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MAM apresenta Goeldi

Museu de Arte Moderna de São Paulo apresenta duas exposições que abordam facetas distintas de um dos maiores nomes do expressionismo no Brasil; mostra vai até 19 de agosto

MAM apresenta Goeldi (Foto: Reprodução)

O expressionismo de Oswaldo Goeldi é uma linguagem particular dentro do modernismo brasileiro. Sua visão obscura e melancólica do Rio de Janeiro contrasta com a temática solar proposta por seus contemporâneos. O Museu de Arte Moderna de São Paulo apropria-se desse universo em duas mostras que enfocam aspectos distintos do gravador e desenhista. Com curadoria de Paulo Venancio Filho, Oswaldo Goeldi: sombria luz ocupa a Grande Sala com a maior retrospectiva da obra do artista já realizada, trazendo cerca de 200 trabalhos, entre gravuras originais e desenhos, produzidos dos anos 1920 até sua morte, em 1961. Na Sala Paulo Figueiredo, a sobrinha-neta do artista, Lani Goeldi, faz a curadoria da remontagem do espaço de criação que o artista possuía dentro de seu apartamento do Leblon na exposição O ateliê de Goeldi. Ambas têm abertura no dia 14 de junho, a partir das 20h.

 Oswaldo Goeldi: sombria luz

Na curadoria de Paulo Venancio Filho, não há lugar para uma visão linear da obra de Goeldi. Em vez da ordem cronológica, o curador buscou as características recorrentes na obra do gravador para criar os agrupamentos dos trabalhos em exposição.

Tais conjuntos são formados tanto por afinidades temáticas, trazendo uma certa visão do espaço urbano carioca (ruas, casarões e transeuntes); quanto por afinidades plásticas, com predominância da xilogravura (que a partir de um momento de sua produção vai ganhar cores para contrabalançar o preto constante), do desenho e da gravura próxima ao desenho, e da exploração de luz e sombra.

Dessa forma, o projeto expográfico de Felipe Tassara busca fragmentar o espaço expositivo, possibilitando vários percursos distintos em vez de um caminho único. Esse formato é coerente com a obra do artista não apenas pela divisão temática e plástica de sua produção como também para ressaltar o clima de desconforto, desarticulação e solidão inerentes ao seu universo melancólico.

 A importância histórica da obra de Goeldi reside no seu papel de artista que lançou um olhar original para aspectos do Rio de Janeiro, e, dessa forma, para uma visão cristalizada de brasilidade à qual se opôs, trazendo à tona o lado obscuro de um país de contrastes sociais em contraponto à exuberância de sua beleza natural, de um caráter de superficialidade na cordialidade sempre atribuída à sua gente.

Nas palavras de Paulo Venancio Filho, “meio século após sua morte, a obra de Oswaldo Goeldi ainda desafia os clichês que retratam o Brasil como uma espécie de paraíso tropical. Com os recursos limitados da xilogravura e do desenho a lápis ou carvão, mostrou que sob a luz solar havia um mundo em desassossego e desajuste”.

 “Este singular expressionista deslocado nos trópicos, que encontrou em Alfred Kubin – com quem se correspondeu – um amigo e admirador, vislumbrou, especialmente na paisagem urbana do Rio de Janeiro, a condição trágica do homem moderno; seu isolamento, sua solidão, sua disjunção com o real. Através da simples oposição entre luz em sombra da xilogravura, com uma economia mínima de elementos, revelou um mundo subterrâneo, às vezes fantástico, às vezes sinistro e ameaçador, e não menos verdadeiro.”

O ateliê de Goeldi

A reconstituição do ateliê de Goeldi no apartamento do Leblon onde ele viveu e trabalhou traz os objetos pessoais e profissionais do artista, além de documentos, desenhos, cartas e fotografias de época e uma prensa, aproximando do público do lado humano do artista. O espaço terá um caráter educativo, acentuado pela parceria entre a curadora e sobrinha-neta do artista, Lani Goeldi, e a área educativa do MAM-SP, que vai ocupa-lo com uma série de atividades que incluem oficinas de gravura na técnica da colher de pau, majoritariamente utilizada pelo gravurista. O próprio catálogo será um desdobramento do uso educacional do espaço, na forma de um caderno de atividades para os professores.


SERVIÇO

Oswaldo Goeldi: sombria luz (Grande Sala)

Curadoria: Paulo Venâncio Filho

e

O Ateliê de Goeldi (Sala Paulo Figueiredo)

Curadoria: Lani Goeldi

Visitação: 15 de junho a 19 de agosto de 2012

Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo

Endereço: Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3)

Horários: Terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)

tel (11) 5085-1300

Ingresso: R$ 5,50

Sócios do MAM, crianças até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam entrada. Aos domingos, a entrada é franca para todo o público, durante todo o dia