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Manifestações retratam descontentamento e onda conservadora

As manifestações de ontem(15), que reuniram a elite e setores médios tem um forte componente ideológico e de classe, agravados com a falta de diálogo por parte do governo e uma intensa campanha da imprensa para criminalizar o PT

As manifestações de ontem(15), que reuniram a elite e setores médios tem um forte componente ideológico e de classe, agravados com a falta de diálogo por parte do governo e uma intensa campanha da imprensa para criminalizar o PT (Foto: Fatima 247)

Ceará 247 - Números inflados de participação, financiamento escuso das infraestruturas, preconceito, disseminação do ódio, alienação política e manipulação da mídia são marcas das manifestações ocorridas ontem (15), em 19 estados do Brasil, quando a elite econômica, reforçada com setores de classe média, foi às ruas protestar contra o governo da Presidente Dilma Rousseff e bradar contra a corrupção e o Partido dos Trabalhadores.

Se viu de tudo. De cartazes que pregavam a morte da presidente, a volta da ditadura militar, o fim do marxismo e do comunismo, palavrões e baixarias de todo tipo. O nazismo e o fascismo também estiveram presentes, tanto de forma explícita, nos grupos de extrema direita, como embutido no preconceito dos que são contra as políticas de inclusão social como o Bolsa Família, o Mais Médicos, o Minha Casa, Minha Vida, o Prouni, a política de cotas, a lei do feminicídio e tantas outras.

Para o deputado federal Odorico Monteiro (PT) a onde conservadora que efetivamente surgiu no Brasil vem desde as eleições, quando houve uma disputa clara entre um projeto de centro esquerda, liderado pelo PT e outro de centro direita, liderado pelo PSDB. "A campanha política e o próprio resultado eleitoral desinibiram os setores conservadores e deram as condições para externar essa disputa de valores". Segundo ele, é natural que qualquer projeto que tem mais de dez anos sofra uma avaliação da sociedade. Na opinião do deputado, o governo agora tem que sinalizar com alguma mudança e não só no que refere à corrupção. Nesse momento, o fundamental é a abertura de um forte diálogo com todos os setores, tanto do mundo político como da sociedade civil organizada. "O governo tem que conjugar o verbo dialogar em toda a sua radicalidade". Além disso, ele considera que as manifestações criam melhores condições para colocar na agenda da sociedade a pauta da Reforma Política.

O sociólogo e professor da UFC, Osmar de Sá Ponte,  também considera a falta de diálogo do governo um fator importante. Mas, destaca que o descontentamento de setores da classe média já estava latente mesmo antes das eleições. Na avaliação do sociólogo, "nos governos do PT a classe média tradicional perdeu espaços cativos com as políticas de inclusão social, como o acesso exclusivo às universidades, por exemplo". Para ele as manifestações tem um forte caráter ideológico e envolveu setores mais de centro com setores radicalmente conservadores, principalmente após dois anos de intensa oposição da imprensa, criminalizando o Partido dos Trabalhadores, o que foi acirrado com a Operação Lava Jato, que potencializou a crise latente de desconfiança desse setor médio, particularmente no que diz respeito à corrupção. Por outro lado, na avaliação do professor Osmar, a manifestação não foi tão espontânea quanto a mídia tenta disseminar.

Para enfrentar essa crise, segundo ele, o governo agora precisa de ação. "Não há credibilidade suficiente do governo para esperar. É preciso fazer a reforma política e combater a corrupção com medidas concretas. Não há mais tempo para construir melhores condições políticas".