Juiz cita Bolsonaro ao negar direito a réu

Pensamento de ultradireita destilado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) se tornou referência, agora, até no âmbito jurídico. O juiz Thiago Brandão Boghi, da cidade de Santa Helena, em Goiás (TJ-GO), parafraseou o parlamentar para negar, em sentença sobre publicada nesta semana, um pedido jurídico de progressão ao regime aberto feito por um detento condenado por roubo; "Parafraseando o presidenciável Jair Bolsonaro era só o apenado não roubar, que não iria para o presídio. Roubou, vai ter que cumprir pena, nos moldes da sentença", escreveu o magistrado

Deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ)
Deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) (Foto: Paulo Emílio)

Revista FórumO pensamento de ultradireita destilado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) se tornou referência, agora, até no âmbito jurídico. O juiz Thiago Brandão Boghi, da cidade de Santa Helena, em Goiás (TJ-GO), parafraseou o parlamentar para negar, em sentença publicada nesta semana, um pedido jurídico de progressão ao regime aberto feito por um detento condenado por roubo. A progressão ao regime aberto é um direito dos réus.

"Todo mundo sabe das péssimas condições em que se encontram quase todos os presídios do país. Parafraseando o presidenciável Jair Bolsonaro era só o apenado não roubar, que não iria para o presídio. Roubou, vai ter que cumprir pena, nos moldes da sentença", escreveu o magistrado. A informação foi fornecida em primeira mão pelo site Viomundo e repercutida pelo ConJur.

Na sentença, Boghi fez referência a uma fala de Bolsonaro na ocasião da chacina de presos em Pedrinhas, no Maranhão. Os chacinados seriam culpados pela própria morte, de acordo com o deputado do PSC.

Apesar do absurdo em se referir a um parlamentar controverso em uma decisão judicial, não é estranha essa atitude vinda de Boghi, uma vez que suas posições à direita são bastante conhecidas.

Ele é assumidamente fã de Sérgio Moro (foi um dos magistrados que assinaram uma nota de apoio ao curitibano) e se tornou conhecido ao decretar, em junho de 2016, a prisão preventiva de Valdir Misnerovicz e Luiz Batista Borges, militantes do MST, e enquadrar o movimento como uma "organização criminosa".

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