma em São Paulo e outra em Nova York, até agora resultam em naufrágio de resultados, forte questionamento judicial, no caso da operação americana, e grande frustração para os investidores. Desde que estreou na Bovespa, onde captou dos investidores, em poucas horas, no dia 25 de abril, R$ 3,65 bilhões, o BTG Pactual do agressivo banqueiro André Esteves guiou os compradores a um mergulho de 14,10% nos últimos 30 dias, de acordo com apuração feita na manhã desta quarta-feira 6. A unit lançada a R$ 31 hoje vale R$ 25,99. No período, o índice Bovespa recuou 10,23%.
Foi ainda maior o tombo dos que apostaram no charme nerd de Mark Zuckerberg e seu Facebook, cuja captação de US$ 16 bilhões significou, em 18 de maio, a segunda maior da bolsa de valores de Nova York. De US$ 38 dólares no lançamento, o valor do papel recuou para US$ 32 logo no primeiro dia útil de negociação, e agora, após mais de uma dezena de sessões em declínio, submerge abaixo dos US$ 25. A profundidade do naufrágio é superior a 30% sobre o preço inicial, explicado, em parte, pela série de ações judiciais que acossam os coordenadores do lançamento das ações: eles estão sendo acusado de terem sonegado ao mercado projeções que queda de receita no Facebook.
Os dois IPOs ajudam a explicar porque têm obtido resultados não satisfatórios as campanhas desenvolvidas pela BM&FBovespa para popularizar o mercado de ações. Sujeitas a um grandioso conjunto de imponderáveis, a começar pelas involuções e desdobramentos da crise financeira internacional, as bolsas ainda são vistas, como se vê pela pequena adesão do público a esse foro, como lugar para experts e, sim, espertalhões. Às vésperas de ter decretada sua intervenção pelo BC, por exemplo, os titulares do Banco Cruzeiro do Sul venderam R$ 115 milhões em ações da instituição no mercado. Nesta quarta 6, ao voltarem a ser negociadas, elas descreveram uma vertiginosa queda superior a 46%. Mesmo ações de companhias citadas comumente como sólidas, como a OGX do midiático Eike Batista, se mostram uma arriscada aventura para o investidor comum. Apesar de todos os sorrisos do pai de Thor Batista, os papéis da sua holding perderam 31,97% nos últimos 30 dias. A pergunta 'é por isso que as pessoas têm medo da bolsa' e, no fundo, uma afirmação.
Abaixo, notícia sobre a queda nas ações do Facebok e o relatório de análise do JP Morgan a respeito dos papéis do BTG Pactual:
5 de maio de 2012 - Desde que o Facebook começou a ser cotado na bolsa, há duas semanas, suas ações não pararam de cair, o que tem levado os investidores a indagarem-se sobre quanto mais podem recuar as ações da companhia.
Durante o pregão de segunda-feira, a ação chegou a cair a 26,44 dólares, mais de 30% abaixo do preço da Oferta Pública Inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), de 38 dólares.
"É difícil argumentar a favor da ação hoje", diz o analista da Bernstein Research, Carlos Kirjner, em um relatório divulgado na segunda-feira, onde a empresa indicava a recomendação de venda para o papel.
Kirjner projeta um preço de 25 dólares para a ação nos próximos 12 meses, mas acrescenta a possibilidade de uma desaceleração real no crescimento do Facebook, o que "muito provavelmente conduziria a uma pressão adicional nos preços-alvos dos papeis", diz.
Para Oliver Pursche, presidente da Gary Goldberg Financial Services, há sinais reais de que o Facebook pode estar em apuros. "Nós dizemos às pessoas para que fiquem longe do papel porque não há perspectivas de valorização", disse à AFP.
O Facebook captou no dia 18 de maio 16 bilhões de dólares no mercado, realizando assim o segundo maior IPO da história americana. O período anterior à oferta foi marcada por um forte entusiasmo, o que fez com que o Morgan Stanley concordasse em aumentar o preço da oferta e o número de ações emitidas.
Contudo, o papel tem recuado desde a estreia, gerando perdas de 4,6 bilhões de dólares para os novos investidores.
A dinamicidade do setor, no entanto, tem gerado as mais variadas projeções de preços-alvos da ação para os próximos meses, de 10 a 40 dólares.
Atualmente com 900 milhões de usuários, o Facebook se esforça para atingir o número de 1 bilhão, e usar esse feito como um alavancador de publicidade. Para a Bernstein Research, o que deve ser levado em conta "é a capacidade da companhia em explorar o potencial do segmento no qual está inserida".
Segundo especialistas, o volume de negócios do Facebook reduziu seu ritmo em um momento no qual a empresa está realizando importantes investimentos. A companhia tem tido também dificuldades para converter em dinheiro a migração do tráfico da Internet para os aparelhos móveis.
Portal Infomoney _ São Paulo - Apesar de elogiar a solidez do banco, o JP Morgan iniciou a cobertura das units do BTG Pactual (BBTG11) com recomendação de manutenção e preço-alvo de R$ 31 - o que implica um potencial de valorização de 18,37% em relação ao fechamento da última sexta-feira (1). O banco cita que embora a instuição apresente um bom patamar de rentabilidade, as condições atuais do mercado e da economia nacional apresentam alguns desafios para os próximos passos da instituição liderada por André Esteves.
Os analistas Saul Martinez, Domingos Falavina e Christopher Delgado, compararam a boa rentabilidade do banco - que iniciou operações na BM&FBovespa no final de abril - com outros bancos concorrentes de investimento, além dos grandes bancos brasileiros, reforçando que ele está bem posicionados para capitalizar sobre o crescimento do Brasil no mercado de capitais.
Além de apontarem para a boa administração da instituição financeira, eles mencionam que o BTG Pactual - como líder do mercado de capitais, fusões e aquisições, ativos e gestão de recursos - está bem posicionado para se beneficiar de um processo de queda no mercado de ações, renda fixa e securitização no País e, possivelmente, na América Latina, diante das posições de mercado sólidas em todas os segmentos de negócios.
Impactos do Brasil
As preocupações com a economia nacional, contudo, ainda trazem algumas ressalvas, visto que recentemente o JP Morgan cortou a recomendação do País para underweight (performance abaixo da média do mercado), o que pode adicionar incertezas sobre a força dos ganhos do BTG Pactual, bem como a sustentabilidade de seu alto patamar de rentabilidade.
Além disso, na semana passado, o banco norte-americano cortou suas projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2012, de 2,9% para 2,4%. Com isso, as dificuldades macroeconômicas podem trazer algum impacto negativo para a receita do banco este ano. Segundo eles, a projeção de geração de 47,9% de receita líquida no segmento de investimentos vai depender do quadro econômico brasileiro e o sucesso das suas estratégias de negociações.
Vale mencionar que as units do banco já caíram 16,19% desde o IPO (Initial Public Offering) para cá, quando eram cotadas a R$ 31,25. Embora esteja em linha com o Ibovespa no mesmo período, os analistas apontaram que as ações mostraram desempenho inferior aos papéis dos principais bancos que eles fazem cobertura.