Jogos Paraolímpicos. As próteses são cada vez mais perfeitas
Graças às próteses ortopédicas esportivas, os atletas handicapados podem agora atingir níveis de performances próximas daquelas de atletas válidos. E, em alguns casos, inclusive superá-los. Duas semanas após o encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio, chegou a vez dos Jogos Paraolímpicos atualmente em curso na capital carioca. Na foto acima, o corredor campeão Oscar Pistorius.
Por: Robin Cannone – Le Figaro
Desde ontem, 7 de setembro, até o dia 18 deste mês, 4350 atletas handicapados irão se enfrentar em 24 disciplinas esportivas distintas, Entre eles, os atletas amputados se beneficiam hoje de dispositivos sofisticados que lhes permite alcançar níveis de performances muito próximas daquelas de atletas válidos.
O exemplo mais célebre é o do corredor Oscar Pistorius. Amputado das duas pernas desde a infância, o sul-africano conseguiu se qualificar para as semifinais dos 400 metros nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, ao lado de concorrentes não handicapados.
A atleta francesa Marie-Amelie le Fur exibe o seu Total Knee, joelho mecânico.
Próteses mais leves
Graças aos progressos científicos das últimas décadas, as próteses ortopédicas são hoje fabricadas com titânio e fibra de carbono, materiais usados sobretudo na aeronáutica e na engenharia aeroespacial. Esses aparelhos são mais leves e mais resistentes do que as próteses clássicas, assegurando grande leveza e flexibilidade ao atleta. Além disso, são concebidas de modo a de adaptar sob medida à morfologia própria de cada membro amputado.
Na Paraolimpíada do Rio, a atleta usa a lâmina que substitui o pé e a perna, e também um Total Knee (joelho mecânico).
O «Flex-Foot» é certamente a prótese mais conhecida e mais utilizada pelos amputado ao nível das pernas. Esse pé artificial que lembra uma pata de guepardo, às vezes chamado lâmina, é fabricado com fibras de carbono impregnadas de resina de epóxi, o que assegura um eficaz retorno de energia ao usuário. Inventado pelo norte-americano Van Phillips, que perdeu um pé em um acidente de ski náutico em 1976, e depois comprado pela empresa ortopédica Össur em 2000, ele é desde então comercializado com o nome de «Cheetah» e existe hoje em numerosos modelos. Muito em moda no atletismo, ele torna disciplinas como a corrida a pé ou o salto a distância acessíveis a todos. Foi graças a essa prótese que o corredor norte-americano Jannyd Wallace, que perdeu a perna direita, pode estabelecer um tempo de 10,71 segundos para os 100 metros, ou seja, apenas 1,13 segundos a mais do recorde alcançado por Usain Bolt. O «Total Knee» (Joelho Total), uma prótese que substitui o joelho, pode ser utilizado acoplado a uma lâmina de corrida. Esse joelho mecânico contem um sistema de despressurização hidráulica e calculadores integrados que corrigem a postura e se adaptam ao modo de caminhar do seu usuário, substituindo com eficácia os músculos que faltam. Sara Reinertsen, a atleta especializada no triatlo, que teve uma perna amputada acima do joelho quando tinha 7 anos, utiliza esse acessório para a corrida a pé e a bicicleta.
Melhores performances
Se as próteses permitem a certos atletas praticar um esporte apesar do seu handicap, o seu aperfeiçoamento apresenta também um lado polêmico. Pouco antes dos Jogos Paraolímpicos de Pequim, em 2008, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) tinha julgado que o uso de certas próteses favoreceriam os atletas handicapados se eles concorressem com os válidos. O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) voltou atrás dessa decisão pouco depois.
Lacey Jai Henderson
A atleta norte-americana Lacey Jai Henderson, equipada com um Total Knee e uma lâmina de corrida Cheetah.
Para Matthieu Balagué, responsável técnico da empresa francesa Chabloz Orthopédie, especializada na fabricação de próteses fornecidas a numerosos atletas handicapados, trata-se de uma questão a respeito da qual é difícil ser categórico. “Embora tenham surgido algumas polêmicas, não temos como saber realmente se essas próteses favorecem os seus usuários quando eles concorrem com atletas válidos. Quando você toma, por exemplo, Oscar Pistorius, você percebe perfeitamente que ele, no início da corrida, tem dificuldades para se lançar, e depois o seu desempenho se torna cada vez mais rápido. E então: ele está em vantagem ou em desvantagem? Nós não sabemos”.
Em revanche, quanto aos sistemas de despressurização (Total Knee) aos quais acrescentamos os pés Össur, como é o caso de numerosos atletas amputados acima do joelho, sabemos que o comprimento das lâminas influi em suas performances. “Com a forma em C da lâmina, vemos que quanto mais longa ela for, mais se deforma sob o peso do usuário, o que aumenta a restituição de energia e permite melhorar a performance”.
Criadas para proporcionar mais eficácia, bem mais do que conforto, essas próteses não são utilizadas na vida quotidiana, mas usadas apenas durante algumas horas para as práticas esportivas. Apesar disso, qualquer um que deseja adquirir esses modelos e não for rico, terá de fazer muita economia, pois seus custo hoje gira em torno dos 10 mil euros (R$ 38 mil).