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Irmãos brasileiros herdam fortuna de Valentino Garavani

Parte expressiva de sua fortuna será destinada aos afilhados brasileiros

Valentino Garavani (Foto: REUTERS/Andrew Kelly)

247 - A morte de Valentino Garavani, aos 93 anos, nesta segunda-feira (19), em Roma, marca o fim de um dos capítulos mais emblemáticos da história da moda internacional. Ícone absoluto da alta-costura, o estilista italiano não apenas construiu um império estético reconhecido mundialmente, como também deixou um legado pessoal que atravessa fronteiras. Parte expressiva de sua fortuna será destinada aos afilhados brasileiros Anthony e Sean Souza. 

Anthony e Sean são filhos de Carlos Souza, embaixador global da grife Valentino, e da socialite Charlene Shorto. Apesar da ligação direta com um dos maiores nomes da moda do século 20, os irmãos sempre mantiveram uma vida discreta, longe dos holofotes excessivos. Ainda assim, foram vistos em diferentes ocasiões em desfiles, homenagens e eventos internacionais promovidos em honra ao estilista italiano.

Criado na Europa, Sean Souza teve contato desde muito cedo com o universo fashion e com figuras centrais do jet-set internacional. Chegou a experimentar as passarelas em alguns momentos, mas nunca demonstrou interesse em seguir carreira como modelo ou estilista. Após concluir os estudos em Londres, em 2007, decidiu se afastar temporariamente da rotina europeia e passou seis meses na Índia, período que marcou uma mudança significativa em sua vida pessoal, com o início do interesse por práticas de ioga e meditação.

Anthony Souza, por sua vez, seguiu um caminho ligado à música. DJ, ele também atuou como engenheiro de som da banda Coldplay, acumulando experiência nos bastidores da indústria musical internacional. Mesmo com trajetórias distintas, os dois irmãos mantiveram uma relação próxima com Valentino, construída ao longo de décadas de convivência familiar e profissional.Valentino Garavani fundou seu primeiro ateliê em Roma e apresentou, em 1959, sua coleção de estreia de alta-costura, intitulada “Ibis”. 

No ano seguinte, uniu-se a Giancarlo Giammetti, então estudante de arquitetura, para fundar oficialmente a Maison Valentino. A parceria foi decisiva para transformar a marca em uma das mais prestigiadas do mundo, vestindo estrelas do cinema, da música e da realeza.Reconhecido pelo uso magistral do vermelho que eternizou sua assinatura estética, Valentino construiu um DNA único na moda, marcado por elegância, sofisticação e rigor técnico. Seu último trabalho inédito foi apresentado em 2016, anos depois de vender a marca por cerca de US$ 300 milhões, encerrando sua atuação criativa direta, mas não sua influência no setor.

Reprodução/X

Com sua morte, Valentino deixa não apenas uma fortuna milionária e uma grife consolidada, mas também uma história que se confunde com a própria evolução da alta-costura no século 20 e início do século 21. Para Anthony e Sean Souza, a herança material se soma a um legado afetivo e cultural que ultrapassa cifras e permanece como símbolo de uma relação construída muito além da moda.