"Isso é caso de polícia", diz Otto sobre a TWB
Além das irregularidades já apontadas pelo Governo da Bahia sobre a TWB, empresa que administrava o ferry boat, o diretor-geral da concessionária, Reinaldo Pinto dos Santos, transferiu no dia 1º de janeiro deste ano cerca de R$ 249 mil dos cofres da companhia para a sua conta pessoal, segundo o vice-governador Otto Alencar
Bahia 247
O vice-governador e secretário estadual da Infraestrutura (Seinfra), Otto Alencar (PSD) fez mais uma grave denúncia sobre a TWB, concessionária que administrava o sistema ferry boat que faz a travessia Salvador-Itaparica até a semana passada.
Além das irregularidades já apontadas pelo Governo da Bahia em entrevista coletiva na segunda-feira (24), o diretor-geral da concessionária, Reinaldo Pinto dos Santos, segundo Otto Alencar, transferiu no dia 1º de janeiro deste ano cerca de R$ 249 mil, em dinheiro, dos cofres da companhia para a sua conta pessoal.
A movimentação é comprovada em cópias de dois extratos bancários apresentados pelo vice-governador ao site, um de R$ 76.354,40 e outro de R$ 172.757,46, expedidos na mesma data.
"Cada dia que passa as coisas vão aparecendo. Isso é apropriação indébita do dinheiro arrecadado no Réveillon. Isso aqui é caso de polícia. É por isso que não tem dinheiro para consertar barco. Esse [Reinaldo Pinto] é um homem que não consegue falar uma única verdade, mas a Justiça não dá razão à mentira. Ele vai ter que devolver muito dinheiro. Eu vou tirar dele tudo o que ele lesou do Estado. Eu vou atrás dele onde ele estiver. A auditoria do Estado está lá dentro e, pelo jeito que vai, em vez de receber dinheiro, ele vai receber pulseira", disparou Otto Alencar. Diante da gravidade das denúncias, o vice-governador afirmou que o executivo pode ser preso.
No rol das irregularidades, segundo Otto, está a falta de comprovação de recursos investidos pelo braço paulista da companhia e do contrato de aluguel do estacionamento à microempresa da mulher do diretor, bem como da locação de veículos pela TWB, cujos contratos seriam superfaturados.
"Ele alugava os carros da TWB de São Paulo e superfaturava os preços. Cada aluguel saía a R$ 8 mil". As equipes da Seinfra e da Agência Reguladora de Transportes e Comunicações do Estado (Agerb) estão na fase de formalização das provas para apresentação no Ministério Público da Bahia (MPE).
O vice-governador alertou ainda o contador da TWB para que não atenda a um suposto pedido da empresa para que informações sejam ocultadas. "Se ele sonegar, nós vamos denunciá-lo ao Conselho de Contabilidade. De nada adianta mandar nota dizendo que continua aberta ao diálogo. Não vamos dialogar com quem deu tanto prejuízo ao Estado e nunca investiu nada na Bahia. Vamos apurar todas as irregularidades cometidas com o rigor da lei", avisou Otto.
A TWB venceu a concorrência pública para operar a travessia Salvador-Ilha de Itaparica em 2006, no final da gestão do então governador Paulo Souto (DEM), e o contrato tinha vigência de 25 anos.
