Luiz Marinho: Doria se mostra um homem sem palavra
Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Luiz Marinho critica o ex-prefeito da capital paulista, que deixou a Prefeitura mesmo tendo prometido que não o faria: "Doria se apresenta como novidade, mas representa um grupo político que esta no poder em São Paulo desde a redemocratização. Ao negar a política e se colocar como gestor, ele se mostra um homem sem palavra"; leia entrevista a Igor Santos
Por Igor Santos, para o 247 - Terça-feira, 8 de maio, Câmara Municipal de Santo André. Luiz Marinho (58), metalúrgico, dirigente sindical e ex-prefeito de São Bernardo do Campo recebe o título de cidadão Andreense. Não foi surpresa observar os corredores e adjacências da Câmara repletos de movimentos sociais, sindicatos, associação de moradores de bairro e partidos de esquerda. Marinho, pré-candidato ao governo de São Paulo, ainda possui o caráter conciliador e aberto ao diálogo, características que desenvolveu na fábrica e nos anos que passou a frente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Minutos antes da entrega do título, projeto de autoria do vereador Willians Bezerra, em coletiva a imprensa, Marinho falou um pouco sobre desemprego, negação da política e a prisão arbitrária do ex-presidente Lula.
Igor Santos – Marinho, seu principal oponente, João Doria (PSDB), se apresenta como gestor. Diversas vezes, se colocando à frente de um discurso de negação da política. Como você vê esse tipo de discurso, é possível ser candidato e não ser político?
Marinho - Dória se apresenta como novidade, mas representa um grupo político que esta no poder em São Paulo desde a redemocratização. Ao negar a política e se colocar como gestor, ele se mostra um homem sem palavra. Para quem não lembra, ele (Dória) foi presidente da Embratur no período Sarney, parece que foi demitido por suspeita de corrupção. Alguém dizer que é candidato e não é politico, começa com desonestidade, dai você pode supor o resto. Eu vim do interior, uma cidade do interior chamada Cosmorama, ali muito cedo aprendi com meus pais e avós a ter palavra, honrar compromisso. Começou termina, faz bem feito e com dignidade. Isso ai que vocês chamam de Dória é o atraso e o que há de mais baixo na politica nacional. Quem foi prefeito e não terminou mandato, pulando agora para se candidatar ao governo, tem motivos de sobra para se envergonhar de fazer politica, talvez esteja aí a resposta. Sou metalúrgico, fui ministro do trabalho e prefeito de São Bernardo do Campo, não tenho vergonha de dizer que sou politico e faço politica, o partido dos trabalhadores faz politica para melhorar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.
Igor Santos – O mesmo grupo político está no Palácio dos Bandeirantes desde a redemocratização. O que faz o Partido dos Trabalhadores acreditar que poderá romper com essa continuidade do PSDB no poder?
Marinho - Se olharmos para o estado de São Paulo, em qualquer região, observaremos um abandono total, notem que numa eleição onde o candidato do partido de situação, se diz gestor, o atual governo é uma catástrofe no quesito gestão. Já viram a situação das universidades estaduais? A segurança publica ou mesmo a geração de trabalho. O interior de São Paulo está abandonado. Acredito que nós do PT representamos a saída real dessa situação e a solução para os problemas na saúde, segurança e educação. Percebam, mesmo Alckmin, se olharmos as pesquisas presidenciais, quando vemos a preferência de votos entre os paulistas, ele figura em terceiro lugar. Notem, terceiro lugar, isso é sintomático. Existe uma janela histórica e nós do partido dos trabalhadores estamos a disposição dos paulistas.
Igor Santos – O senhor falou sobre eleições presidenciais. Existe uma conversa que o PT já estaria costurando um plano B, caso Lula não possa se candidatar. Existe um plano B?
Marinho - Lula é o candidato do Partido dos Trabalhadores, entendemos que existe legitimidade nas outras candidaturas de esquerda, Boulos, Manuela ou Ciro, todos merecem respeito e nosso carinho. Lula não está morto, estamos falando da maior liderança nacional e global das ultimas décadas. É preciso entender isso, Lula é o plano A, B e C do PT. Poderemos discutir apoio num eventual segundo turno sem Lula, com os candidatos do nosso campo, mas antes disso é necessário ter clareza que nosso candidato permanece sendo Lula e em Agosto registraremos Lula como candidato a Presidência da Republica pelo Partido dos Trabalhadores.
Igor Santos – Algumas pesquisas dão conta de 14 milhões de desempregados. O que o senhor, que foi ministro do Trabalho e foi presidente de um dos principais sindicatos da América Latina. Pode falar sobre isso?
Marinho – Nos governos Lula e Dilma, geramos 22 milhões de empregos com carteira assinada. Esses 14 milhões de desempregados revela a face mais cruel do golpe, o desmonte da economia nacional e a retirada de direitos dos brasileiros e brasileiras. Por isso Lula desponta nas pesquisas como primeiro colocado a presidência. A população sente saudades daquele Brasil onde inauguramos a Federal do ABC e inúmeras outras universidades federais e institutos técnicos federais, o Brasil que estava alcançando o pleno emprego. Vejam, por exemplo o desmonte da industria naval promovido por Temer, as inúmeras obras paradas. Percebam, o Brasil sente saudades de quando podia sonhar, São Paulo não é diferente. Meu partido e o campo popular, vem para recuperar São Paulo, por o Brasil no rumo certo, com geração de empregos, segurança, saúde, educação de qualidade e democracia.