José Souza: "João quer vender a conta da prefeitura; não só a folha"
Presidente do Sindicato dos Bancários desafia a prefeitura de Aracaju a manter apenas no edital a licitação da folha de pagamento dos servidores; segundo Souza, "prefeito está faltando com a verdade"; "ele não fala do principal objetivo da licitação. O prefeito e seus assessores seguem a máxima de Goebbels, que fazia a propaganda de Hitler, de que uma mentira contada mil vezes vira verdade. A licitação que a prefeitura quer fazer é muito mais ampla e, por isso, mais grave. A venda da conta tem problema de ordem constitucional. O que está sendo feito pela prefeitura põe em risco a sobrevivência do Banese. João está antecipando a privatização do banco", disse; sindicato irá à Justiça contra licitação
247 – O presidente do Sindicato dos Bancários, José Souza, desafiou, nesta terça-feira (17) a prefeitura de Aracaju a alterar o edital de licitação da conta bancária principal da administração, mantendo apenas a venda da folha de pagamento dos servidores. Ele diz que o objetivo principal do leilão é a venda da conta da prefeitura e não apenas da folha, o que não estaria sendo divulgado pelo prefeito João Alves Filho (DEM) e por seus assessores. O sindicato pretende acionar a Justiça contra a licitação.
“O objeto do edital é a venda da conta. Se fosse só a venda da folha, agora com a portabilidade, que banqueiro iria querer? Banqueiro não é besta. A folha de pagamento perdeu importância de ser vendida por causa da portabilidade. A prefeitura está faltando com a verdade. Não fala do principal objetivo da licitação. O prefeito e seus assessores seguem a máxima de Goebbels, que fazia a propaganda de Hitler, de que uma mentira contada mil vezes vira verdade. A licitação que a prefeitura quer fazer é muito mais ampla e, por isso, mais grave. A venda da conta tem problema de ordem constitucional. O que está sendo feito pela prefeitura põe em risco a sobrevivência do Banese. João está antecipando a privatização do banco”, disse Souza, em entrevista ao programa “A Hora da Verdade”, apresentado pelo radialista George Magalhães.
O secretário de Finanças, Nilson Lima, rechaçou as críticas do presidente do sindicato dos bancários. Ele disse que a prefeitura possui mais de 40 contas e o que está sendo proposto pelo edital é apenas a abertura para mais um banco. “Vamos manter toda estrutura de disponibilidade de caixa no Banese, que agora terá que baixar juros e tarifas para manter a conta dos servidores. No entanto, é óbvio que o banco que ganhar a licitação terá preferência, pois ele estará em parceria com a prefeitura, mas não terá caráter exclusivo”, disse.
Pelo edital da licitação, a venda da folha custará, no mínimo, R$ 40 milhões, com contrato válido por cinco anos. Segundo o documento, “a contratação de uma nova instituição financeira para prestação de serviços bancários à Administração Direta e Indireta do Poder Executivo do Município de Aracaju, inclui, entre outros o pagamento da folha de salário dos servidores ativos, inativos e pensionistas da administração direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, e das empresas dependentes; o pagamento aos beneficiários de eventuais Programas Sociais e Auxílios do Município; a centralização da arrecadação das receitas municipais no âmbito do Poder Executivo, autárquica, fundacional, empresas dependentes e fundos especiais, e; concessão de empréstimos aos servidores municipais, mediante consignação em folha de pagamento”.
Em entrevista ao Sergipe 247 na semana passada, a presidente do Banese, Vera Lúcia Oliveira, já tinha feito alerta semelhante ao que foi realizado por José Souza, ao frisar que o edital é muito amplo e não se limita à folha de pagamento dos servidores. “Não e verdade dizer que conta única vai ficar aqui no Banese, quando digo que vai centralizar a arrecadação. Como você diz que vai centralizar no banco que vai ganhar e que a conta única vai ficar aqui? Não tem como”, afirmou.