Jornal é censurado em Rio Verde

Denncias do Jornal Opo acirram disputas polticas no municpio. De um lado, o prefeito Juraci Martins; de outro, o petista Karlos Cabral. Cpias de reportagens so distribudas e editor recebe estranha correspondncia da polcia

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Goiás 247 - A censura à imprensa não é exclusividade de Goiânia, nem da revista Carta Capital. Na cidade de Rio Verde, o jornal Opção foi impedido de circular nas bancas. O semanário goianiense publicou denúncias contra a administração do prefeito Juraci Martins (PSD). 

A oposição local produziu cerca de 1.300 cópias da reportagem, que foram apreendidas pela PM. Material com a reportagem “Clínica de secretário da Saúde presta serviço à prefeitura”, publicada na edição do dia 1o de abril, estava na posse de Claudenir Sousa, assessor do deputado Karlos Cabral (PT).

Nesta quinta-feira, 19, o editor-chefe do Jornal Opção, Euler de França Belém, recebeu uma correspondência do delegado plantonista responsável pela 8ª Delegacia Regional de Polícia de Rio Verde, Adelson Candeo Júnior, questionando se Claudenir Sousa tinha autorização do jornal para reproduzir a matéria e, em caso positivo, se o material poderia ser devolvido ao portador.

Qualquer leitor, desde que não falsifique ou amplie o conteúdo, pode copiar e, se quiser, distribuir reportagens do Jornal Opção ou de qualquer outro jornal. Políticos de Rio Verde, que segundo a oposição local estariam instrumentalizando a Polícia Militar e a Polícia Civil – o governador Marconi Perillo (PSDB) é aliado de Juraci –, se esquecem do escândalo que foi o recolhimento de exemplares da revista CartaCapital em Goiânia.

Os deputados Karlos Cabral e Luis Cesar Bueno, ambos do PT, declararam, inclusive, que vão procurar o Ministério da Justiça. Porque há, desconfiam, uma tentativa de intimidar setores da oposição e da imprensa, e com o uso do poder público. Eles avaliam recorrer à Polícia Federal, força que veem como de fato independente, para esclarecer os fatos. O pressuposto básico da democracia: não se pode prender pessoas e apreender material, que nada tenha de apócrifo, sem mandado judicial. 

Ainda na tarde desta quinta-feira o deputado Luis Cesar Bueno fez um pronunciamento sobre o assunto em sessão na Assembleia Legislativa. Ele solicitou que o presidente da Casa, deputado Jardel Sebba (PSDB), tome as providências contra a ação da PM, que ele considera como um “grave atentado à liberdade de imprensa”. Não só. Segundo ele, a PM e a Polícia Civil — que manteve Claudenir Sousa detido por várias horas após a apreensão do material — estão se comportando como se não existissem promotor e juiz em Rio Verde. Elas devem se pôr a serviço da sociedade, mas não do prefeito e de um ex-secretário, argumenta o petista.

Indignaçáo

O deputado estadual petista Karlos Cabral publicou nesta quinta-feira, 19, uma nota oficial sobre a apreensão das cópias do Jornal Opção, que estavam sendo distribuídas por seu assessor Claudenir de Sousa na cidade de Rio Verde.

No documento, ele relata que se dirigiu ao município na parte da manhã, após ser informado na noite anterior sobre o fato. O deputado declara que faz parte da oposição à atual gestão em Rio Verde, mas que não sabia da distribuição da cópia da reportagem. Ainda assim, ele diz que condena “peremptoriamente o cerceamento do direito de livre expressão e de opinião”, mostrada por meio da atitude “arbitrária” dos policiais envolvidos no ocorrido.

Cabral explica ainda que, no momento da abordagem, os policiais informaram cumprir ordens do delegado para a busca, apreensão e condução até a delegacia, mas que o delegado responsável negou a ordem para a ação. Diante disso, o deputado afirma que acionou a delegada-geral da Polícia Civil, o comandante regional da PM, a bancada de deputados do PT e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia para acompanhar o caso, e exigiu manifestações por parte do Ministério Público, da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério da Justiça.

“A ilicitude do comportamento da gestão municipal denunciada pelo jornal não será encoberta com práticas fascistas, coronelistas e antidemocráticas como a ocorrida na noite de ontem”, anotou ainda Cabral. “A liberdade de expressão, de pensamento e de imprensa é um direito constitucional que deve ser garantido e respeitado pelo Estado, e não tolhido ilegalmente como ocorreu no caso. Pela liberdade e pela democracia plena, dedico a minha vida e meu mandato. Não medirei esforços para apurar as origens dessa conduta por parte dos aparelhos do estado, bem como, para esclarecer a veracidade das denúncias veiculadas no jornal.”

Mais informações no site do Jornal Opcão.

 

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