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Juntos, mas não muito

Inimigos ferrenhos na política estadual, PT e PMDB selam aliança em pelo menos 60 cidades de pequeno e médio porte do interior

Juntos, mas não muito (Foto: Divulgação)

Bahia 247 com Tribuna da Bahia

Apesar de viver uma história de amor e ódio, PT e PMDB deixaram as farpas trocadas de lado e assumiram aliança em cerca de 60 cidades de pequeno e médio porte do interior do Estado. No plano nacional, a presidente Dilma Rousseff não governa sem o velho aliado, que por sua vez tem todas as regalias. Em plano estadual, Geddel e Wagner não se bicam, mas pelo visto, resolveram baixar a guarda.

De acordo com o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, o posicionamento de peemedebistas na oposição não é exclusividade baiana."Não é uma situação atípica. Em outros estados, como Pernambuco, PT e PMDB estão em lados opostos", afirmou ao jornal Tribuna da Bahia.
Ainda que as provocações aconteçam em cidades importantes como Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, as siglas estão juntas em municípios como Conceição do Coité, Serrinha e Ibotirama.

A situação baiana não difere dos dados obtidos em um levantamento nacional feito pela imprensa. Em mais de mil das 5.566 cidades do País, quando PT ou PMDB estão na cabeça de chapa na disputa por uma prefeitura, uma sigla é apoiada pela outra, segundo dados disponíveis até agora na Justiça Eleitoral.

Os dados apontam que os vínculos entre os dois partidos é mais intenso em 2012 já prevendo a expectativa das siglas para 2014, principalmente na briga pelo Palácio do Planalto, em que o PSB ensaiava lutar pelo espaço hoje ocupado por peemedebistas.

"Há pontos de diálogo entre os partidos, sempre proveitoso. Onde formamos alianças, somos competitivos", relatou Jonas Paulo à Tribuna da Bahia. O dirigente petista cita exemplos como de Álvaro Bessa (PT), que tem como candidato a vice-prefeito em Santo Antonio de Jesus o peemedebista Geo, como uma parceria entre as siglas que repete o modelo federal, com a petista Dilma Rousseff tendo como vice-presidente Michel Temer (PMDB). "São parcerias construídas no âmbito local e também por conversas entre os dirigentes", completa.

Apesar do discurso apaziguador de Jonas Paulo, o presidente estadual do PMDB, deputado Lúcio Vieira Lima, aponta que as situações municipais possuem peculiaridades que não chegam a ser discutidas como parte da política estadual das legendas. "Continuamos na oposição estadual, que foi o lugar que as urnas nos colocaram, e continuamos achando que o modelo do PT não é bom", comenta o dirigente.

"Entre as principais cidades citadas pelo próprio PT, apenas em Santo Antonio de Jesus o PMDB vai apoiar. Os partidos políticos perderam as bandeiras e são formados por lideranças", lembra Vieira Lima.

O caso citado pelos dois dirigentes é um exemplo dessa situação, no entendimento do peemedebista. "Álvaro Bessa já foi de diversos partidos e hoje é candidato pelo PT com apoio do PMDB. Na última eleição, o candidato do PMDB foi Humberto Leite, que hoje é candidato do PDT, e em 2008 teve o vice do PT", recapitula Vieira Lima. "Mesmo nos municípios em que o PMDB apoia o PT ou o PT apoia o PMDB, no palanque nós não vamos elogiar o governo Jaques Wagner", assegura o dirigente.