Marconi vira alvo de seus próprios aliados em Goiás

Ele quer fazer uma reforma no secretariado, mas enfrenta resistncia de aliados como o presidente da Assembleia, Jardel Sebba, que, para segurar aliado estratgico para sua candidatura em Catalo, acena com projeto que engessa o governo. Jardel tem ainda fora para levar a CPI do Cachoeira para onde quiser, doa a quer doer mesmo que no governador

Goiás 247 – A situação do governador Marconi Perillo (PSDB), envolvido pelo turbilhão do caso Cachoeira, já não anda fácil, tendo ele de se explicar para o público externo o que andou e anda fazendo internamente no governo. Pois agora fica evidenciado um outro ponto de desgaste para ele: o chamado ‘fogo amigo’ ganha força e pode fazê-lo refém da mesma arma que criou para se defender das acusações: a CPI do Cachoeira na Assembleia Legislativa.

O presidente da Assembleia Legislativa, Jardel Sebba, também tucano, lidera uma ação estratégica que tem por objetivo pressionar o governador a manter no cargo um dos auxiliares que ele já decidiu tirar, tanto que até comunicou à sua equipe e deixou o assunto vir a público, mas que resistem: o presidente da Agência Goiana de Comunicação (Agecom), José Luiz Bittencourt.

Bittencourt é o marqueteiro oficial de Jardel, que vai disputar novamente a prefeitura de Catalão. No cargo, o presidente da Agecom ocupa uma posição estratégica, que se soma a uma rede de influência – com pés em outras posições – com reflexo eleitoral forte para Jardel. Nesse caso, manter José Luiz Bittencourt lá e a rede intacta é fundamental para seu projeto.

A forma de pressionar o governador ocorre no campo onde Jardel tem também respaldo: a Assembleia Legislativa. E o que ele decidiu fazer: vai apresentar na próxima semana projeto de lei que torna obrigatório que indicados para ocupar cargo no primeiro e no segundo escalões do Estado tenham disputado pelo menos uma eleição. A informação está na coluna Giro, assinada pelo jornalista Jarbas Rodrigues Jr. em O Popular de hoje.

O objetivo claro é criar constrangimento para o governador, que teria, por exemplo, de mudar a maior parte de sua equipe porém colocando apenas ex-candidatos ou ex detentores de mandato. O tamanho do problema: muitos ex serão candidatos em outubro; muitos que serão ex, só sairão em janeiro; sem falar que seria colocar Marconi diante de vários questionamentos. Só quem disputa eleição tem competência administrativa? – eis um deles. Ou ainda: e as novas gerações, ficam automaticamente excluídas de participar do governo? Mais: competência administrativa e gerencial tem a ver com disputar mandato? Ou: escalões superiores do poder público tem a ver apenas com o jogo eleitoral?

Há semanas o governador tenta fazer uma reforma no governo. Reportagens do 247 adiantaram isso (leia aqui) e a própria coluna Giro registrou o desejo do governador. As mudanças só não aconteceram ainda justamente por conta das reações internas e da falta de bons nomes para ocupar cargo. Agora, ganha ares mais diretos, com a ação de Jardel Sebba.

Não só dele, aliás. Tem o respaldo, além de alguns deputados – curiosamente, até de nomes da oposição ao governador –, do líder do governo, Helder Valin (PSDB). Valin já foi presidente da Assembleia sucedendo Jardel, que saíra igualmente para disputar a prefeitura de Catalão, eleição que perdeu. Jardel retornou à presidência e Valin imediatamente entrou em campanha para mais uma vez sucedê-lo, caso desta vez Jardel vença.

Na nota do Giro, Valin avisa que aprova o jogo de Jardel. Outra arma que eles têm pela frente é a CPI do Cachoeira na Assembleia. Os dois têm força para levar os trabalhos na Casa para onde quiserem. Marconi, nesse caso, tem mais este problema para resolver. Possível alvo na CPMI do Cachoeira, em Brasília, já começa a ser alvejado aqui, onde teoricamente tem o poder. Na prática, o que se vai saber: tem ou tinha?

A seguir, a nota da coluna Giro:

Cúpula da Assembleia quer pressionar governo com projeto

O presidente da Assembleia, Jardel Sebba (PSDB), informa que apresentará na próxima semana projeto de lei que torna obrigatório que indicados para ocupar cargo no primeiro e no segundo escalões do Estado tenham disputado pelo menos uma eleição. Isto obrigaria o governador Marconi Perillo (PSDB) a mudar a maior parte de sua equipe. Conforme informado aqui ontem, o governador anunciará nos próximos dias os novos presidentes do Detran e da Saneago e, até junho, deve nomear novo secretário da Fazenda e ainda pode promover mudança na Agecom. Líder do Governo, Helder Valin (PSDB) sinalizou positivamente para o projeto. A motivação seria o descontentamento de deputados com a equipe de Marconi. “Para ocupar cargo no governo é preciso sensibilidade com quem disputa voto. O projeto terá total apoio dos deputados”, afirma Jardel Sebba.

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