Jardel ameaça hegemonia do PMDB em Catalão

Com projeto de retomar o comando do Estado de Goiás, partido caminha para perder seu principal reduto eleitoral no interior, aponta pesquisa Veritá/TV Record

Jardel ameaça hegemonia do PMDB em Catalão
Jardel ameaça hegemonia do PMDB em Catalão (Foto: Divulgação)

Brasil247_ O PMDB de Goiás, que tenta se organizar para retomar o comando do Estado em 2014, está prestes a perder seu principal reduto eleitoral no interior do Estado. Pesquisa Veritá/TV Record GO, divulgada na última segunda-feira, 20, mostra o peemedebista Adib Elias, presidente licenciado do diretório estadual do PMDB, atrás do seu principal adversário na disputa pela prefeitura de Catalão, o presidente da Assembleia Legislativa, Jardel Sebba (PSDB).

Jardel, que encabeça a coligação "Muito Mais para Catalão", tem 38,8% da preferências do eleitorado, contra 35,4% de Adib. Giovani Cortopassi, do PHS, teve 1,8% e Álvaro da Aducat, do PT, 1,2%. Os indecisos representam 15,6% e 7,1% dos eleitores votarão em branco ou nulo. Na espontânea, Jardel lidera com 36,6% contra 34,5% de Adib. Outros 19,8% declararam-se indecisos. A pesquisa, que foi registrada na Justiça Eleitoral, ouviu 505 eleitores entre os dias 17 e 19 de agosto.

Durante 12 anos, Catalão, um dos cinco municípios mais ricos de Goiás, foi uma fortaleza peemedebista, aparentemente intransponível. Adib Elias orgulhava-se do apelido de "trator do Sudeste". Em várias oportunidades, Adib desdenhou da estrutura do governo do Estado e disse que Catalão era uma cidade auto-suficiente, que não precisava de recursos do tesouro estadual.

A atitude, considerada arrogante pelos adversários, era ancorada nos altos índices de aprovação da sua administração. Em 2008, ele deixou a prefeitura com cerca de 80% de aprovação popular. Adib foi um dos principais esteios políticos do PMDB quando o partido foi derrotado em 2002, na disputa pelo Governo de Goiás e não conseguiu reeleger os senadores Iris Rezende e Mauro Miranda.

A força da aprovação da administração de Adib era tamanha que, em 2008, ele conseguiu eleger seu sucessor, Velomar Rios, um ex-secretário municipal sem muita expressão e que jamais havia disputado mandato. Agora, se os dados das pesquisas se confirmarem, uma mudança está em curso. Pela primeira vez, Adib, que governou a cidade entre 2001 e 2008, larga atrás numa disputa pelo comando do Palácio Pirapitinga, sede do poder municipal.

A pesquisas não revelam só o favoritismo de Jardel, mas pode apontar para um desgaste na imagem de Adib e do próprio PMDB na cidade. Palavras como mudança e renovação na prefeitura de Catalão se tornaram comuns nas rodas de conversa da cidade.

Denúncias

O nome do peemedebista está relacionado a suspeitas de corrupção. Ele é investigado por, ao lado da Delta, o braço empresarial do bicheiro Carlinhos Cachoeira, ter dado um prejuízo de R$ 600 mil aos cofres municipais. Adib, inclusive, para tentar evitar punição, devolveu parte do dinheiro espontaneamente: R$ 126 mil. O Ministério Público, no entanto, achou que o gesto servia como confissão e não extinguiu a culpa.

O nome de Adib também foi citado em conversas comprometedoras entre Carlos Cachoeira e o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu (natural de Catalão), gravadas pela Polícia Federal. Antes, dois dos secretários de Adib saíram algemados da prefeitura durante a chamada Operação Ouro Negro. Deflagrada pelo MP e pela Polícia Civil, a operação descobriu um esquema que pode ter desviado mais de R$ 10 milhões da prefeitura.

A investigação toda só não resultou em condenação porque os advogados dos peemedebistas conseguiram anular as mais de mil horas de gravação, realizadas por dois anos, com autorização da Justiça.

Uma eventual derrota de Adib em Catalão vai piorar ainda mais a situação do PMDB, partido que definhando vai se tornar mero apêndice do PT em Goiás. A capital, Goiânia, já está nas mãos de Paulo Garcia, que disputa reeleição com apoio do PMDB.

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