Manifestações mostram que governos precisam dialogar com jovens
Lideranças de juventude de Sergipe e do Brasil avaliam como os movimentos que ganharam as ruas poderão influenciar a pauta dos governos em prol da juventude brasileira; Jefferson Lima, coordenador nacional da Juventude do PT, diz que "os partidos e os governos precisam dialogar mais com a juventude e ter um olhar diferencial para as novas linguagens delas”; para Júnior Torres, presidente estadual da Juventude do DEM, “quando a juventude desperta, acorda também o Governo”; ambos acreditam que jovens terão peso fundamental na pauta das eleições de 2014
Valter Lima, do Sergipe 247 – Líderes das juventudes partidárias, Jefferson Lima (coordenador nacional da Juventude do PT) e Júnior Torres (presidente estadual da Juventude do DEM em Sergipe) têm participado ativamente das discussões em torno dos protestos que ganharam as ruas do Brasil. Em entrevista ao Sergipe 247, os dois, que representam linhas partidárias bem distintas, concordam em diversos apontamentos sobre os resultados que as manifestações podem trazer para os jovens brasileiros.
“Os partidos e os governos precisam dialogar mais com a juventude e ter um olhar diferencial para as novas linguagens das juventudes”, afirma Jefferson Lima, que já foi presidente da Juventude do PT de Sergipe. Para ele, os governantes precisam primeiro entender o perfil dos jovens e quais as pautas que ela reivindica. O petista diz ainda que é importante “chamar os movimentos sociais para um diálogo e construir meios para avançar e resolver as demandas apresentadas nas manifestações”. Entre as reivindicações, estão melhoria nos serviços públicos e uma reforma do sistema político brasileiro.
Júnior Torres, por sua vez, diz que “quando a juventude desperta, acorda também o Governo”. Para ele, o caminho ideal é “abrir o diálogo, debater e buscar viabilizar a celeridade na aprovação de temas relevantes como a reforma política, já que está no atual sistema os principais vícios que enfraquecem a democracia e favorecem a corrupção”. O demista defende ainda que a discussão sobre reforma política seja ampliada pelos movimentos que estão indo para as ruas. Ela também reforça a inclusão do estatuto da juventude entre os temas dos protestos.
JUVENTUDES PARTIDÁRIAS E 2014
O líder do PT acredita que a posição das juventudes partidárias, no contexto das manifestações, deve ser “luta social sempre”. “Estamos participando dessas manifestações e colocando as pautas que achamos como necessária para radicalizar a democracia no Brasil e avançar cada vez mais”, afirmou. O representante do DEM concorda: “as juventudes partidárias não devem ficar alheias ao debate”. Mas pondera: “o que não pode é tirar proveito de uma manifestação apartidária em favor de sua agremiação”.
E quais reflexos essas manifestações terão sobre o processo eleitoral do próximo ano? Júnior Torres diz que, enquanto cidadão, espera “que esta indignação seja, democrática e legitimamente, depositada nas urnas”. Jefferson Lima ressalta que a juventude, que hoje é um segmento formado por 50 milhões de pessoas, terá papel importante nas eleições de 2014. “Uma nova juventude, uma nova classe trabalhadora, que sai às ruas para reivindicar mais conquistas, mais avanços”, frisou.
Confira as duas entrevistas na íntegra:
Sergipe 247 - Com as manifestações e protestos ganhando as ruas, a sensação é de que a juventude está disposta a dialogar e a lutar por melhorias na política brasileira. Qual a sua opinião sobre isto? A juventude ganhará mais destaque na pauta política brasileira?
Jefferson Lima (PT) - Com certeza, com a juventude sendo protagonista de grandes mobilizações em todo Brasil e querendo mais avanços na política brasileira. Os partidos e os governos precisam dialogar mais com a juventude e ter um olhar diferencial para as novas linguagens das juventudes. No Brasil, temos uma juventude com perfil diferente das outras grandes mobilizações que aconteceu no passado no Brasil.
Júnior Torres (DEM) - Quando a juventude desperta, acorda também o Governo. A Juventude do DEM, inclusive, fez uma moção de apoio. Hoje a juventude está, com certeza, pautando todos os debates políticos. Os governos estão ouvindo as vozes das ruas. Na prefeitura de Aracaju, por exemplo, as demandas estão sendo debatidas, o diálogo foi aberto, a passagem reduzida e a licitação encaminhada.
247 - A lista de reivindicações das manifestações atais é muito difusa. Tem de tudo. Como você acha que os governantes (prefeitos, governadores e a presidente) podem agir para atender essas demandas?
Jefferson Lima (PT) - As manifestações trazem diversas pautas e diversas reivindicações. Algumas, na minha avaliação, são propostas boas na maioria, e outras poucas ruins. Os governantes precisam primeiro entender o perfil dessa juventude e quais as pautas que ela reivindica. Outro momento importante é chamar os movimentos sociais para um diálogo e construir meios para avançar e resolver essas demandas apresentadas nas manifestações. Melhoria nos serviços públicos (saúde, educação, mobilidade, segurança) e uma reforma do sistema político brasileiro devem ser as prioridades dos governantes em todas as esferas.
Júnior Torres (DEM) - Abrindo o diálogo, debatendo e buscando viabilizar a celeridade na aprovação de temas relevantes como a reforma política, já que está no atual sistema os principais vícios que enfraquecem a democracia e favorecem a corrupção.
247 - Qual deve ser a posição da juventude partidária nestas manifestações? Como você tem se comportado?
Jefferson Lima (PT) - A posição das juventudes partidárias, e a nossa principalmente da Juventude do PT, é de luta social sempre. Nossas ações sempre foram de mobilização em varias frentes de atuação no movimento popular, movimento estudantil, movimento cultural entre outras. Desde o inicio sempre participamos na luta pelo passe livre e pela pauta da mobilidade urbana juntamente com outros movimentos em todo país. Estamos participando dessas manifestações e colocando as pautas que achamos como necessária para radicalizar a democracia no Brasil e avançar cada vez mais.
Júnior Torres (DEM) - As juventudes partidárias não devem ficar alheias ao debate. A Juventude Democratas de Aracaju fez, inclusive, uma moção de apoio. O que não pode é tirar proveito de uma manifestação apartidária em favor de sua agremiação. Tenho me comportado como cidadão, participando, mas sem buscar vantagens pessoais.
247 - Qual o peso que essas manifestações terão nas eleições de 2014? Por quê?
Jefferson Lima (PT) - Um peso importante, formado por um segmento que representa 50 milhões de brasileiros e brasileiras. Esse bônus demográfico da juventude teve um papel importante nas eleições de 2010 e com certeza terá nas eleições de 2014. Uma nova juventude, uma nova classe trabalhadora fruto do governo liderado pelo PT, que compreendeu as mudanças nos últimos 10 anos e que sai às ruas para reivindicar mais conquistas, mais avanços.
Júnior Torres (DEM) - Como cidadão, espero que esta indignação seja, democrática e legitimamente, depositada nas urnas.
247 - O que ainda está faltando na pauta apresentada pelos protestos? O que você incluiria?
Jefferson Lima (PT) - Devemos aproveitar essas mobilizações e pressionar por mais avanços. Precisamos de mudanças no sistema eleitoral através da Reforma Política e o financiamento publico de campanha, melhoria nos serviços públicos, democratização dos meios de comunicação acabando com o monopólio da mídia e a construção de conferências, com grande participação popular, para debater e avançar na mobilidade urbana no Brasil. A conquista da redução da tarifa de ônibus foi importante, mas precisamos agora de um grande pacto nacional para avançar em vários outros pontos sobre a mobilidade urbana.
Júnior Torres (DEM) - Não vi discussão sobre reforma política, estatuto da juventude, são temas relevantes, também devemos ressaltar o repúdio à censura, seja nas ruas, redes sociais, afinal quem busca a vida pública deve estar aberto às críticas. A Juventude Democratas de Aracaju ressalta seu apoio a toda e qualquer manifestação pacífica e ordeira, materializada por meio de moção.
247 - Qual tem sido a percepção dos diversos grupos de juventude que existem no país sobre estes movimentos?
Jefferson Lima (PT) - Percepção muita positiva em sua maioria. O que não podemos aceitar é a presença de grupos neofascistas tentando mudar o caráter das mobilizações e querendo implementar o cenário de briga e quebra-quebra nas ruas. Acreditamos que podemos melhorar nosso país e a vida do povo brasileiro com muita pressão popular. As manifestações das ultimas semanas em sua maioria apresenta pautas necessárias para mudanças na política brasileira. Os partidos, as juventudes organizadas e os governos precisam entender o recado que essas mobilizações estão passando durante as manifestações.