Luiz Faria: ‘Empresariado é doutrinado para defender interesses contrários aos seus’

Professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luiz Augusto Faria diz que se o brasileiro acompanhar as notícias apenas pelos discursos de Temer (MDB) e de Meirelles (MDB) pode vir a acreditar que o Brasil já superou a crise econômica e se prepara para o crescimento; segundo ele, fascinação pelo estado mínimo é o resultado de décadas de “doutrinação” e “colonização” da iniciativa privada brasileira pelo setor financeiro

Professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luiz Augusto Faria diz que se o brasileiro acompanhar as notícias apenas pelos discursos de Temer (MDB) e de Meirelles (MDB) pode vir a acreditar que o Brasil já superou a crise econômica e se prepara para o crescimento; segundo ele, fascinação pelo estado mínimo é o resultado de décadas de “doutrinação” e “colonização” da iniciativa privada brasileira pelo setor financeiro
Professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luiz Augusto Faria diz que se o brasileiro acompanhar as notícias apenas pelos discursos de Temer (MDB) e de Meirelles (MDB) pode vir a acreditar que o Brasil já superou a crise econômica e se prepara para o crescimento; segundo ele, fascinação pelo estado mínimo é o resultado de décadas de “doutrinação” e “colonização” da iniciativa privada brasileira pelo setor financeiro (Foto: Voney Malta)
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Por Luís Eduardo Gomes/Sul 21 - Se o leitor acompanhar as notícias da economia apenas pelos discursos do presidente Michel Temer (MDB) e do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB), pode vir a acreditar que o Brasil já superou a crise econômica e se prepara para, nesse e nos próximos anos, retomar o caminho do crescimento. A avaliação do professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Luiz Augusto Faria é menos otimista.

Durante uma longa conversa em sua casa com a reportagem do Sul21, com pouco de economês e muitos exemplos práticos, o professor fez uma avaliação de que o crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), registrado em 2017, foi uma anormalidade decorrente do forte crescimento da safra agrícola, algo que não deve se repetir neste ano. E, previu, com base na indústria e no setor de serviços sem estímulos, em um desemprego ainda alto e com a renda das famílias em declínio, um crescimento estagnado ou de quase zero para esse e o próximo ano. “Esse ano está precificado em quase zero, porque tinha uma expectativa de que deu uma melhoradinha no final do ano passado, chegou a 1%, mas, na verdade, esse 1% foi só a safra agrícola. A indústria e os serviços foi negativo ou zero”, diz.

Luiz Faria também discorda das soluções de austeridade e redução do estado propostas pelos governos Temer e Sartori (MDB), e defendidas em espaços como o Fórum da Liberdade — evento realizado na última semana com patrocínio de empresas como Gerdau e RBS e que reuniu a “nata” do pensamento liberal nacional –, que pregam a redução total da participação do estado na economia, uma agenda de privatizações e, inclusive, a substituição de serviços públicos de saúde e educação por um sistema de cupons. Para ele, esse tipo de pensamento é um equívoco histórico. Um conto de fadas, para citar o economista americano Paul Krugman.

“Desde o início do mercantilismo, o capitalismo é dirigido pelo estado, que vai na frente. O Infante Dom Henrique criou a Escola de Sagres e a partir dali o Império Português virou um império comercial-capitalista. Mas foi o estado que puxou tudo. Isabel e Fernando de Castela unificaram e organizaram a Espanha, fizeram um poderoso estado e a Espanha virou um império comercial-capitalista. Os holandeses fizeram a mesma coisa e os ingleses também. Desde o Henrique VIII, Elizabeth I e tal construíram um estado e depois o país se tornou um império capitalista-comercial. Nos EUA foi a mesma coisa. Até a guerra da secessão, o estado americano era frágil, o capitalismo não deslanchava. Aí, depois da guerra, a união ficou poderosa, tinha um exército, tinha uma enorme dívida, tinha uma grande capacidade de investimento, aí o capitalismo americano deslanchou”.

Para o professor, essa fascinação pelo estado mínimo, mesmo em casos que contraria os interesses do empresariado local, é o resultado de décadas de “doutrinação” e “colonização” do setor da iniciativa privada brasileira pelo setor financeiro. “Até o cara lá do arroz, da soja, é a favor de privatização. Aí de repente diz: ‘Opa, mas eu preciso de crédito do Banco do Brasil para a minha safra’. Aí ele quer o Banco do Brasil, mas no outro dia estava lá, numa reunião, discursando pelo estado mínimo”.

Leia a entrevista na íntegra aqui.

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