Jarbas: 'Entregar o governo só ao PMDB ou oposição seria desastre'
Deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um dos mais ferrenhos opositores das administrações do PT, avaliou como "infrutíferas" todas as tentativas para criar um entendimento nacional em torno da permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo; ele defende que seja feito um governo de coalização, evolvendo todos os partidos e a "parte boa do PT" em torno do vice Michel Temer; "Mas teria que ter a participação de todos, porque entregar a gestão somente ao PMDB ou à oposição seria um desastre", disse; ele também defendeu que Dilma renuncie, mas acredita que isso não acontece porque "a ficha dela não cai porque ela vive no mundo da lua. Ela acha que o mundo é o 'mundo da Dilma'"
Pernambuco 247 - O deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um dos mais ferrenhos críticos da administração da presidente Dilma Rousseff, avaliou que seriam "infrutíferas" todas as tentativas para criar um entendimento nacional em torno da permanência dela no cargo. Para o parlamentar, um governo de coalização, evolvendo todos partidos e a "parte boa do PT" em torno do vice Michel Temer seria uma alternativa. "Mas teria que ter a participação de todos, porque entregar a gestão somente ao PMDB ou à oposição seria um desastre", disse. Ele também defendeu que Dilma renuncie ao comando do Executivo nacional, mas disse que "a ficha dela não cai porque ela vive no mundo da lua. Ela acha que o mundo é o 'mundo da Dilma", disparou.
As declarações do deputado foram feitas nesta quarta-feira (9) em uma entrevista à Rádio Jornal, do Recife. Para Jarbas, a renúncia é a melhor solução que a presidente teria a oferecer para sanar a crise política e econômica. "Dilma não tem saída. A rejeição chegou a um momento abaixo de 10%, que não tem como. Você tentar um entendimento em torno de Dilma é infrutífero. Não vai dar certo. Mexer no calendário eleitoral para antecipar a eleição é outro problema muito sério", analisou.
"A saída seria uma coalizão nacional em torno do vice-presidente da República, que não pode ser um governo do PMDB. Se for um governo do PMDB será um desastre. Terá que ser um governo com todos os partidos. Inclusive chamar a parte boa do PT para ajudar nesse governo de coalizão. Chamar o PT para que o PT indique uma pessoa da parte sadia, da parte correta, para participar desse governo de coalizão", completou em seguida.
Na análise do peemedebista, um impeachment da presidente será inevitável a longo prazo, mas que um processo de renúncia pouparia o país de um processo longo, penoso e traumático. "Não existe nada impossível na vida, muito menos em política. A ficha dela não cai porque ela vive no mundo da lua. Ela acha que o mundo é o 'mundo da Dilma', que o governo no Brasil é a Dilma", disse ao defender a renúncia da presidente.
"Mas a ficha ainda pode cair. (...) Ainda não chegamos ao fundo do poço. Ficha ainda não caiu. Vamos ter mais desemprego, inflação descontrolada por mais algum tempo, mais dificuldades... Quando a gente chegar ao fundo o poço, talvez a ficha caia. Se ela não renunciar, o impeachment será inevitável no futuro", destacou.
O parlamentar também criticou que a única proposta apresentada pelo governo para sanar o déficit de R$ 30,5 bilhões previsto no Orçamento 2016 seja a alta de imposto. Para ele, o governo não teve coragem de acentuar os cortes, embora tenha onde cortar gastos. "(O governo) transformou o Bolsa Família em uma compra de votos. Não estou dizendo isso de agora, digo lá de trás. O Bolsa Família é importante, muito importante. Mas ele não pode fazer uma coisa como fez em larga escala, tirando gente da escola, fazendo com que muitas pessoas hoje vivam disso e não queiram sequer trabalhar", disse.
"Aumento de imposto é muito ruim. É muito ruim esta gastança. Governo tem que se conscientizar, cortar gastos. Para quê 39 ministérios? Deu no que deu", disparou Jarbas. Ele também voltou a pedir o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que enfrenta denúncias de corrupaçao e lavagem de dinheiro, da presidência da Câmara dos Deputados.