Iris é candidato em 2016 já de olho na disputa de 2018

Ex-prefeito movimenta-se em busca de apoios partidários para as disputas à Prefeitura de Goiânia no ano que vem sem preocupação em esconder que não deve concluir o mandato (caso eleito) para concorrer ao governo do Estado; desafio agora reagrupar sua base, dividida após as eleições de 2014; meta de voltar ao Palácio das Esmeraldas deve afastar o apoio do senador do DEM Ronaldo Caiado, que tem a mesma ambição do decano peemedebista

Ex-prefeito movimenta-se em busca de apoios partidários para as disputas à Prefeitura de Goiânia no ano que vem sem preocupação em esconder que não deve concluir o mandato (caso eleito) para concorrer ao governo do Estado; desafio agora reagrupar sua base, dividida após as eleições de 2014; meta de voltar ao Palácio das Esmeraldas deve afastar o apoio do senador do DEM Ronaldo Caiado, que tem a mesma ambição do decano peemedebista
Ex-prefeito movimenta-se em busca de apoios partidários para as disputas à Prefeitura de Goiânia no ano que vem sem preocupação em esconder que não deve concluir o mandato (caso eleito) para concorrer ao governo do Estado; desafio agora reagrupar sua base, dividida após as eleições de 2014; meta de voltar ao Palácio das Esmeraldas deve afastar o apoio do senador do DEM Ronaldo Caiado, que tem a mesma ambição do decano peemedebista (Foto: Realle Palazzo-Martini)

Marcus Vinícius, do Diário da Manhã

Que ninguém se engane: Iris Rezende Machado é candidatíssimo à Prefeitura de Goiânia. Todos os movimentos estão dados. Veja quem quiser. Leia quem souber ler os sinais. E Iris deve enfrentar o desafio como uma missão: unir as oposições em Goiás nas eleições de 2016, com vistas à sucessão estadual em 2018.

O jornalista Jarbas Rodrigues leu alguns destes sinais, na entrevista que fez com o líder peemedebista, publicada no seu sítio pessoal, o Blog do Jarbas. “O ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) tem mantido intensa agenda no seu escritório político em Goiânia, recebendo lideranças políticas e empresariais da Capital e do interior do Estado”, registra.

O próprio Iris emendou ao jornalista de O Popular:

– Continuo vivo, só que mais ouvindo do que falando. Estou muito preocupado com os últimos acontecimentos. O mundo político e administrativo tem perdido o respeito da sociedade.

Iris é assim mesmo. Tem capacidade autorregenerativa como talvez nenhum outro político tenha em Goiás. Assim como registrou Jarbas, tive esta mesma impressão dele, há 13 anos atrás, quando Iris experimentava sua segunda derrota, talvez a mais dolorosa, quando perdeu a reeleição ao Senado em 2002.

Com muita humildade, Iris foi à Redação do Diário da Manhã para uma conversa com o editor-geral Batista Custódio. Não havia no seu semblante tristeza ou revolta com a derrota. Passou a todos que participaram da conversa uma serenidade própria de quem tem maturidade para entender as adversidades da política. Disse, naquela ocasião, que o eleitor é soberano, e se o resultado não foi o que se queria, ainda assim, foi brindado com muitos votos, e por isto, como democrata, tinha que render homenagens a estes eleitores. Simples assim.

Naquela entrevista, mais de uma década atrás, Iris fez um comunicado: iria mergulhar na organização do PMDB. E de fato, foi para o partido, presidiu o diretório estadual, e começou alí um caminho de renovação. Tempos depois daquele encontro, o visitei no diretório, onde me recebeu para um café e uma prosa.

Em dado momento, perguntei: “senador, o senhor acha que o povo está com saudade dos mutirões?”. Sem titubear, ele respondeu, que sim. Percebi alí que ele era candidato a prefeito, como de fato o foi, um ano depois, em 2004.

Neste período de trabalho, Iris preparou as bases para sua candidatura a prefeito, e trouxe para a cena política novos atores, como o hoje deputados Bruno Peixoto, Samuel Belchior, Túlio Maravilha, Thiago Peixoto, Francisco Júnior e outros. Uns não ficaram no PMDB, mas tiveram no partido a oportunidade que tem hoje de fazer política.

Vale registrar que antes de decidir-se candidato, Iris tentou uma composição com o PT e muito se lembram que queria indicar a vice do prefeito Pedro Wilson. O nome que corria nos bastidores era do ex-ministro Flávio Peixoto. A articulação não foi pra frente, por divergências internas no PT. E Iris decidiu bater eleição, e ao final venceu. E desde aquela eleição, Iris buscou uma aliança com o PT, que viria a se confirmar em 2008, quando o partido constituiu nova maioria e indicou-lhe o vice para disputa de sua reeleição.

Desta feita, Iris faz movimento parecido, mas, sinalizando com o alianças para o DEM. E os sinais agradam também ao PTB e ao PR, que, sendo confirmados, ampliam o leque de alianças do PMDB. Estaria aí o embrião de uma nova oposição ao PSDB, ou, melhor ao marconismo? É cedo para dizer.

O movimento do PMDB, que busca atrair partidos da base do governo de Marconi Perillo, pode ser decisivo. Foi assim que a oposição venceu em 1998 a disputa pelo Palácio das Esmeraldas. Em 1996, o então prefeito Nion Albernaz (PSDB) fez o dever de casa agasalhando na sua chapa – e depois na prefeitura –, os partidos da oposição ao irismo. A receita de 1996, pode ser repetida em 2016? Quem sabe.

Não há nada garantido na política. A estratégia precisa ser testada com pessoas, com lideranças. Pensar um palanque que tenha ao mesmo lado Iris Rezende, Ronaldo Caiado, Jovair Arantes e Paulo Garcia juntos não é fácil. Mas é certo que na política vence quem agrega mais. Quem converge, vence. Quem desagrega, perde.

O senador Ronaldo Caiado não hegemônico no DEM de Goiás, pois seu partido está dividido entre governo e oposição. Ele é hoje a estrela maior, mas muitas e importantes lideranças, como o prefeito de Quirinópolis, Odair Resende e o presidente da Assembleia Legislativa, Helio Sousa, compõem com o marconismo.

E é justo dizer que, se a maioria do DEM votou em Caiado, esta mesma maioria votou na reeleição de Marconi. Então, a conta não fecha. E mais: o lacerdismo exacerbado de Caiado contra a presidenta Dilma Rousseff afasta a esquerda de um palanque onde ele participa.

Iris é candidato. Ou será candidato. Ou querem que seja candidato. E Iris só será candidato visando não apenas garantir o espaço de seu partido e da oposição na capital. É uma candidatura para preparar o jogo sucessório de 2018. Mas engana-se quem pensa que o prefeito Paulo Garcia e o PT são cartas fora deste baralho. Já ensinou, certa vez, Tancredo Neves: “Política é como as nuvens, às vezes estão de um jeito, de repente mudam de forma”.

 

 

 

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