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Lacerda não terá vida fácil na Câmara Municipal de BH

Prefeito de Belo Horizonte, em tese, conta com apenas 27 votos de vereadores dos partidos da sua base de apoio, um a menos do que o necessário para aprovação de projetos que exigem fórum qualificado. No mandato passado, ele tinha 40 dos 41 paralamentares municipais

Lacerda não terá vida fácil na Câmara Municipal de BH

Minas 247 - O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), vai ter de negociar muito mais com a Câmara Municipal nesta legislatura. O ano do Legislativo municipal já havia começado mal para o prefeito com a reeleição de Léo Burguês para o posto de presidente da Casa -- o vereador, embora seja do PSDB, não é inteiramente alinhado com Lacerda.

Em tese, o prefeito da capital mineira tem 27 votos “garantidos” na Câmara, o que significa um a menos do que o necessário para aprovação de projetos que exigem fórum qualificado -- justamente os mais importantes, como os que mudam o uso e ocupação do solo, por exemplo.

Leia trecho da matéria de Alice Maciel, do jornal Estado de Minas:

Se no mandato passado o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), tinha 40 dos 41 vereadores na base de governo, nesta gestão ele terá de negociar mais para aprovar projetos na Câmara Municipal. Isso porque, além da bancada de oposição com sete vereadores, ele terá de enfrentar uma outra, também de sete parlamentares, que se declaram independentes. Ou seja, nas votações de quórum qualificado – alteração da Lei de Uso e Ocupação de Solo, por exemplo – ele não terá garantidos os votos suficientes para a aprovação dos projetos. Nesses casos, precisaria de 28, um a mais que os dos 27 da base.

E mais: a bancada de oposição ainda pode crescer. Isso porque o PCdoB, com dois vereadores, que se declara hoje independente, vai aguardar algumas atitudes do prefeito logo nos primeiros meses para definir se fica como está ou se une ao PT e PMDB, que se posicionam como adversários – na gestão anterior de Lacerda, apenas o peemedebista Iran Barbosa fazia oposição a ele na Câmara, enquanto seus companheiros de partido Geraldo Félix e Preto Sacolão apoiavam o prefeito e Cabo Júlio se declarava independente. “Ir para a base está fora de cogitação”, declarou o novato Gilson Reis (PCdoB). Segundo ele, três questões estão em jogo: a composição do primeiro e segundo escalão, “quem vai hegemonizar o governo” – o partido vai para a oposição caso o PSDB ocupe a maioria dos cargos no governo –, o cumprimento do programa de governo apresentado durante as eleições e o posicionamento de Lacerda em relação às eleições presidenciais. “O PCdoB está com a presidente Dilma Rousseff (PT)”, ressaltou o vereador. O partido foi um dos que cresceram nesta legislatura e que o prefeito perdeu para a bancada de independência. Na gestão passada, a legenda era representada pela vereadora Maria Lúcia Scarpelli, base fiel de Lacerda.

Outra bancada que pode ser difícil dobrar é a do PTN, composta por três vereadores, entre eles, o vice-presidente da Câmara, vereador Wellington Magalhães, também presidente estadual da legenda. O vereador e o prefeito não se dão bem. “Vamos trabalhar pelo que for melhor para a cidade”, ressaltou Wellington Magalhães. No mandato anterior, o PTN não tinha representantes na Câmara.

Já outros dois partidos que tinham vereadores, o PR, com um vereador, e o PMN, com dois, e eram governistas, não elegeram nenhum parlamentar nas últimas eleições. Enquanto o PTC, representado pelo vereador Joel Moreira, que antes se declarava da base do Executivo, hoje diz que fará um mandato independente. “Precisamos discutir mais os projetos que vierem da prefeitura”, justificou. O mesmo argumento tem Marcelo Aro (PHS). Ele afirmou que vai para a base se o prefeito provar que todos os projetos que ele manda para a Câmara são bons, e para a oposição se todos os projetos de origem do Executivo forem ruins. O PHS é mais uma perda para Lacerda, que tinha o vereador Heleno como aliado no mandato anterior.