HOME > Geral

Manifestantes vão às ruas da capital contra tarifas

Em um ato que lembrou as primeiras manifestações de 2013, milhares de pessoas marcharam no centro de Porto Alegre após entrar em vigor o aumento de 15,38% na tarifas de ônibus; o transporte coletivo na capital gaúcha passou de R$ 3,25 para R$ 3,75, causando indignação na população; “ai, ai, ai, ai, se lutar o ajuste cai”, entoaram os manifestantes

Em um ato que lembrou as primeiras manifestações de 2013, milhares de pessoas marcharam no centro de Porto Alegre após entrar em vigor o aumento de 15,38% na tarifas de ônibus; o transporte coletivo na capital gaúcha passou de R$ 3,25 para R$ 3,75, causando indignação na população; “ai, ai, ai, ai, se lutar o ajuste cai”, entoaram os manifestantes (Foto: Leonardo Lucena)

Débora Fogliatto, Sul 21 - Em um ato que lembrou as primeiras manifestações de 2013, milhares de pessoas marcharam no centro de Porto Alegre nesta segunda-feira (22), dia em que entrou em vigor o aumento de 15,38% na tarifas de ônibus. O transporte coletivo na capital gaúcha passou de R$ 3,25 para R$ 3,75, causando indignação na população.

Desde as 17h, coletivos integrantes do Bloco de Luta pelo Transporte Público se concentraram em frente ao Paço Municipal, em um ato visivelmente maior que o da última segunda-feira (15), quando ainda não se sabia o valor do reajuste. O aumento foi anunciado na sexta-feira (19) e entrou em vigor sem passar pelo crivo do Conselho Municipal de Transporte Urbano (Comtu).

Entoando “ai, ai, ai, ai, se lutar o ajuste cai”, por volta das 18h30, os manifestantes começaram a se organizar para sair em caminhada. Antes da marcha, uma “catraca” feita de papel e um boneco com uma máscara representando o prefeito José Fortunati (PDT) foram queimados pelos militantes.

Por cerca de duas horas, a caminhada seguiu pelas ruas do Centro em ritmo frenético, sem perder o ânimo, representando a indignação dos participantes com o aumento. “Muita gente decidiu se juntar à passeata conforme íamos passando, pessoas que já estavam no Centro”, afirmou Júlio Câmara, do coletivo Juntos, um dos organizadores do ato.

Iniciando pela Júlio de Castilhos, os manifestantes deram a volta no Terminal Parobé e, diferentemente da semana passada, seguiram pelo Viaduto da Conceição, entrando no túnel. Desde o início do protesto, ônibus não circulavam no Centro. No túnel, em um dos momentos mais emocionantes da noite, os ativistas pulavam entoando “somos o povo e esse aumento nós vamos derrubar”. Em seguida, fizeram silêncio ao passar pela Santa Casa.

Após chegar à avenida João Pessoa, os manifestantes dobraram em direção à Salgado Filho, retornando ao Centro, de onde seguiram pela Borges de Medeiros e encerraram no Largo Zumbi dos Palmares. Ao passarem por áreas residenciais, os manifestantes pediam “quem apoia pisca a luz”, enquanto diversos moradores dos prédios no entorno seguiam a solicitação e os saudavam nas janelas.

A Brigada Militar acompanhou o ato pela parte de trás do protesto, enquanto a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) ia na frente, realizando bloqueios das ruas por onde os manifestantes passavam. Em determinados momentos, o protesto chegou a se dividir em mais de uma parte, entoando diversas músicas, devido à grande quantidade de pessoas.

O Bloco de Lutas estima que milhares de manifestantes tenham aderido, mas o número exato não foi consenso entre os participantes, que estimaram entre 2 mil e 5 mil pessoas. “Queremos chamar a população de Porto Alegre, dos bairros, sindicatos, estudantes, para que se somem à nossa assembleia no dia 24, no Simpa”, chamou Lorena Castillo, uma das integrantes, ao final do protesto.

O grande número de adesões foi explicado pelos organizadores como um reflexo da indignação geral da população com o aumento, além da descoberta da “farsa” que foi a licitação do transporte. “A postura da Prefeitura impactou negativamente. Fizeram campanha falando que havia frota nova, que era um momento histórico, mas não foi isso o que aconteceu na prática”, avaliou Matheus Gomes. “A lorota desse novo sistema de transporte não foi aceita pelo povo. Desses novos ônibus que a Prefeitura anunciou, apenas 12 são realmente novos. Isso foi só para deixar palatável esse aumento, que é o maior do país”, destacou Júlio.

Um pouco antes do ato, parlamentares do PSOL protocolaram uma ação cautelar contra o aumento das passagens do transporte coletivo. Eles argumentam que a licitação está sendo contestada na Justiça pela Stadtbus, empresa que foi desclassificada — e era a única que não operava o sistema quando a licitação foi feita — , além do fato de o reajuste não ter passado pelo Comtu, que deveria ter sete dias para estudar o valor proposto.